Por Marílio Wane, sociólogo e príncipe moçambicano, vizinho da África do Sul, correspondente do Retranca Crônica direto de Salvador
Copa do Mundo taí e dessa vez vai ser num país africano, pela primeira vez na História. Por esse simples fato já podemos esperar por uma competição diferente em todos os sentidos.
O grande lance é que além de um país africano se tornar o centro das atenções do mundo inteiro por um mês, a Copa traz uma oportunidade única de “a África se mostrar para o mundo”, digamos assim. A novidade nisso é que normalmente as imagens veiculadas sobre “África” - um verdadeiro monstro geográfico, populacional e cultural - na grande mídia global são produzidas a partir de fora, quase sempre sob um olhar ocidental. Aquela velha história.
O resultado disso é que, no senso comum, as pessoas passam a associar a “África” a esse pacote de guerra-fome-doenças-selvageria produzido diariamente pelo antropólogo William Bonner. Sem falar nos milhões de programas sobre hábitos dos leopardos “no coração da África”. Odeio cada um deles! Nada contra os belíssimos felinos, o negócio é que a repetição constante dessas imagens reforça a distorção sobre a realidade atual do continente.
Bom, era importante colocar isso antes de falar sobre o que significa uma Copa na África, sobre que outros fatores envolve. O país sede - África do Sul - é o mais rico do continente, altamente industrializado e na verdade, o único que atualmente pode sediar um evento desse porte. Quem não conhece vai se surpreender com as imagens de modernidade que o país vai fazer questão de mostrar ao mundo. Os estádios, por exemplo, dão de 10 a 0 em qualquer um daqui do Brasa agora...
Resumindo, trata-se de uma oportunidade única para se ampliar o conhecimento do que se entende por “África”, já que o futebol é diversão garantida em todo o planeta. Todo mundo vai ver. É claro que vai haver uma grande filtragem do que vai se mostrar - e do que não vai se mostrar! - mas em tempos de twitter... E também é verdade que a África do Sul é um país atípico no continente, mas como vai funcionar como uma vitrine, pode ajudar a mudar a idéia que muita gente faz desta parte da Terra.
Existe sim muita pobreza e violência, mas sempre retratadas pelas lentes da CNN, BBC e amigos da Rede Globo. O que a Copa traz este ano é a possibilidade de ampliação do que essas lentes mostram, em direção a uma realidade africana mais complexa e por isso mais interessante. O principal mecanismo de distorção dessas lentes é apresentar a “África” como uma entidade única, nivelando a enorme diversidade que existe no continente, em todas as esferas.
E aí, o único jeito de remar contra a maré é tomar como referência o ponto de vista dos próprios africanos e nesse sentido, a oportunidade é a melhor possível. É justamente aí que entra o futebol: toda essa complexidade interna africana vai aparecer assim que a bola começar a rolar. As diferentes reações dos torcedores africanos serão amplificadas pela visibilidade mundial do evento, destacando rivalidades e alianças internas cultivadas pelas mais diversas razões ao longo da História.
Muito em função da luta contra o colonialismo, de cara já rola uma solidariedade entre os países africanos e dá pra dizer que a princípio, a maioria dos africanos torce pras seleções do continente. Porém, há nuances aí. Por exemplo, a Nigéria é um país cuja imagem sofre rejeição crescente dentro do contexto africano, sobretudo por causa do narcotráfico e outras atividades criminosas que se alastram para outros países. Vai ter torcida contra em alguns lugares, mas no geral, apoio.
A Argélia se encontra em um contexto particular, a chamada “África branca”, composto pelos países do norte, mais ligados ao universo árabe-islâmico. Na hora do gol, a coreografia é em direção à Meca as suas vitórias serão comemoradas do Marrocos ao Oriente Médio. Aqui temos uma confluência de fatores geográficos, religiosos e raciais, todos operando ao mesmo tempo pra acirrar as rivalidades. E mesmo dentro desse universo, tem briga. Todos se lembram dos confrontos entre Egito e Argélia na última Copa das Nações Africanas, que deu até em rompimento diplomático. O Deserto do Saara vai virar mar perto do que os “faraós” vão secar!
Já o meu país - Moçambique - não vai participar da Copa, mas a reação dos compatriotas também indica outras complexidades internas. Os moçambicanos acompanham o futebol português e torcem apaixonadamente para os seus times, Benfica, Porto e Sporting. É um caso clássico de herança cultural colonial, que deve ocorrer em outros países, inclusive. A princípio, este fenômeno gera uma simpatia pela seleção portuguesa também, mas não necessariamente... Algo me diz que a solidariedade pan-africana vai prevalecer, por exemplo, no jogo contra a Costa do Marfim, logo na primeira fase. Foi assim em 2006, contra Angola. O jogo Brasil x Portugal vai ser particularmente interessante por lá, até pra registrar a crescente influência brasileira atualmente. Tem gente que até fala em “nova colonização”. Mas aí já é outra cachaça!
Dentro de casa, para os sul-africanos, brancos e pretos, é só festa! Tome vuvuzela! Reconhecem que seu time é limitado e vão torcer até onde der e também pelos outros africanos. A Copa das Confederações 2009 já foi uma prévia disso, onde a torcida mais faz celebrar a realização da Copa no país. Mas Inglaterra e Holanda (os antigos colonizadores europeus) terão as suas torcidas locais, visivelmente representadas... Alguns com saudades do apartheid.
Enfim, todas essas disputas regionais vão mostrar ao mundo um continente multi-facetado, nada a ver com as generalizações que normalmente se faz. Longe de ser um lugar isolado e remoto da Terra, a África está conectada à Humanidade desde a sua própria origem. Né mole, não. E se a maioria de seus povos hoje convive com a pobreza e a violência, isto está diretamente ligado à forma como essa conexão se dá nesse mundo globalizado... Neo-liberalizado e neo-colonializado pra maioria.
Enfim, a partir de junho, a Humanidade (afinal de contas, mesmo quem não gosta de futebol assiste a Copa, né?) vai ter uma rara oportunidade de voltar as atenções para o seu próprio berço. Momento interessante até para refletir sobre a sua situação em que se encontra atualmente e até mais além: o que nos liga como humanos? Desconfio que seja algo parecido com uma bola...
sábado, 1 de maio de 2010
A Copa da África
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
O Lado B do Rey das Copas
Dizem por ai que eu minto, mas tudo o que vejo eu conto sem recauchutar. Não vou nem barganhar crédito seu, pois nesse mundo não há bicho que se faça solto e desconheça que catimba argentina é a pior que existe. Então vou contar um fato estranho que comigo se assucedeu, aí quem quiser que acredite.
Só escapei e dei no pé por que fui ajudado por um malandro da pesada, cheio das artimanhas, que facilmente despistou os meganhas e com toda certeza o sinistro tinha laços com o belzebu.
Agradeci pagando umas cervejas, como faz um sujeito decente, e o malvado retribuiu com um papo beleza. Acendeu um Marlboro e enquanto dava uns tragos contou que era chefe da Torcida do Independiente, lá de Avellaneda, onde era conhecido apenas como El Diablo.
Logo desafiei as memórias daquele filho do cão sobre a equipe indigesta dos Rojos, que reinou e fez história na América. E de quebra e de graça, o parceiro El Diablo garantiu saber toda a verdade sobre esse temido esquadrão.
Ficará eternamente escrito que aquele era um scratch de raça e talentos, sendo que pelos anos de setenta e poucos não havia louco em decente estado de sobriedade que quisesse enfrentar o Independiente, o time mais encrenqueiro de todos os tempos.
Diz-se por lá que todo time começa por um grande canalha, e o goleiro Santoro entrava em campo com uma navalha escondida na meia e guardando areia no calção. Ai quando vinha o atacante na área... Terra no olho, malandro!A zaga era mais malvada que escolta de bandido valente. Tinha um sujeito chamado Comisso que era tão feio que fazia carro dar meia volta e gente desistir de atravessar a rua. Quando o tal do Comisso fazia cara de bravo, dos avantes medrosos só se ouvia "vai que é sua, vai que é sua".
Já um outro cabra, um uruguaio chamado Pavoni, quando nasceu dava tanto coice no berço que quase matou a avó de susto. E o sujeito era tão, mas tão mau, que quando foi batizado o padre até deixou cair o terço, de tanto medo daquele filho da noite.
El Diablo me contou, mas não sei se procede, que quando os Rojos foram campeões do mundo Pavoni e Comisso escaparam de desfalcar o time por um triz. Isso por que num jogo no campo do Boca, caiu a luz por um segundo e os bandidos não deram toca: Sumiu até o relógio suiço do juiz.
O gatuno da esquerda, que já veio ao mundo de bigode, não se sabe como pode tinha mais de dez identidades. Ficou conhecido como Raiomondo, mas vá saber a verdade. O que se sabe é que o sujeito tinha fama de boa praça e levava a vida no ócio, e para botar comida na mesa ou cerveja cerveja no copo agia como mestre da trapaça, arte de enganar o próximo.
Cheia de manhas e não menos milongas, a quadrilha da meia cancha ficou famosa no gueto de Avellaneda por reunir todas as destrezas de um gato preto.
El Negro Galván e Mago Maglioni fingiam ter a inocência de uma virgem donzela, sempre iludindo o juiz naquela do juro que não faço mais. Ai quando o mané virava de costa era só fair-play pra baixo da canela, como bom argentino, versado em malvadeza. Até hoje os dois fazem o Mirandinha sofrer dormindo de luz acesa, assustado igual frango solto em supermercado.
De volante, ou meio zagueiro, como diz meu chegado Hermano Penna, quem entrava em cena e tomava conta do jogo era o milongueiro mais conhecido da boemia portenha, o finado Jose Omar Pastoriza. El Pato não participou do titulo mundial, mas já virou até verbete de dicionário, ganhou licença de professor e por décadas ministrou aulas de catimba na Universidade de Rosário, onde é reconhecido como o inventor da cera.
Agora, se o jogo fosse difícil mesmo, ou se o juiz estivesse com qualquer sacanagem, aí o lance era com o Manoel Sá, sujeito matreiro que não dava pontapé e ainda assim se tornou o maior campeão da história do clube. O que foi o que não é, só se sabe que o primo do Manoel era um tal de Obregon, afamado pelas curriolas de Santa Fé como El Covero. Nunca foi provado, mas corre pelos labirintos da justiça um processo que acusa o tal cruel de dar cabo em um ponta direita entortador de coluna, que era uma pedra no sapato do Gago Manoel.
E pra completar esse covil de ladrão, aquele bando também tinha seus cabeças, os grandões da parada. Ali quem mandava e desmandava sem perdão eram Bochini e Bertoni, que conquistaram o povo com os gols e belas jogadas, mas atuavam mesmo como os chefões do crime.
* Em sua era "dourada", o Independiente de Avellaneda faturou os Metropolitanos de 1971 e 72, quatro Libertadores da América entre 71 e 74 e mais o Mundial de 1973.
**Entre feitos e glórias, estão os três gols marcados por Maglioni em apenas 90 segundos em partida do Metropolitano de 1973, marca registrada no livro dos recordes.
*** Embora algumas das informações aqui contidas sejam fruto dos conhecimentos singulares de meu parceiro El Diablo, a fama de time mau procede e ajudou a criar a mistica da catimba no futebol portenho.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Union Berlin
Cara, descobri outra pérola do mundo da bola!
Foi numa conversa em Berlin com um torcedor do Stuttgart, o Basti, que entendia bem do assunto. Muito esclarecedora sobre o futebol alemão, por sinal. Passei a ter muito mais respeito. Sempre achei estranho o fato de a Alemanha ser o país mais rico da Europa, sete finais de copa, grande popularidade do futebol e ainda assim ter seus clubes se dando tão mal no cenário internacional. E mais estranho ainda o fato de só haver uma potência clubística, já que a natureza do jogo exige a polarização da população. Acabei descobrindo um perfil de torcedor que mantém a pureza do ideal bem acima de resultados (creio que reflexo do pós-guerra), e a polaridade acaba ficando Bayern vs anti-Bayern. Há uma enorme rejeição ao clube rico e comercial. Há uma enorme rejeição ao Hoffenheim sem história e com injeção de dinheiro pessoal. E por que a liga alemã não tem o peso da espanhola? Porque há uma regulamentação muito mais rígida com as finanças dos clubes. Nada de Berezovskys, Berlusconis, Abramoviches ou petrodólares. Nada de clube endividado. Nada de "donos" de clube. Passei uma certa vergonha quando estava rasgando elogios ao Tévez e ouvi: "mas foi comprado com dinheiro sujo, não foi?" Respondi que pagamos nossos pecados na segunda divisão. Falei que os responsáveis estavam a caminho da cadeia (uma mentirinha ocasional não faz mal a ninguém). Aprendi que a Alemanha tem a maior média de público da Europa, que o ingresso ainda é barato e que o dinheiro dos contratos de TV são mais distribuidos, inclusive a divisões inferiores. Num cenário como esse florescem os St. Pauli da vida. E por que os jogadores permanecem no país? "É uma questão de qualidade", disse Basti. "Atualmente só o Ballack é diferenciado. A força da seleção está apenas no conjunto".
E por que Berlin, a capital e maior cidade, não tem uma equipe de ponta? Berlin foi uma cidade complicada politicamente no pós-guerra. O futebol do leste como um todo enfraqueceu frente ao oeste e a parte ocidental da cidade tinha grandes dificuldades logísticas. O "clube grande" da cidade, o Hertha, hoje ocupa a última posição da tabela e não goza de muita popularidade. O perfil elitista de direita de seus torcedores contrasta com a cultura underground da cidade. "Mas se você estiver interessado, na segunda-feira vai ter estádio lotado para o jogo do 1. FC Union Berlin contra o Kaiserslautern, o líder da segunda divisão". Claro que interessa. E lá vamos nós para Köpenick. O Eisern Union (união de aço) surgiu em 1906 como clube da classe trabalhadora, se opondo aos times elitistas, e teve seus sucessos antes da guerra. Quando já em 1950 foram proibidos pelo governo comunista de viajar ao ocidente para participar da copa da Alemanha, parte do clube pulou a cerca e fundou uma filial ocidental de mesmo nome. O clube então jogava nos dois lados da cidade, nos dois campeonatos. No leste o Union era o grande rival do Dinamo Berlin, o time da Stasi, e virou símbolo de oposição ao regime autoritário. Na Berlin unificada acabou reunindo uma apaixonada torcida idealista. Fiel às origens proletárias, anti-fascista, anti-repressão, não- conformista. O estádio de Alte Försterei, para umas 20.000 pessoas, foi reconstruído voluntariamente pelos torcedores em tempos de séria crise financeira depois da queda do muro. Chegando lá, a torcida toda em vermelho e branco cantava o hino do time, composto por ninguém menos que Nina Hagen, torcedora símbolo do clube. O clima dentro do estádio era contagiante. A torcida mostrava muito mais empolgação que a do jogo do Madrid no Bernabéu, a outra partida que eu vi na Europa. Cantava em pé, apoiando o time a partida inteira. Obviamente que como sul-americano convicto não vou me curvar à intensidade de nenhuma torcida européia, mas algo diferente realmente me chamou a atenção. A torcida estava ali por uma afinidade política e cultural, embora não faltasse interesse na partida em si. Empurrava o time incondicionalmente, independente do resultado. O time medíocre se esforçava agradecido. Tremenda manifestação de união ideológica! No final a derrota por 2x0 para o adversário muito superior pouco importou. Durante os minutos finais da partida, durante a volta da equipe junto às arquibancadas agradecendo o apoio e durante a saída do estádio até o metrô, a torcida não parava de cantar o moto do clube ao ritmo de palmas: "FC Union, unsere Liebe, unsere Mannschaft, unser Stolz, unser Verein, Union Berlin, Union Berlin!".
Pelo que eu entendi é um fenômeno semelhante ao do St. Pauli, mas um pouco menos "baladinha", menos difundido e num clima mais sério. Em tempos de time entregando jogo, torcida agredindo jogador em porta de banco, conselheiro levando arma pro vestiário, todos comportamentos que, embora eu discorde, fazem parte do mundo futebolístico em que eu fui criado, me surpreendeu essa filosofia alemã de ir ao estádio só pra ver o seu time jogar. De ir ao seu estádio de primeiro mundo e dizer com orgulho: esta aí um time que representa bem a minha comunidade. Bem administrado, com dinheiro limpo, com preocupação social. O que vier além disso é lucro. E não se importam com a Champions League.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
BOMBA: Rebeca Gusmão pode ficar com a vaga de Julio Baptista na Copa da África do Sul
De volta à babilônia paulistana, fui tomar uma na rua Augusta e encontrei num boteco pra lá de suspeito um amigo de um amigo, o Atchim, ex-colega do técnico da Seleção. Papo vai, papo vem, passou um cara com rosto de mulher bonita e o cumprimentou de longe enquanto seguia subindo a rua. Fiz algum comentário espantado e discretamente machista e então Atchim me revelou a notícia exclusiva: “Acho que ela vai para a Copa”.Diante de minha evidente incompreensão, Atchim continuou: “Não reconhece, cara? É a Rebeca Gusmão”. O anão me explicou então que durante meu exílio a nadadora passou a integrar a equipe de futebol feminino brasiliense do Ascoop, mas que por conta de seu alto nível de testosterona vinha sendo sondada por equipes masculinas. Revelou ainda que, por ser patrocinada pela Nike, o agora jogador Rebeca tinha muito bom trânsito no meio futebolístico, inclusive internacional, e já tinha despertado a curiosidade de Dunga, “dos sete, o anão menos preparado para dirigir a Seleção Brasileira”, nas palavras de Atchim.
Depois de mais um espirro, o alérgico homenzinho disse conversar regularmente com o técnico da Seleção, “apesar de grosseiro, um bom sujeito”, e que esse lhe revelou que o porte físico avantajado e pouca intimidade com a bola de Rebeca Gusmão lhe credenciavam a disputar um lugar no time, faltando apenas que ele atuasse em alguma equipe obscura de uma liga européia pouco importante. Contou ainda que Dunga está decidido a levar algum grandalhão para o meio-campo e que a boa fase de Júlio Baptista na Roma diminui muito as chances de sua convocação. “Continuo chamando por gratidão e falta de opção, mas se aparecer alguém maior e mais grosso, certamente entrará na disputa pela vaga”, teria dito o eterno arranca-tocos. Comentou ainda que durante sua passagem pelo Hamburgo, o ex-volante teria se encantado por uma nadadora da antiga Alemanha Oriental que lhe derrotara num braço-de-ferro e costumava ironizar o futebol brasileiro, cheio de firulas inúteis.
Encontrei Rebeca numa alegre rodinha, junto a outro famoso nadador, maior campeão olímpico da história, que parecia ter conjuntivite. Rebeca declarou que seu pensamento no momento é fazer um bom trabalho no Ascoop mas que todo jogador sonha com uma convocação e acrescentou que seleção é conseqüência de um bom desempenho no clube. Depois que Michael lhe passou um cigarro, mais descontraída(o), afirmou que está tecnicamente muito acima de Gilberto Silva, cuja má fase empolga o treinador da Seleção, e zombou do porte físico de Josué. Depois foi para a pista de dança, onde agarrou uma mocinha (seria um mocinho?) e se estranhou com um punk, sem chegar às vias de fato. Ainda no esforço de reportagem, continuei no inferninho até de manhã, quando Atchim disse que ia para casa e o convenci a me levar para lá.

Chegando na Floresta Encantada, logo avistei Dunga brincando de carrinho com algumas crianças e fiquei observando. A brincadeira acabou quando uma das crianças teve uma perna quebrada pelo ex-volante (que comemorou muito por ter ganho a brincadeira gritando “É tetraaaa, é tetraaaa!”). Perguntado sobre Rebeca Gusmão, demonstrou entusiasmo: “É muito forte e tem uma carreira discutível. Estou observando, sim. Mas no Ascoop fica difícil, parece que há um interesse do Askov, do Azerbaijão, o que certamente daria mais visibilidade a ela”. Revelou ainda que o empresário do goleiro Doni estava interesssado em levar Rebeca para o Manchester United ou para o Real Madrid. Por fim, sorriu enigmático e perguntou: “Você duvida?”.
Um frio me subiu pela espinha e resolvi que era hora de ir embora. No mesmo momento, Atchim saiu da casa de Branca de Neve agitado e perguntando se tinha neve da Branca nas narinas. Não entendi e preferi não insistir. Ele falou que tinha negócios a tratar e voltamos para a rua Augusta.
