segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Hipocondríacos F.C



Assim como outros tantos milhões de brasileiros, sou ligeiramente hipocondríaco.

Bastam alguns sintomas isolados e eu já me acho portador de alguma enfermidade, para a qual não dispenso um bom remédio. Afinal, antes de “Chicuíca”, que apareceu por causa de minhas recentes habilidades com a própria, a melhor reconstrução de meu apelido óbvio havia sido “Chipocondríaco”.

Então, como exercício de criatividade, ai vai meu time de craques, o Hipocondríacos F.C, montado por algum bilionário traficante internacional de remédios.

O esquema é o 4-4-2 básico, pois embora seja um bom estrategista, o técnico russo Anador Semyonov não gosta de dores de cabeça.

No gol, seguindo a confiável linhagem de goleiros genéricos espanhóis, o scratch conta com Esteban Albendazol. Garantia absoluta contra frangos, ou ao menos contra os vermes presentes no frango cru!

A primeira linha, formada por quatro defensores que nunca sobem ao ataque, traz segurança e imunidade ao time, oferecendo tranqüilidade e calma - mantendo em ordem a ansiedade dos fãs.

Na lateral direita, o franco-espanhol Ruben de Losartan não deixa espaços e ainda ajuda a prevenir os infartos e os problemas de hipertensão, doenças que um lateral ruim geralmente causa ao torcedor. Na outra lateral, o experiente ganês Eric Somallium tranqüiliza o time e controla a ansiedade das investidas pela faixa esquerda do campo.

A dupla de zaga é grande e imunologicamente forte. O beque central é Mikhail Zovirax, talento ucraniano, especialista em defesa contra todos os tipos de agressores rivais, ou melhor, virais! E na quarta zaga, bloqueando os receptores de time adversário, o dono da posição é o tcheco Cipramil Sobotka, dono de uma verdadeira bomba!

À frente da zaga, dois cães de guarda: como cabeça de área o francês Sebastian Rivotril distribui pancadas e bota os atacantes para dormir, com suas potentes cabeçadas à Zidane. E mais adiantado, tirando o sono de qualquer meia habilidoso, o suíço Dexamin Grojan é uma injeção de adrenalina para os ânimos da equipe.

Responsáveis pela criatividade, os meias de ligação também precisam marcar, porque hipocondríaco gosta de se prevenir. Pela meia direita, a criação fica por conta da visão de jogo apurada do galã italiano Paolo Gasarone, um verdadeiro colírio para os olhos das torcedoras. E na meia esquerda, sempre de cabeça erguida, o húngaro veterano Szabo Cialis é o responsável pela potência ofensiva do esquema

Os dois homens de frente se completam; um é centroavante paradão, uma referência. O outro é segundo atacante que cai para os lados, que busca o jogo.

Mais recuado, quem inferniza os zagueiros é Vladmir Engov, um atacante baladeiro, sempre bem acompanhado, que gosta de vodka.

E lá na frente, fixo e lento, mas muito perigoso, nosso matador: Mirko Prozac. Um craque!

Albendazol; Losartan, Somallium, Cipramil e Zovirax; Rivotril, Dexamin, Gasarone e Cialis; Engov e Prozac! Time escalado, torcida lotando a Paxil Arena, tudo pronto para o espetáculo. O jogo é um oferecimento da Laboratórios Pfizer. E o adversário, como não poderia deixar de ser, será o arqui-rival A.C Homeopáticos 1964.

Ah, e esqueci de dizer. O time joga sempre de luto. Com tarja preta, claro!

4 comentários:

Tiago disse...

É uma injustiça histórica a não escalação do maior meia que as farmácias já viram. Ramón Gardenal, o eterno camisa 10 do México, foi ao longo de toda carreira acusado de sonolência. Porém, todos os seus companheiros de equipe afirmam reiteradamente seu mérito no controle absoluto dos movimentos da equipe, evitando a repetição convulsiva de jogadas sem sentido. Gardenal é um maestro pela esquerda e freqüentemente responsável direto por desequilibrar as partidas. Dizem até que se ele estivesse presente na Seleção de 98, Ronaldo teria melhores condições de jogo na final.

Um craque!

Antroposófico disse...

Ele é conhecido no México como Ramon "el loco" Gardenal.

Anônimo disse...

Por que você botou o Aropax na reserva? Ele tem ansiedade incontrolável, mas é bom de bola, deixa esperto.

Zé Pedro Fittipaldi disse...

Brother, você é doente!

Você esqueceu do zagueiro paraguaio José Corega, que não desgruda da marcação, e de seu companheiro marfinês Yaya Micropil, que não deixa passar uma.
Isso sem falar no suíço Johann Vioxx, cortado porque suas falhas estavam dando ataques cardíacos na torcida organizada Gaviz da Fiel, já bastante propensa à azia e a problemas estomacais!