sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Prepare-se: essa é a história do maior time de todos os tempos.


O quarto gol é de Andre Abegglen, num poderoso arremate de direita.

De cara fechada, o Führer passa a mão no bigode, enquanto o público francês aplaude de pé.

Foi no dia nove de junho de 1938, no Parc des Princes, Paris, sob os olhos atentos de uma Europa à beira da guerra, que a Suíça apresentou ao mundo o Schweizer Riegel (Ferrolho Suíço), glorioso alvorecer tático do futebol moderno.

Era a terceira edição da Copa do Mundo, levada à França pelo então presidente da Fifa, Jules Rimet. Na platéia, mesmo com favoritismo total para as seleções do eixo, o público vaiava as saudações fascistas. E em campo, sem a Celeste pela frente, com a Fúria destroçada pela guerra civil e os craques da promissoraa Áustria anexados à seleção de Hitler, apenas a Itália parecia fazer frente ao scratch nazista.

Mas o destino guardava, sim, uma de suas surpresas.

E ela tinha nome: Karl Rappan (foto), notório estrategista austríaco que dirigiu a Suíça nas copas de 38 e 54. Comandando uma seleção formada por um catado de artesões, comerciantes e professores, o “austríaco louco” (como é conhecido por alguns, entre eles eu) foi o primeiro treinador a implementar uma “defesa total”.

Na prática, The Swiss Locking Bolt não era uma formação tática em si, como 4-2-4 ou 4-4-2, por exemplo. Ao contrario do que muitos pensam, tratava-se na verdade de um sistema de jogo, com diversas variações possíveis, não necessariamente aplicadas a todo o momento.

O que chamava a atenção, independentemente da formação utilizada, era sua mobilidade. No Ferrolho, havia uma marcação sólida tanto no campo de defesa, no qual todos os jogadores voltavam para trás da linha da bola, como também no campo de ataque, pois quando o time ia à frente uma linha de três ou quatro zagueiros se posicionava quase no meio de campo, enquanto os atacantes pressionavam os zagueiros adversários.

Dentre as mais confiáveis ilustrações do esquema de Rappan, duas chamam a atenção: Uma delas (primeira) é uma armação com cinco defensores, antecedidos por um líbero ( na época ainda não era líbero, mas sim um cão de guarda) posicionado logo à frente do goleiro, com os outros quatro avançados formando uma segunda linha, responsável pelo primeiro combate.


A outra (segunda) é uma tentativa de trancar o adversário em seu próprio campo, com uma linha de quatro jogadores avançados, que marcam os zagueiros, dois meias contendo os volantes e os três defensores postados quase no meio campo, protegidos pelo libero.

Genial! Contra a Alemanha, a Suíça entrou em campo com Hubber; Lehmann, Minelli, Loertscher, Springer e Vernati; Bickel, Walaschek, Aeby, Amado e Abegglen. E apesar da vitória espetacular, não foram os campeões do mundo.

Sua inovação tática, entretanto, baseada numa concepção do jogo sem precedentes, formulou todas as bases teóricas para o Catenaccio, a filosofia defensivista mais famosa do futebol

Karl Rappan é referência obrigatória para todos os retranqueiros do mundo. E Le Verrou Suisse, executado com perfeição, é a grande contribuição dos suiços à humanidade (já que o queijo veio da Arcádia e, o chocolate, dos Astecas).

Final de jogo. Suíça 4 X 2 Alemanha. Destroçados, os alemães reconhecem a derrota.

Um a um, enxugam com suas camisas negras, de suástica bordada no peito, as lágrimas de uma eliminação precoce.

O Führer, impaciente, volta a passar a mão no bigode. Aquela era a primeira de três valiosas lições que o ditador aprenderia na vida: A primeira, nunca confiar num Mussolini. A segunda, não invadir os russos no inverno. E a terceira, a que mais lhe tirava o sono, jamais subestimar o Schweizer Riegel.

Extra! Extra! Ferrolho Suíço desbanca Alemanha nazista! Gritava o jornaleiro.

4 comentários:

The Professor disse...

hehehehe....

boa chicão.

e quem foi que eliminou o maior time da história?

Chico disse...

não faço a mínima idéia, ta achando que eu sou o PVC??

Andre disse...

perdeu para a vice-campeã a Hungria.

mas a cena mais hilária da copa foi o penalti batido por giuseppe measa que fez seu calçao cair e o publico delirar

Zé Pedro Fittipaldi disse...

O pior de tudo é que o FDP do autor demonstrou categoricamente que no winning eleven, a modelagem de futebol mais perfeita que existe, a merda do ferrolho suíço realmente funciona. Especialmente com a seleção suíça.

Vocês já repararam que a seleção da suíça é uma merda porque os zagueiros são suíços franceses, o meio campo um misto de suíços italianos e alemães, e o ataque formado por suíços alemães? Sem falar nos habilidosos meias turcos do time!

Isso me lembra a pior naturalização de todos os tempos: a seleção dos estados unidos naturalizou um zagueiro... nigeriano!