<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553</id><updated>2012-01-17T19:57:18.889-02:00</updated><title type='text'>Retranca Crônica</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>28</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-3202917553546397881</id><published>2010-05-19T17:54:00.024-03:00</published><updated>2010-08-14T21:55:25.141-03:00</updated><title type='text'>O guia definitivo do apostador na Copa 2010</title><content type='html'>&lt;em&gt;Bolão é bom igual frango, como se diz por aí no Brasil profundo. Quatro anos de diretos de gozação sobre a rapaziada, com direito a uma bufunfa pra rebater. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Este ano, nossas contribuições ao campo do fut-internacionalismo prospectivo aplicado vêm antes da Copa. Testemo-las. Todas as previsões erradas ou seu dinheiro de volta.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Detalhe: este guia foi escrito a partir do dia em que os grupos foram sorteados e concluído ainda em fevereiro. Acreditamos mesmo que a história de longa duração é mais importante que a história dos eventos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;Metodologia&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;Nossa rationale reflete a dinâmica do futebol de Copa do Mundo e é bem simples:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro apresentamos o grupo e seus times.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida perpassamos o óbvio – um pouco mais do quem é quem, e o que é obrigatório saber em cada caso. A ciência da Copa do Mundo não é exata, mas está LONGE de ser aleatória. Viva a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vislumbramos os detalhes intangíveis que podem alterar os padrões normais e ajudar a dirimir dúvidas. O peso de cada camisa, freguesias escondidas, duelos específicos, choques de estilos, rivalidades, efeitos morais, influência do tipo de Copa. O futebol internacional é cheio dos seus clássicos, em muitos sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próximo passo é o principal: fomos consultar os oráculos e entender o bem-me-quer, mal-me-quer do panteão do futebol de Copas. Os deuses são cruéis e vingativos, mas premiam docemente a quem os agrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí buscamos entender o desnovelar do fio de cada história, a partir da tabela. Um grupo difícil pode ficar mais suave a depender da ordem das partidas; um grupo aparentemente fácil, depender do resultado de uma estreia difícil. O desenho do destino é revelador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o resultado é a prospectiva aplicada: uma análise de fatores críticos e seus índices PDM (índice de Potencial de Dar Merda, indicador de risco aprimorado a partir do SUR – Screw Up Rating, de Yale), objetivando revelar bons movimentos estratégicos aos interessados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que? Análise dos times? Não precisa, não. É Copa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;Grupo A: África do Sul, México, Uruguai, França&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O grupo do time da casa &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Questão de ouro deste grupo: o que ocorre com o velho “&lt;em&gt;o time da casa quando é ruim vai até a segunda fase, e perde&lt;/em&gt;”? Estados Unidos em 94 sobre a Colômbia, Japão em 2002 sobre Rússia, México em 70 e 86 sobre a mesma Bélgica, todos os anfitriões débeis sempre passaram. França deve passar, apesar da relativa crise, então este grupo, que tem México e Uruguai, é bem difícil. O próprio fato de que a FIFA não armou uma baba pro anfitrião é revelador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fatos e fatores &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;O time da África do Sul é o 81º do ranking da FIFA de janeiro, tem apenas uma vitória (Eslovênia em 2002) e dois empates chatos (Dinamarca e Arábia em 98) em Copas do Mundo, já tomou sacode da adversária França (98) e tem muita dificuldade em fazer gols. É candidato sério a “primeiro anfitrião que não vai pra segunda fase” e vai precisar de todos os intangíveis da categoria país-sede: atmosfera dentro do estádio – o hino... Vuvuzelas!, atmosfera dentro do campo, atmosfera de união dentro do país, efeito Copa-na-África e, principalmente a colaboração do professor FIFA (que os deuses reprovam, mas sempre admitiram). Até porque seus rivais são dois ex-campeões e um time que passou para a segunda fase nas últimas quatro Copas – sim, o México é vovô de Copa do Mundo, como diz o Chico, e respeito com o vovô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Hino ajuda a ganhar, mas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;... O hino merece comentário, pois foi decisivo em favor de Japão e Coreia do Sul em sua salvação da infâmia em 2002 – Japão com uma lindíssima melodia sobre o Império durar até o musgo crescer na rocha, Coreia do Sul com uma peça sobre o país durar até que o Mar do Leste seque.&lt;br /&gt;O hino da África do Sul é único no mundo. São quatro estrofes com versos em cinco idiomas diferentes (xhosa, zulu, sesotho, africâner e inglês), tecidas em formato colcha de retalhos modular. Começa banto, vira holandês no meio e termina britânico. Um hino mandelista, híbrido entre colonizadores e colonizados. A primeira parte é uma beleza. &lt;em&gt;Nkosi sikelel’ iAfrica &lt;/em&gt;– Deus abençoe a África! – está afetivamente ligada aos negros que amam futebol por lá. Mas depois... A parte européia... Sei não. E como é para os negros, cantar em africâner? Pelo menos contra a França, no jogo que decide, dá La Marseillaise &lt;em&gt;trois-zero plus le chocolat&lt;/em&gt;. Sou mais México, também, perfilado de continência sobre o peito para louvar a nação; e Uruguai, dizendo “&lt;em&gt;Orientales, la patria o la tumba&lt;/em&gt;” e jogando de acordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;...e os deuses? &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;A África do Sul é um time africano defensivo na mão do velho Parreira e poderia se ajudar mais. Vuvuzelas? Benny McCarthy? Se tivessem contratado o Guus Hiddink ou o Bora Milutinovic, grandes melhoradores de seleções, os deuses sorririam. Mas sei não, talvez validem apostas contra os anfitriões desta vez, coisa que normalmente muito reprovam. Times em campo, o panteão se entreterá com o espetáculo de sacrifício e devoção e tomará partido apenas como torcida – certos deuses preferirão um pouco Uruguai sobre México, por ainda se lembrarem da era de ouro do futebol uruguaio, enquanto outros quererão punir levemente a França pelo nhe-nhe-nhém de derrubar o técnico em época de carnaval e pela palhaçada da prostitutinha que deu pro Ribery e mais meio time antes de completar 18 anos e depois caguetou geral; mas em nenhum caso haverá massa crítica divina para grandes intervenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O desenrolar &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Difícil. Uruguai e França, dois times com camisa e efeito ex-campeão se pegando logo de cara, enquanto o México tenta papar logo o anfitrião na estreia, podendo ficar a coisa um pouco feia pros dois lados com um empate. Na segunda rodada, Uruguai-pós-França contra o anfitrião, não se sabe onde em relação ao efeito Copa-na-África, e México muito provavelmente dando um jeito de não ganhar da França. No fim, México e Uruguai se matam pelo que estiver ao alcance, e França pode matar o time da casa... ou eventualmente ceder pontinhos suspeitos, num conto de fadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Conclusão &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Esse grupo é dos bão, qualquer decisão consciente terá embutida um alto Índice PDM-A (o índice de risco que mensura o &lt;em&gt;Potencial de Dar Merda da Aposta&lt;/em&gt;). Cada um que decida se camisa vale mais, se o juizão decide pela África do Sul, ou ainda se o fato de o Uruguai ter um atacante chamado El Loco pode sensibilizar os deuses. No confronto direto, Uruguai um pouco sobre México por uma questão de camisa, México merecendo respeito pelo retrospecto recente de arrancar várias classificaçõezinhas safadas seguidas. Noves fora: qualquer coisa pode dar. Provavelmente haverá vários empates. E que coceira, apostar contra o anfitrião. É de se cometer esta loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;Grupo B: Argentina, Nigéria, Coreia do Sul, Grécia&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Argentina e Nigéria de novo! &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Oba! Felizmente a FIFA manipula os sorteios e faz grupos como esse, colocando Argentina e Nigéria juntos de novo. A leitura é: uma potência em má-fase tem chance de se crescer sobre dois times perigosos que se matam no segundo jogo, e o asiático entra como franco-atirador (ou seja, vai acabar perdendo, mas pode escolher alguém para levar junto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Versão oficial do Grupo da Morte &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Pelo fraudulento ranking da FIFA, quase um Grupo da Morte – tem o 8º, o 12º (Grécia!), o 15º (Nigéria), mais a República da Coreia (49º, com vitórias recentes sobre Senegal, Austrália, Paraguai, Finlândia...). A má-fase do time do Maradona, o efeito Copa-na-África sobre Nigéria e o difícil teste à capacidade de surpreender da Grécia, que já ganhou até Eurocopa mas não tem nada de tradição de Copa, são os fatos. Coreia do Sul, só se for verdade que eles trocam os 11 no intervalo sem ninguém perceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Intangíveis devem decidir &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Argentina sempre uma tensão entre ser fortíssima nos elementos não-mensuráveis (embora não em estreias contra africanos) ao mesmo tempo em que seu jeito de ser cria situações de alto PDM – e o Maradona, &lt;em&gt;el gran cherador &lt;/em&gt;de 94, é o técnico. O efeito Copa-na-África sobre Nigéria é um grande talvez – segundo o Marilião a malquista Nigéria sofre um mau-olhado daqueles no resto do continente – mas é de se esperar a emergência de uma seleção africana, e por que não a Nigéria? Pode ser. Pode ter até mais de um emergente. Coreia do Sul sentirá o efeito-África, imagino, sem o hipnótico “Dae-Han-Min-Guk!” em seu favor. Grécia... Fraquíssima neste setor, nunca fez um único gol em Copas. O argumento a favor é que o time é extremamente chato. Mas a tradição é zero – zero gols pró e dez contra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Queridinhos dos deuses &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Para os deuses... Maradona! Ter um técnico com igreja própria dá aos argentinos um potencial infinito, independentemente do time – &lt;em&gt;El Pibe de Oro &lt;/em&gt;é o predileto do panteão, um herói para quem um dos deuses já fez até gol em Copa. Messi ser “pouco argentino” é uma afronta às divindades, mas provavelmente a vingança não virá na primeira fase. Mas... Maradona! E classificando no último jogo, o que aumenta a chance de intervenção. Os deuses adoram a Grécia, aposto – prova disso sendo o título da Eurocopa 2004 com timeco –, e idolatram o fato de o técnico grego ser o mesmo desde então (embora Euro seja Euro). Por mais que meio brucutu, Grécia é uma queridinha. A Nigéria é um pouco mal vista, mas já trouxe alegrias e pode muito bem ser abençoada se jogar bem. Já os asiáticos, diante de times de camisa ou europeus chatos, são vistos como divertidos coadjuvantes, no máximo, e quando são ajudados é pela terrena mão do interesse da FIFA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O desenrolar &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;A primeira rodada deixa o grupo aberto, com Argentina não perdendo de Nigéria (sua freguesa em Copas) e Grécia e Coreia do Sul se complicando com vantagem Grécia, mais time; na segunda rodada, Grécia versus Nigéria decidido muito pelo efeito-Copa-na-África (com Nigéria tendo que merecer simpatia, o que pode não acontecer), e Argentina se tranquilizando sobre Coreia do Sul; a decisão é com Nigéria tendo o jogo mais fácil e Grécia, freguesa, não se salvando sobre Argentina. Não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Conclusão &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Tudo indica Argentina em primeiro, pois tem efeito-freguesia sobre os dois adversários mais difíceis; sua intensa relação com os humores divinos fará com que esta influência seja mais decisiva depois, atuando aqui somente na criação de um clímax trágico ou cômico posterior. Nigéria melhor que Grécia deve passar, e provavelmente não em primeiro. Chances de Grécia supreender são ganhar a primeira, não perder a segunda, e não perder da Argentina. Pequenas. Coreia do Sul... &lt;em&gt;Caveat emptor &lt;/em&gt;– PDM máximo, ao gosto do freguês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;strong&gt;Grupo C: Inglaterra, Estados Unidos, Argélia, Eslovênia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/u&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Grupo geopolítico&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Oba! Um grupo geopolítico! Confronto entre metrópole-colônia, efeito metrópole-na-ex-colônia e um choque de civilizações verdadeiro, não aquela bobajada do Samuel Huntington. No fundo, uma baba para o melhor time e uma boa chance de Estados Unidos passarem. Argélia não é grande coisa, mas tem algumas jóias como retrospecto (ganhou da Alemanha em 82, apoiando-se no fato de ser norte da África jogando na Espanha). Eslovênia é sem tradição demais, embora tenha o efeito país-pequeno em seu favor – países pequenos e bonitinhos sempre lutam muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fatos e fatores &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;O principal fato é que a Inglaterra é um time bastante bom, cujo potencial de zica costuma se expressar somente a partir das quartas-de-final. Estados Unidos, que andaram abusados com seu jogo de contra-ataque e em Copas recentes já ganharam de Portugal, México e etc., são seus freqüentíssimos fregueses. Argélia e Eslovênia são teoricamente equilibrados entre si – 31º e 33º do ranking da FIFA, mas Argélia tem bem mais camisa, enquanto Eslovênia tem jogado mais direitinho, parece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Intangíveis divertidos &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;O jogo metrópole-colônia não deve dar colônia, mas os americanos responderão muito bem em caso de sangue (como em McBride v. Itália, 2006), enquanto estar numa ex-colônia vai deixar os ingleses à vontade. Em termos de intangíveis, a Inglaterra têm lá seus problemas mas não deve ter dificuldades com este grupo. Eslovênia não tem elemento nenhum em seu favor, e a Argélia vai encontrar um contexto não necessariamente amistoso em termos de efeito África, mas tem mais moral que Eslovênia. O efeito determinação-motivada-religiosamente, de que até o Brasil se beneficia um pouco, pode levar a momentos de superação por parte deste time. São gente séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Deus x Alá decidindo grupo &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Argélia tem maior potencial que a Eslovênia de complicar o grupo e vem com Alá pra cima especialmente de Estados Unidos – Alá não é muito bom de bola mas instila na equipe uma determinação sem igual, admirada na divina arquibancada. Inclusive, as tribunas de honra dos deuses, tradicionalistas, não gostam de Estados Unidos, um &lt;em&gt;país-em-que-futebol-não-é-o-principal-esporte &lt;/em&gt;e que &lt;em&gt;chama-futebol-de-soccer&lt;/em&gt;, mas há um movimento capitaneado pelos deuses mais amodernados pela revisão desta posição. A tendência ainda é minoritária – tanto é que quando Landon Donovan deu uma de mascarado ao fazer 2x0 no Brasil sendo ele dos EUA, o time pagou tomando a virada. A Inglaterra tem relação neurótica com &lt;em&gt;the football gods &lt;/em&gt;e sempre os afronta – desta vez, foi com esse negócio de zagueiro comer a mulher do lateral, que incomoda por si só e por se tratar de infidelidade à identidade nacional, que “segundo uma pesquisa da Universidade de Leeds” é não comer a própria esposa, quanto menos a dos outros. Mas não deve tremer para Alá, que é coisa de país mais novo. Por fim, os deuses do futebol nem sabem diferenciar muito bem a Eslovênia da Eslováquia. Vão usar a chance para aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Desenrolar &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;A estréia contra Estados Unidos pode deixar os ingleses desconfortáveis de início, e Argélia x Eslovênia determina o poder subsequente de chateação destas equipes; pelo estilo, Eslovênia pode até chatear Estados Unidos no segundo jogo, especialmente se tomar ponto de Argélia, mas Argélia sucumbe a Inglaterra independentemente do resultado do primeiro jogo; Inglaterra relaxa para o jogo mais fácil na terceira rodada, enquanto Estados Unidos pegam uma determinada Argélia&amp;shy; talvez dando mais importância a este jogo do que aos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Conclusão &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Landon Donovan neles? Inglaterra seguramente passa e a segunda vaga é dos Estados Unidos a não ser que os deuses se mostrem conservadores na Copa da África. Nesse caso, Argélia emergeria sobre eles no jogo final. Eslovênia, sei não; não é muito de passar de grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;u&gt;&lt;strong&gt;Grupo D: Alemanha, Austrália, Sérvia, Gana&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O grupo &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Complicadinho, esse daí. Tem um dos melhores africanos, candidato a melhor africano desta Copa, e o segundo europeu é mala – sem falar na Austrália, possivelmente mais difícil que os outros times que se classificam jogando pela Ásia. Ou seja: um pega pra capar pra decidir o outro time que passa, sendo que Gana é o time com mais chance pelo efeito África e por entrar no ano da Copa em ascendência – amplificada pela relativa simpatia dos africanos pelos ganeses, com relação à Nigéria e Argélia, e pelo efeito tabela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O que dá para saber desde já &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;O fato principal a ser respeitado é que Alemanha é Alemanha. Gana, Sérvia e Austrália têm chance (nesta ordem). A Sérvia ganhou o grupo que tinha França nas eliminatórias tirando a tradicional Romênia, mas dentro do torneio mundial isso não quer dizer nada – e o retrospecto iugoslavo sempre foi de farta freguesia contra Alemanha. Resta Gana – forte, até, mas possivelmente apenas um africano irresponsável e meio sem ataque. Esse confronto é de decidir bolão e é importante pensá-lo direito. Já Austrália, apesar de perder meio roubado pra Itália na Copa passada, só tem uma vitória em todos os tempos, contra... Japão. É um pouco engodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fatos são fatos, mas... &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Alemanha não tem muito papo – simplesmente vai passar, mesmo não sendo muito boa. Gana tem um belo potencial de efeito África e boas vibes recentes em Copas – papou República Tcheca e Estados Unidos, passando de um grupo bem complicado em 2006. É um futebol que incomoda faz tempo nas categorias da molecada e candidato sério a subir de patamar. Sérvia é jovem e ousada, até pode ser uma boa pedida contra africanos, embora nenhum dos dois nesse caso tenha o ataque como ponto forte. Austrália tinha bom perfil quando o técnico era Guus Hiddink, mas agora é de novo um brucutu taticamente atrasado no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;...os oráculos falam difícil &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;A maioria dos deuses não curte Austrália, neste grupo – este &lt;em&gt;país-em-que-futebol-não-é-o-principal-esporte&lt;/em&gt;, além de chamar futebol de &lt;em&gt;soccer&lt;/em&gt;, desta vez se classificou pela Ásia, coisa que nunca pegou bem no Olimpo. A leitura da questão Sérvia x Gana é um pouco nebulosa: a Sérvia não apenas é um &lt;em&gt;time-de-país-que-se-dividiu&lt;/em&gt;, o que gerou uma série de seleções-filhas engodos, mas é a parte do ex-país responsável pela divisão, o que contamina sua popularidade divina; contrabalançando este fato, a influência histórica do Brasil no futebol local é vista com bons olhos – um dos principais estádios do país se chama &lt;em&gt;Marakana&lt;/em&gt;. O panteão parece gostar de Gana, apesar de os sinais não serem tão claros – certos deuses às vezes parecem prestes a revelar que gostam muito da bola ganense, o problema sendo apenas a porcaria que é o país. Mas mesmo estes deuses cobram caro pela falta de seriedade defensiva, verdadeiro craque ao contrário: pode decidir sozinho. Alemanha? Na primeira fase, nem acende vela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A sorte favorece aos ousados? &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Sérvia x Gana abre o grupo e, sendo estreia, pode tanto favorecer Gana, mais à vontade, quanto Sérvia, se o estilo encaixar, Gana com mais pegada; Alemanha papa Austrália com base em &lt;em&gt;blitzkrieg&lt;/em&gt; e camisa. Na segunda rodada, Sérvia contra Alemanha paga por ter os dois jogos mais difíceis logo de cara e pelo efeito freguesia, embora não tenha perfil de time que seria goleado por ela, ao tempo em que Gana tem chance de ouro de se dar bem sem depender do jogo contra Alemanha. Há boa chance de a última rodada valer a liderança do grupo e a honra dos eliminados Sérvia e Austrália nos jogos simultâneos da última rodada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Assim sendo &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Não seja bobo de apostar em Austrália passando do grupo nem louco de acreditar contra a Alemanha aqui. Portanto, a margem de manobra está entre Gana e Sérvia, situação de PDM considerado médio-alto, com Gana parecendo melhor mas Sérvia despontando como uma zebrinha possível. Inclusive, Gana em primeiro e Alemanha em segundo pode ser uma alternativa interessante, principalmente se Alemanha não conseguir golear os outros times. Não costuma acontecer – a última vez que Alemanha não ganhou seu grupo foi em 94 – mas pode muito bem ser um dos truques do efeito África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;Grupo E: Holanda, Dinamarca, Japão, Camarões&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O grupo &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;É um belo grupo. Holanda está com pinta de time que vai melhor do que parece, e tem uma primeira fase desafiadora com a sempre respeitável Dinamarca e Camarões jogando na África. O grupo parece o anterior, com a diferença de que os times são mais simpáticos com a gorducha e o segundo europeu é bem mais time – ou seja, deve ter futebol melhor e ser mais imprevisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Teu passado te persegue &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;O elenco da Holanda está bem afinado ao estilo histórico do time, ofensivo e aberto, e o contexto do torneio pode dar espaço para este tipo de jogo. A Dinamarca nunca vai mal contra africanos e passou do grupo nas três Copas que disputou (embora só tenha disputado Copas na Europa). Camarões nunca papa os europeus de verdade e com dois europeus no grupo falhou em passar adiante nas últimas três Copas de que participou, conseguindo avançar apenas em 90 com vitória sobre Argentina e um time folclórico. Isto é significativo. Japão vem pra fazer número e não deve fazer cócegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Efeito-África interessante &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Para os laranjas, o efeito-África pode tanto ajudar, caso prevaleça um clima de união que amplifique o efeito ex-colônia, quanto atrapalhar no caso de aflorar certo ressentimento pelo passado de violência. Deve ajudar, porque o futebol holandês é pra frente. Camarões tem o efeito África e o efeito craque na pessoa de Eto’o, uma combinação explosiva aguardando detonação. Dinamarca tem um detalhe: é um time meio velho, passível de sofrer na mão do time africano porque isto talvez não sirva em uma Copa na África, muito menos neste grupo. Japão só tem o maravilhoso hino sobre o Império durar até o musgo crescer na rocha, mas nenhum futebol para fazer valer este detalhe – Keiji Tamada decidir jogo de Copa, só quando o musgo crescer na rocha, mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E os sinos vão dobrar por quem? &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;O maior agrado aos deuses deste grupo é da Dinamarca: o time tem o mesmo técnico há dez anos, uma unanimidade. E mais: é o velho Morten Olsen, que jogava em dez posições diferentes, coisa que todos os deuses amam. Japão tem um brasileiro naturalizado no elenco, em geral um bom sinal, mas cometeu o velho erro de naturalizar jogador da nacionalidade errada para a posição – o nipo-japa-brasileiro do time joga na defesa. A Holanda vai agradar os deuses por fidelidade à vocação – o futebol que deu biaba em cachorro grande na última Eurocopa é pra frente, bola no chão, com bastante drible. Camarões... Não sei. Os deuses normalmente gostam muito de craque, e Camarões de 90 continua sendo o melhor africano de todos os tempos, mas... Será? Pode muito bem ser que sim. Terão de mostrar muito respeito a suas divindades. Há disposição divina em ajudar Camarões, sem dúvida, como no caso de Gana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Como a coisa vai &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Holanda e Dinamarca estreiam equilibrados no confronto direto, valendo em favor da Holanda o belo futebol que vem jogando no contexto europeu. Bom para Camarões, que pode sair na frente e ganhar tranquilidade. Depois, Holanda dá biaba em Japão enquanto Dinamarca e Camarões se estapeiam, com Camarões podendo pular na jugular contra uma grande vantagem histórica pró-Dinamarca, num belíssimo embate de teorias. Pra fechar, Dinamarca vai forçar tudo contra Japão, tentando arrancar uma classificaçãozinha, enquanto Camarões tenta dobrar a Holanda, algo difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Alto PDM, de qualquer modo... &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;a critério do freguês. Holanda pode nem ganhar o grupo, se ocorrer de Camarões e Dinamarca se resolverem com clareza entre si na segunda rodada – isto é, se um dos dois ganhar bem; mas não parece provável. O potencial de dar merda da aposta é definido pela oposição entre intangíveis fortes versus um time com craque, um confronto testador de hipótese – quem acreditar em camisa, escolhe Dinamarca sem pestanejar, mas quem acreditar em África, craque e futebol bonito, Camarões na cabeça. Quem acreditar em Papai-Noel-fora-de-época escolhe Japão para alegria do resto do bolão. Felizmente sempre tem esse cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;Grupo F: Itália, Paraguai, Nova Zelândia, Eslováquia&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Grupo bipolar e enxadeiro &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Este grupo é o mais fácil de se prever: são dois times muito fortes, Itália e Paraguai, e dois times muito débeis, Eslováquia e principalmente Nova Zelândia. Não tem muita idéia, não – trata-se apenas de saber quem passa em que posição. Parece que a FIFA tacou aqui quem não tinha onde pôr, ou fez um grupo cujo atrativo é que vai sair bastante pancada. É, é isso: como diz o Chico, só tem enxadeiro e o mais provável é ver o povo abrindo a caixa de ferramentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fatos e fatores &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Tirando a Copa de 38, a Itália nunca defendeu bem seus títulos, talvez por soberba. Paraguai foi jogado para os leões com Suécia e Inglaterra numa Copa europeia em 2006, mas tem feito bonito em Copas, é claramente o importante terceiro-sul-americano e é muitíssimo mais time que Eslováquia e Nova Zelândia. Tem biabas sobre Brasil e Argentina no currículo. Já a Eslováquia... é melhor que a Eslovênia – verdade, ganhou o grupo das eliminatórias sobre ela. Mas o grande feito do país foi ter eliminado a República Tcheca do torneio, o que torna sua participação na Copa um mero detalhe. Nova Zelândia... Esporte errado. Sem comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Os caras são duros &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Os intangíveis deste grupo são muito simples. Com a história do Cabañas, tremendo craque, ter tomado tiro na cara, Paraguai desponta como um potencial conto de fadas, mas o problema é que o Cabañas não morreu. Mesmo assim, o time ainda tem bons reservas para a posição e continua sendo uma equipe bem estruturada. O pior fator contra a Itália desta vez é que seu grupo é tão fácil que sua trajetória de sofrimento pela Copa, que costuma trazer seus melhores resultados, vai ser tranquila. Eslováquia... Nova Zelândia... Ah, vá catar coquinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E a Nova Zelândia nem para fazer o haka &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;A presença da Nova Zelândia desperta uma dúvida teológica: se o time de futebol fizesse o haka antes do jogo, aquela dança meio-maori-meio-polinésia sinistra que supostamente agradece aos deuses pelo brilho do sol e das estrelas e pela generosidade do universo, mas na prática serve claramente para apavorar o adversário, ele funcionaria como no rúbgi? Creio que não muito, os deuses são outros. Mas não saberemos: este time kiwi bunda-mole nem sequer faz haka, o que será punido pelos &lt;em&gt;football gods&lt;/em&gt;. Além do que, é um &lt;em&gt;país-que-chama-futebol-de-soccer&lt;/em&gt;. Prevejo três lavadas e nenhum gol pró. Da Itália, os deuses esperam sacrifícios, e neste grupo não vão encontrar: o grupo fácil foi o maior castigo que poderia ter recebido. Quanto à Eslováquia, não tinha nada que ter se separado da República Tcheca – vai pagar para sempre o preço da blasfêmia. Os políticos deviam ter pensado nisso. Já o Paraguai... Difícil. Não dá pra saber como os deuses vão lidar com a história do &lt;em&gt;craque-que-tomou-tiro-na-cara&lt;/em&gt;. O potencial é enorme, mas, novamente, não é como se o Cabañas tivesse morrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Caspita! &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Itália abre contra Paraguai. O que der, dará. Candidato a empate. Nova Zelândia leva pau da Eslováquia no clássico da futilidade, por motivo de camisa e inferioridade teológica. Depois o Paraguai pega a Eslováquia – viu só, a trajetória do Paraguai não é tãããão fácil assim; enquanto isso, Itália e Nova Zelândia se candidatam a protagonistas do jogo mais feio de todos os tempos. Por fim, Paraguai se classifica sobre Nova Zelândia e Itália sobre Eslo... Váquia. Eslováquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;La garantía soy yo &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Paraguai tem tradição recente em Copas e pode até papar Itália. Pode sim, não seria do outro mundo, a Itália adora essas coisas e desde Julio Cesar nunca se deu muito bem na África. Aposta muito da decentinha, essa daí. Tirando esta variável importante, qualquer outra coisa seria caridade. Eslováquia sobre Paraguai?... Chance de uma em cem, vai. A FIFA certamente quer compensar o Paraguai por ter sido boi de piranha em 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;Grupo G: Brasil, Coreia do Norte, Costa do Marfim, Portugal&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Raios, pá! &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Cascudo… Há que se decidir: Portugal ou Costa do Marfim. Costa do Marfim ou Portugal. Portugal ou Costa do Marfim. Costa do Marfim ou Portugal. Portugal ou Costa do Marfim. Costa do Marfim ou Portugal. Portugal ou Costa do Marfim. Costa do Marfim ou Portugal... Raios!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Pois... &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Brasil é Brasil, e Brasil passa. É assim que é. Resta portanto encontrar revelações entre Portugal e Costa do Marfim. E o que sai desta peneira é o seguinte: Portugal já passou de um grupo cascudíssimo em 66 (com Brasil e Hungria) e já não passou de um grupo cascudo em 86 (Polônia de Boniek e Inglaterra de Lineker, com direito a papelão por causa de premiação); já morreu em grupo fácil em 2002 (Estados Unidos! Coreia do Sul!), e já passou em grupo fácil em 2006 – Portugal é sensível ao efeito Copa-na-Europa, portanto. Costa do Marfim só tem uma experiência, morrendo no Grupo da Morte de uma Copa europeia, geralmente mais fiel às tradições, em 2006. É um time sem quase nenhuma camisa, diferentemente de Portugal, mas uma tentação ao apostador: é um bom africano e tem efeito-craque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;... é difícil de antever &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Costa do Marfim é uma incógnita. A maior de todas. Mais do que isso: não há nada que sugira Portugal ou Costa do Marfim na história das Copas, das seleções ou dos confrontos análogos. Nada mesmo. Portugal é errático e Costa do Marfim, neófito. E pior: é o jogo de estreia. Nem os detalhes revelam nada – os dois times têm craque, e nenhum dos dois tem goleiro. Uma boa pergunta: qual dos dois tem mais chance de tirar um empatinho do Brasil? Costa do Marfim, por ser africano e meio mais misterioso, ou Portugal, por nos pegar no terceiro jogo, sendo meio freguês (não em Copas) e com efeito África pró-Brasil? Detalhinho: Coreia do Norte já papou até Itália em Copas. È vero. 66. Um a zero. Bem ou mal, não se discute com a história. Mas... Ora. É a Coreia do Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Papelão pega mal no Olimpo &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Os deuses gostam muito do Brasil, um raríssimo &lt;em&gt;país-cuja-tragédia-nacional-é-uma-derrota-de-Copa-do-Mundo&lt;/em&gt;. Temos sempre tudo a nosso favor - exceto desta vez o fato de que vamos sediar a próxima Copa (o que pode tornar muitos deuses propensos a ajudar outros times nesta) e o fato de que a reforma do circuito de Imola diminuiu muito a chance do Massa bater na Tamburello antes da Copa (como em Senna, 1994), o que teria grande potencial. O ponto mais revelador de toda a análise é que todas as divindades reprovam o papelão que a Costa do Marfim fez no começo do ano para derrubar o técnico, uma espécie de Felipão bósnio. E se time se opondo ao treinador em ano de Copa é muito mau sinal, treinador dando desculpas antecipadas é pior ainda. A baderna faz franzir as sobrancelhas no Olimpo, e a revelação deste fato pode ser captada por nós, mortais, na forma de um impactante fator multiplicador de PDM, capaz até de reverter o efeito África. Menos importante, mas real, é que as divindades gostam de países com nome de recurso natural, como Brasil e Costa do Marfim (e Argentina). E ajudam países governados por déspotas a se superarem – com um nadinha a mais de futebol, alguns deuses até quereriam dar um empatinho pro Querido Líder Kim Jong-Il fazer um feriado. Mas neste grupo não vai ter como.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E como é que a coisa vai? &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Primeiro tem o jogo da verdade, Portugal x Costa do Marfim. Esse é cascudo de verdade. Brasil começa sussa enfileirando os discípulos do topetinho. Depois, Brasil pega Costa do Marfim – que efeito tabela em favor de Portugal, hein? – enquanto Portugal tenta por a mão na vaga contra os comunistas. Se o Brasil já estiver classificado, Portugal passa mesmo que precise nos incomodar – um empatinho do Brasil é muito mais provável no terceiro jogo do que no segundo, historicamente, sem falar que países governados por déspotas, depois de perder dois jogos, dão absolutamente tudo no terceiro. Mas se o grupo chegar aí embolado, o que será difícil, talvez Brasil e Costa do Marfim classificados, em jogos simultâneos emocionantes e de final feliz para um bom africano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Conclusão &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Costa do Marfim está com uma tabela meio de &lt;em&gt;boi-de-piranha-já-que-o-país-é-meio-porcaria&lt;/em&gt; de novo e vai sofrer com a obrigação de estrear bem contra Portugal e depois segurar Brasil (para nosso entretenimento). Se Portugal fosse confiável, Portugal na cabeça. Se a Copa fosse na Europa, Portugal na cabeça. Mas não há tantos motivos para botar fé na terrinha. A Copa é na África. Portanto... Liberdade ao apostador, valendo lembrar aqui aquele útil algoritmo básico da teoria dos investimentos esportivos internacionais futuros: na dúvida, dá a) camisa; ou b) o país menos desorganizado. Ou seja: Costa do Marfim é a opção &lt;em&gt;high-risk, high-reward&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;Grupo H: Espanha, Suíça, Honduras, Chile&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O grupo &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;É um pouco geopolítico, também, pois terá um jogo entre um time que não reconhece o governo do outro – a Espanha jamais reconheceu o governo de Porfirio Lobo, eleito nas últimas eleições avacalhadas de Honduras (digo “um pouco” pois nenhum grupo que tenha a Suíça pode ser considerado geopoliticamente muito carregado, mas também porque neste mundo bunda-mole de hoje em dia, esse negócio de Copa do Mundo ser geopolítica anda meio &lt;em&gt;démodé. &lt;/em&gt;Que pena). Fora isso, muito equilíbrio e a responsabilidade de um bom time do Chile de prevalecer sobre a sem camisa Honduras e o ferrolho suíço, capaz de proezas como ser eliminado sem tomar gols. Inclusive a Suíça parece deslocada neste grupo de times boleiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fatos e fatores &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Vamos lá: Espanha é um dos melhores times do torneio e quase me arrisco a dizer que é favorita (grande coisa). Além disso, não é um país de muitas zebras – em geral, ganha dos piores e perde dos melhores – e deve ganhar de sua freguesa Suíça e de suas ex-colônias. O Chile é um time bacana: o técnico é &lt;em&gt;el loco &lt;/em&gt;Bielsa, tem o chatíssimo Humberto Suazo na frente, &lt;em&gt;el mago &lt;/em&gt;Valdivia... Pode muito bem passar. Historicamente tem um retrospecto em Copas praticamente idêntico ao da Suíça, que continua aquele saco. Já Honduras é um time muito do honesto, uma espécie de Costa Rica desta Copa – joga aberto para fazer gols e também levar, mas é melhor – e já arrancou até empate contra a Espanha na própria Copa da Espanha, em 82.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Intangíveis &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Pois bem... Espanha entra no ano da Copa tendo perdido um jogo nos últimos 44 (Estados Unidos – que talento para a decepção, hein?). Isto inclui Eurocopa, Eliminatórias, Copa das Confederações, eliminatórias para Eurocopa... Não é brinquedo não. A pergunta que não quer calar é a capacidade do ferrolho suíço de parar o ataque do Chile, segundo mais prolífico das eliminatórias sul-americanas. Neste quesito, é possível que o efeito África mate a Suíça. Honduras pode cair nas graças da galera com seu futebol alegre, e a partir daí dar uma pentelhada nos suíços no terceiro jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;...e os deuses? &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;A Espanha está com créditos-arbitragem depois da roubalheira da Copa de 2002, em que o professor FIFA anulou três gols legítimos para avançar a anfitriã Coreia do Sul. Isto pode ser um fator divino, especialmente mais adiante no torneio. Os deuses podem ajudar o Chile por ter &lt;em&gt;El Loco &lt;/em&gt;como técnico (a maioria adora essas papagaiadas), mas principalmente como técnico do Chile, time que sempre dá problema (v. Batalha de Santiago, Roberto Rojas...). A Suíça tem o “General” Hitzfeld, com nome de assecla de Hitler, e provavelmente não será prejudicada porque não tem personalidade suficiente para isso. Já Honduras é um &lt;em&gt;país-governado-por-um-golpista-direto&lt;/em&gt;, algo que coloca os deuses em seu favor – eles gostam mais dos paisecos badernadíssimos do que dos países maiores badernados, é incrível. E tem nomes fantásticos no elenco, papagaiada que às vezes contribui para um resultadinho: o capitão é Guevara, na frente tem Georgie Welcome, &lt;em&gt;La Pantera &lt;/em&gt;Suazo, um clássico de León no meio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A dinâmica da parada &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;É a seguinte: Chile começa ganhando moral contra Honduras, e Suíça perdendo moral contra Espanha; depois, Chile tenta se crescer sobre um ferrolho que deve ter sido arrombado, enquanto Espanha se diverte contra os hondurenhos, que apesar do futebol alegre não são bonzinhos como os costa-riquenhos e darão tudo para desandar a &lt;em&gt;paella&lt;/em&gt;. Se Chile já tiver se garantido, faz jogo-treino contra Espanha, ou então tem a vantagem de pegá-la já tranquilizada. Mas o pior é que Suíça talvez não ganhe de Honduras. Tomara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Conclusão &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;É &lt;em&gt;wishful thinking&lt;/em&gt;? É. Mas vou de Chile. Que se dane o ferrolho suíço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;Daí em diante...&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Daí em diante é cada um por si. Ora!...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-3202917553546397881?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/3202917553546397881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=3202917553546397881' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3202917553546397881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3202917553546397881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2010/05/o-guia-definitivo-do-apostador-na-copa.html' title='O guia definitivo do apostador na Copa 2010'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-8960799279331117483</id><published>2010-05-01T12:15:00.004-03:00</published><updated>2010-08-14T21:55:44.265-03:00</updated><title type='text'>A Copa da África</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por Marílio Wane, sociólogo e príncipe moçambicano, vizinho da África do Sul, correspondente do Retranca Crônica direto de Salvador&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copa do Mundo taí e dessa vez vai ser num país africano, pela primeira vez na História. Por esse simples fato já podemos esperar por uma competição diferente em todos os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande lance é que além de um país africano se tornar o centro das atenções do mundo inteiro por um mês, a Copa traz uma oportunidade única de “a África se mostrar para o mundo”, digamos assim. A novidade nisso é que normalmente as imagens veiculadas sobre “África” - um verdadeiro monstro geográfico, populacional e cultural - na grande mídia global são produzidas a partir de fora, quase sempre sob um olhar ocidental. Aquela velha história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado disso é que, no senso comum, as pessoas passam a associar a “África” a esse pacote de guerra-fome-doenças-selvageria produzido diariamente pelo antropólogo William Bonner. Sem falar nos milhões de programas sobre hábitos dos leopardos “no coração da África”. Odeio cada um deles! Nada contra os belíssimos felinos, o negócio é que a repetição constante dessas imagens reforça a distorção sobre a realidade atual do continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, era importante colocar isso antes de falar sobre o que significa uma Copa na África, sobre que outros fatores envolve. O país sede - África do Sul - é o mais rico do continente, altamente industrializado e na verdade, o único que atualmente pode sediar um evento desse porte. Quem não conhece vai se surpreender com as imagens de modernidade que o país vai fazer questão de mostrar ao mundo. Os estádios, por exemplo, dão de 10 a 0 em qualquer um daqui do Brasa agora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo, trata-se de uma oportunidade única para se ampliar o conhecimento do que se entende por “África”, já que o futebol é diversão garantida em todo o planeta. Todo mundo vai ver. É claro que vai haver uma grande filtragem do que vai se mostrar - e do que não vai se mostrar! - mas em tempos de twitter... E também é verdade que a África do Sul é um país atípico no continente, mas como vai funcionar como uma vitrine, pode ajudar a mudar a idéia que muita gente faz desta parte da Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe sim muita pobreza e violência, mas sempre retratadas pelas lentes da CNN, BBC e amigos da Rede Globo. O que a Copa traz este ano é a possibilidade de ampliação do que essas lentes mostram, em direção a uma realidade africana mais complexa e por isso mais interessante. O principal mecanismo de distorção dessas lentes é apresentar a “África” como uma entidade única, nivelando a enorme diversidade que existe no continente, em todas as esferas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, o único jeito de remar contra a maré é tomar como referência o ponto de vista dos próprios africanos e nesse sentido, a oportunidade é a melhor possível. É justamente aí que entra o futebol: toda essa complexidade interna africana vai aparecer assim que a bola começar a rolar. As diferentes reações dos torcedores africanos serão amplificadas pela visibilidade mundial do evento, destacando rivalidades e alianças internas cultivadas pelas mais diversas razões ao longo da História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito em função da luta contra o colonialismo, de cara já rola uma solidariedade entre os países africanos e dá pra dizer que a princípio, a maioria dos africanos torce pras seleções do continente. Porém, há nuances aí. Por exemplo, a Nigéria é um país cuja imagem sofre rejeição crescente dentro do contexto africano, sobretudo por causa do narcotráfico e outras atividades criminosas que se alastram para outros países. Vai ter torcida contra em alguns lugares, mas no geral, apoio.&lt;br /&gt;A Argélia se encontra em um contexto particular, a chamada “África branca”, composto pelos países do norte, mais ligados ao universo árabe-islâmico. Na hora do gol, a coreografia é em direção à Meca as suas vitórias serão comemoradas do Marrocos ao Oriente Médio. Aqui temos uma confluência de fatores geográficos, religiosos e raciais, todos operando ao mesmo tempo pra acirrar as rivalidades. E mesmo dentro desse universo, tem briga. Todos se lembram dos confrontos entre Egito e Argélia na última Copa das Nações Africanas, que deu até em rompimento diplomático. O Deserto do Saara vai virar mar perto do que os “faraós” vão secar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o meu país - Moçambique - não vai participar da Copa, mas a reação dos compatriotas também indica outras complexidades internas. Os moçambicanos acompanham o futebol português e torcem apaixonadamente para os seus times, Benfica, Porto e Sporting. É um caso clássico de herança cultural colonial, que deve ocorrer em outros países, inclusive. A princípio, este fenômeno gera uma simpatia pela seleção portuguesa também, mas não necessariamente... Algo me diz que a solidariedade pan-africana vai prevalecer, por exemplo, no jogo contra a Costa do Marfim, logo na primeira fase. Foi assim em 2006, contra Angola. O jogo Brasil x Portugal vai ser particularmente interessante por lá, até pra registrar a crescente influência brasileira atualmente. Tem gente que até fala em “nova colonização”. Mas aí já é outra cachaça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de casa, para os sul-africanos, brancos e pretos, é só festa! Tome vuvuzela! Reconhecem que seu time é limitado e vão torcer até onde der e também pelos outros africanos. A Copa das Confederações 2009 já foi uma prévia disso, onde a torcida mais faz celebrar a realização da Copa no país. Mas Inglaterra e Holanda (os antigos colonizadores europeus) terão as suas torcidas locais, visivelmente representadas... Alguns com saudades do apartheid.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, todas essas disputas regionais vão mostrar ao mundo um continente multi-facetado, nada a ver com as generalizações que normalmente se faz. Longe de ser um lugar isolado e remoto da Terra, a África está conectada à Humanidade desde a sua própria origem. Né mole, não. E se a maioria de seus povos hoje convive com a pobreza e a violência, isto está diretamente ligado à forma como essa conexão se dá nesse mundo globalizado... Neo-liberalizado e neo-colonializado pra maioria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a partir de junho, a Humanidade (afinal de contas, mesmo quem não gosta de futebol assiste a Copa, né?) vai ter uma rara oportunidade de voltar as atenções para o seu próprio berço. Momento interessante até para refletir sobre a sua situação em que se encontra atualmente e até mais além: o que nos liga como humanos? Desconfio que seja algo parecido com uma bola...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-8960799279331117483?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/8960799279331117483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=8960799279331117483' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/8960799279331117483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/8960799279331117483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2010/05/copa-da-africa.html' title='A Copa da África'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-547657203276304004</id><published>2010-02-08T13:06:00.067-02:00</published><updated>2010-02-13T17:02:51.680-02:00</updated><title type='text'>O Lado B do Rey das Copas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Por Chico Garcia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem por ai que eu minto, mas tudo o que vejo eu conto sem recauchutar. Não vou nem barganhar crédito seu, pois nesse mundo não há bicho que se faça solto e desconheça que catimba argentina é a pior que existe. Então vou contar um fato estranho que comigo se assucedeu, aí quem quiser que acredite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 234px; FLOAT: left; HEIGHT: 273px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435912099396632322" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/S3A9QPLIvwI/AAAAAAAAATA/f9eARCPOGB4/s320/1.JPG" /&gt;Vagava por Buenos Aires e, num imprevisto do azar, tive entreveros com os homens da lei. Não foi minha culpa, sabe como é, quando joga fora de casa tem gente que atrai polícia igual carniça atrai urubu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só escapei e dei no pé por que fui ajudado por um malandro da pesada, cheio das artimanhas, que facilmente despistou os meganhas e com toda certeza o sinistro tinha laços com o belzebu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeci pagando umas cervejas, como faz um sujeito decente, e o malvado retribuiu com um papo beleza. Acendeu um Marlboro e enquanto dava uns tragos contou que era chefe da Torcida do Independiente, lá de Avellaneda, onde era conhecido apenas como &lt;em&gt;El Diablo&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo desafiei as memórias daquele filho do cão sobre a equipe indigesta dos &lt;em&gt;Rojos, &lt;/em&gt;que reinou e fez história na América. E de quebra e de graça, o parceiro &lt;em&gt;El Diablo&lt;/em&gt; garantiu saber toda a verdade sobre esse temido esquadrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficará eternamente escrito que aquele era um &lt;em&gt;scratch &lt;/em&gt;de raça e talentos, sendo que pelos anos de setenta e poucos não havia louco em decente estado de sobriedade que quisesse enfrentar o Independiente, o time mais encrenqueiro de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/S3BAbPeuuVI/AAAAAAAAATI/vwYMA9V9WSw/s1600-h/Santoro-idolo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 207px; FLOAT: right; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435915586992257362" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/S3BAbPeuuVI/AAAAAAAAATI/vwYMA9V9WSw/s320/Santoro-idolo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Diz-se por lá que todo time começa por um grande canalha, e o goleiro Santoro entrava em campo com uma navalha escondida na meia e guardando areia no calção. Ai quando vinha o atacante na área... Terra no olho, malandro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A zaga era mais malvada que escolta de bandido valente. Tinha um sujeito chamado Comisso que era tão feio que fazia carro dar meia volta e gente desistir de atravessar a rua. Quando o tal do Comisso fazia cara de bravo, dos avantes medrosos só se ouvia "vai que é sua, vai que é sua".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já um outro cabra, um uruguaio chamado Pavoni, quando nasceu dava tanto coice no berço que quase matou a avó de susto. E o sujeito era tão, mas tão mau, que quando foi batizado o padre até deixou cair o terço, de tanto medo daquele filho da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El Diablo me contou, mas não sei se procede, que quando os &lt;em&gt;Rojos &lt;/em&gt;foram campeões do mundo Pavoni e Comisso escaparam de desfalcar o time por um triz. Isso por que num jogo no campo do Boca, caiu a luz por um segundo e os bandidos não deram toca: Sumiu até o relógio suiço do juiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/S3BBi1C-vRI/AAAAAAAAATQ/V2qUJ_ao6LA/s1600-h/2.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 198px; FLOAT: left; HEIGHT: 299px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435916816847125778" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/S3BBi1C-vRI/AAAAAAAAATQ/V2qUJ_ao6LA/s320/2.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;Só não pegaram ninguém no pulo porque bandido mau também tem cobertura, ta ligado? Quando a defesa entrava em apuros podia contar com &lt;em&gt;El Zurdo&lt;/em&gt; López, um lateral invocado que ouvia mal, mas era malícia pura. O tal esperto tinha um nariz maior que tromba de elefante e dizem que abandonou a bandidagem por pura preguiça, pois gostava de viver igual tatu, na maior sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/S3BFP5F6MBI/AAAAAAAAATo/5CwtLmajKt0/s1600-h/Eduardo+Maglioni.jpg"&gt;&lt;/a&gt;O gatuno da esquerda, que já veio ao mundo de bigode, não se sabe como pode tinha mais de dez identidades. Ficou conhecido como Raiomondo, mas vá saber a verdade. O que se sabe é que o sujeito tinha fama de boa praça e levava a vida no ócio, e para botar comida na mesa ou cerveja cerveja no copo agia como mestre da trapaça, arte de enganar o próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheia de manhas e não menos milongas, a quadrilha da meia cancha ficou famosa no gueto de Avellaneda por reunir todas as destrezas de um gato preto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;El Negro &lt;/em&gt;Galván e &lt;em&gt;Mago&lt;/em&gt; Maglioni fingiam ter a inocência de uma virgem donzela, sempre iludindo o juiz naquela do juro que não faço mais. Ai quando o mané virava de costa era só fair-play pra baixo da canela, como bom argentino, versado em malvadeza. Até hoje os dois fazem o Mirandinha sofrer dormindo de luz acesa, assustado igual frango solto em supermercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 329px; DISPLAY: block; HEIGHT: 256px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436257299549421106" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/S3F3Nh9EfjI/AAAAAAAAAUo/4SgxvKYzuAw/s320/Eduardo+Maglioni.jpg" /&gt;De volante, ou meio zagueiro, como diz meu chegado Hermano Penna, quem entrava em cena e tomava conta do jogo era o milongueiro mais conhecido da boemia portenha, o finado Jose Omar Pastoriza. &lt;em&gt;El Pato&lt;/em&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;não participou do titulo mundial, mas já virou até verbete de dicionário, ganhou licença de professor e por décadas ministrou aulas de catimba na Universidade de Rosário, onde é reconhecido como o inventor da cera.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/S3BFiV-_yjI/AAAAAAAAATw/YL4nS5yFnWY/s1600-h/3.JPG"&gt;&lt;em&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 171px; FLOAT: left; HEIGHT: 236px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435921206555429426" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/S3BFiV-_yjI/AAAAAAAAATw/YL4nS5yFnWY/s320/3.JPG" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;Agora, se o jogo fosse difícil mesmo, ou se o juiz estivesse com qualquer sacanagem, aí o lance era com o Manoel Sá, sujeito matreiro que não dava pontapé e ainda assim se tornou o maior campeão da história do clube. O que foi o que não é, só se sabe que o primo do Manoel era um tal de Obregon, afamado pelas curriolas de Santa Fé como &lt;em&gt;El Covero&lt;/em&gt;. Nunca foi provado, mas corre pelos labirintos da justiça um processo que acusa o tal cruel de dar cabo em um ponta direita entortador de coluna, que era uma pedra no sapato do&lt;em&gt; Gago&lt;/em&gt; Manoel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pra completar esse covil de ladrão, aquele bando também tinha seus cabeças, os grandões da parada. Ali quem mandava e desmandava sem perdão eram Bochini e Bertoni, que conquistaram o povo com os gols e belas jogadas, mas atuavam mesmo como os chefões do crime. &lt;/p&gt;No gol do titulo Mundial de 1973, se diz à boca pequena que Bochini revelou aos amigos ter entrado em campo com um alfinete de costura escondido, com o qual espetou o baço do zagueiro italiano com tamanha fúria que este, totalmente perdido, só assistiu &lt;em&gt;Bocha&lt;/em&gt; fazer o gol do campeonato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 335px; DISPLAY: block; HEIGHT: 269px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436267482444098082" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/S3GAeQMWaiI/AAAAAAAAAVY/jiYj3-lOsLg/s320/5.JPG" /&gt;Assim-assim com o Caveira de Medelin e o time do Metralha, lá do Morro do Alemão, esse foi o bando mais criminoso que já bateu uma pelada, a turma mais malvada que já fez parte de um time de futebol. E usando das milongas e mumunhas, comandada por hermanos versados nas mais diferentes artes da catimba, uma malandragem portenha do mais alto grau fez do Independiente de Avellaneda o maior campeão da América.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 289px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436257644037386706" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/S3F3hlRZsdI/AAAAAAAAAVA/A_zbEes9Glc/s320/6.JPG" /&gt; E é isso aí. Quem for à Buenos Aires em breve poderá pagar umas Quilmes ao meu chegado &lt;em&gt;El Diablo e&lt;/em&gt; certamente ele ajudará qualquer um com os fardados no encalço, afim de um bom rapé ou necessitando trocar dinheiro falso, pois conhece tudo sobre o submundo da cidade. Como um bom jogador de conversa fora, gosto de enfeitar a jogada e até aumento a história, mas nunca minto e digo que tudo que invento é baseado em pura verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Em sua era "dourada", o Independiente de Avellaneda faturou os Metropolitanos de 1971 e 72, quatro Libertadores da América entre 71 e 74 e mais o Mundial de 1973. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;**Entre feitos e glórias, estão os três gols marcados por Maglioni em apenas 90 segundos em partida do Metropolitano de 1973, marca registrada no livro dos recordes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*** Embora algumas das informações aqui contidas sejam fruto dos conhecimentos singulares de meu parceiro &lt;em&gt;El Diablo&lt;/em&gt;, a fama de time mau procede e ajudou a criar a mistica da catimba no futebol portenho. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-547657203276304004?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/547657203276304004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=547657203276304004' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/547657203276304004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/547657203276304004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2010/02/o-lado-b-do-rey-das-copas.html' title='O Lado B do Rey das Copas'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/S3A9QPLIvwI/AAAAAAAAATA/f9eARCPOGB4/s72-c/1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-3654002318207796911</id><published>2010-01-03T15:34:00.004-02:00</published><updated>2010-08-14T21:56:00.337-03:00</updated><title type='text'>Union Berlin</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;uma participação &lt;/em&gt;ipsis literis &lt;em&gt;do ilustre Daniel Schultz, correspondente global do Retranca Crônica (blog muito do retrancado mas que não tá morto, não).&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara, descobri outra pérola do mundo da bola!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi numa conversa em Berlin com um torcedor do Stuttgart, o Basti, que entendia bem do assunto. Muito esclarecedora sobre o futebol alemão, por sinal. Passei a ter muito mais respeito. Sempre achei estranho o fato de a Alemanha ser o país mais rico da Europa, sete finais de copa, grande popularidade do futebol e ainda assim ter seus clubes se dando tão mal no cenário internacional. E mais estranho ainda o fato de só haver uma potência clubística, já que a natureza do jogo exige a polarização da população. Acabei descobrindo um perfil de torcedor que mantém a pureza do ideal bem acima de resultados (creio que reflexo do pós-guerra), e a polaridade acaba ficando Bayern vs anti-Bayern. Há uma enorme rejeição ao clube rico e comercial. Há uma enorme rejeição ao Hoffenheim sem história e com injeção de dinheiro pessoal. E por que a liga alemã não tem o peso da espanhola? Porque há uma regulamentação muito mais rígida com as finanças dos clubes. Nada de Berezovskys, Berlusconis, Abramoviches ou petrodólares. Nada de clube endividado. Nada de "donos" de clube. Passei uma certa vergonha quando estava rasgando elogios ao Tévez e ouvi: "mas foi comprado com dinheiro sujo, não foi?" Respondi que pagamos nossos pecados na segunda divisão. Falei que os responsáveis estavam a caminho da cadeia (uma mentirinha ocasional não faz mal a ninguém). Aprendi que a Alemanha tem a maior média de público da Europa, que o ingresso ainda é barato e que o dinheiro dos contratos de TV são mais distribuidos, inclusive a divisões inferiores. Num cenário como esse florescem os St. Pauli da vida. E por que os jogadores permanecem no país? "É uma questão de qualidade", disse Basti. "Atualmente só o Ballack é diferenciado. A força da seleção está apenas no conjunto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que Berlin, a capital e maior cidade, não tem uma equipe de ponta? Berlin foi uma cidade complicada politicamente no pós-guerra. O futebol do leste como um todo enfraqueceu frente ao oeste e a parte ocidental da cidade tinha grandes dificuldades logísticas. O "clube grande" da cidade, o Hertha, hoje ocupa a última posição da tabela e não goza de muita popularidade. O perfil elitista de direita de seus torcedores contrasta com a cultura underground da cidade. "Mas se você estiver interessado, na segunda-feira vai ter estádio lotado para o jogo do 1. FC Union Berlin contra o Kaiserslautern, o líder da segunda divisão". Claro que interessa. E lá vamos nós para Köpenick. O Eisern Union (união de aço) surgiu em 1906 como clube da classe trabalhadora, se opondo aos times elitistas, e teve seus sucessos antes da guerra. Quando já em 1950 foram proibidos pelo governo comunista de viajar ao ocidente para participar da copa da Alemanha, parte do clube pulou a cerca e fundou uma filial ocidental de mesmo nome. O clube então jogava nos dois lados da cidade, nos dois campeonatos. No leste o Union era o grande rival do Dinamo Berlin, o time da Stasi, e virou símbolo de oposição ao regime autoritário. Na Berlin unificada acabou reunindo uma apaixonada torcida idealista. Fiel às origens proletárias, anti-fascista, anti-repressão, não- conformista. O estádio de Alte Försterei, para umas 20.000 pessoas, foi reconstruído voluntariamente pelos torcedores em tempos de séria crise financeira depois da queda do muro. Chegando lá, a torcida toda em vermelho e branco cantava o hino do time, composto por ninguém menos que Nina Hagen, torcedora símbolo do clube. O clima dentro do estádio era contagiante. A torcida mostrava muito mais empolgação que a do jogo do Madrid no Bernabéu, a outra partida que eu vi na Europa. Cantava em pé, apoiando o time a partida inteira. Obviamente que como sul-americano convicto não vou me curvar à intensidade de nenhuma torcida européia, mas algo diferente realmente me chamou a atenção. A torcida estava ali por uma afinidade política e cultural, embora não faltasse interesse na partida em si. Empurrava o time incondicionalmente, independente do resultado. O time medíocre se esforçava agradecido. Tremenda manifestação de união ideológica! No final a derrota por 2x0 para o adversário muito superior pouco importou. Durante os minutos finais da partida, durante a volta da equipe junto às arquibancadas agradecendo o apoio e durante a saída do estádio até o metrô, a torcida não parava de cantar o moto do clube ao ritmo de palmas: "&lt;em&gt;FC Union, unsere Liebe, unsere Mannschaft, unser Stolz, unser Verein, Union Berlin, Union Berlin!&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que eu entendi é um fenômeno semelhante ao do St. Pauli, mas um pouco menos "baladinha", menos difundido e num clima mais sério. Em tempos de time entregando jogo, torcida agredindo jogador em porta de banco, conselheiro levando arma pro vestiário, todos comportamentos que, embora eu discorde, fazem parte do mundo futebolístico em que eu fui criado, me surpreendeu essa filosofia alemã de ir ao estádio só pra ver o seu time jogar. De ir ao seu estádio de primeiro mundo e dizer com orgulho: esta aí um time que representa bem a minha comunidade. Bem administrado, com dinheiro limpo, com preocupação social. O que vier além disso é lucro. E não se importam com a &lt;em&gt;Champions League&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-3654002318207796911?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/3654002318207796911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=3654002318207796911' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3654002318207796911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3654002318207796911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2010/01/union-berlin.html' title='Union Berlin'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-7343752136459679121</id><published>2009-04-06T09:54:00.015-03:00</published><updated>2009-04-06T10:23:01.780-03:00</updated><title type='text'>BOMBA: Rebeca Gusmão pode ficar com a vaga de Julio Baptista na Copa da África do Sul</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;por Tiago Marconi&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Antes de começar a matéria, preciso fazer um comentário sobre o período que andei afastado do Retranca. Após revelar as verdadeiras origens do futebol, passei a ser perseguido pelos velhinhos da FIFA, que conseguiram me mandar para um gulag próximo a Guantánamo, onde fiquei tostando ao sol tropical, com apenas o Mar do Caribe para me refrescar. Foram meses de alimentação à base de peixe, frutos do mar e frutas, comunicando-me com as nativas apenas com a expressão dos corpos. E que corpos! Mas fiquei com saudades da arquibancada do Pacaembu e liguei para o Zé Blatter para agradecer e dizer que eles tinham comprado meu silêncio... Cá entre nós, estou louco para irritar a Board de novo e ver se dessa vez me mandam para o Pacífico Sul.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/Sdn8RHckO_I/AAAAAAAAAIs/6L8vdyJsLpc/s1600-h/atchim2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321561805701790706" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 268px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/Sdn8RHckO_I/AAAAAAAAAIs/6L8vdyJsLpc/s400/atchim2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;De volta à babilônia paulistana, fui tomar uma na rua Augusta e encontrei num boteco pra lá de suspeito um amigo de um amigo, o Atchim, ex-colega do técnico da Seleção. Papo vai, papo vem, passou um cara com rosto de mulher bonita e o cumprimentou de longe enquanto seguia subindo a rua. Fiz algum comentário espantado e discretamente machista e então Atchim me revelou a notícia exclusiva: “Acho que ela vai para a Copa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de minha evidente incompreensão, Atchim continuou: “Não reconhece, cara? É a Rebeca Gusmão”. O anão me explicou então que durante meu exílio a nadadora passou a integrar a equipe de futebol feminino brasiliense do Ascoop, mas que por conta de seu alto nível de testosterona vinha sendo sondada por equipes masculinas. Revelou ainda que, por ser patrocinada pela Nike, o agora jogador Rebeca tinha muito bom trânsito no meio futebolístico, inclusive internacional, e já tinha despertado a curiosidade de Dunga, “dos sete, o anão menos preparado para dirigir a Seleção Brasileira”, nas palavras de Atchim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de mais um espirro, o alérgico homenzinho disse conversar regularmente com o técnico da Seleção, “apesar de grosseiro, um bom sujeito”, e que esse lhe revelou que o porte físico avantajado e pouca intimidade com a bola de Rebeca Gusmão lhe credenciavam a disputar um lugar no time, faltando apenas que ele atuasse em alguma equipe obscura de uma liga européia pouco importante. Contou ainda que Dunga está decidido a levar algum grandalhão para o meio-campo e que a boa fase de Júlio Baptista na Roma diminui muito as chances de sua convocação. “Continuo chamando por gratidão e falta de opção, mas se aparecer alguém maior e mais grosso, certamente entrará na disputa pela vaga”, teria dito o eterno arranca-tocos. Comentou ainda que durante sua passagem pelo Hamburgo, o ex-volante teria se encantado por uma nadadora da antiga Alemanha Oriental que lhe derrotara num braço-de-ferro e costumava ironizar o futebol brasileiro, cheio de firulas inúteis. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/Sdn_SM50swI/AAAAAAAAAJM/dkbJ_LhMSYY/s1600-h/rebecas2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321565122881434370" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 175px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/Sdn_SM50swI/AAAAAAAAAJM/dkbJ_LhMSYY/s400/rebecas2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Perguntei a Atchim se ele tinha o telefone de Rebeca, afinal era importante uma declaração dela a respeito. Ele disse que não, mas que ela provavelmente estaria numa festa ali na região. Tomamos mais algumas e convenci o sujeito a me levar na tal festa, numa casa noturna. O ambiente tinha rock dos anos 80 (e eu sem meus protetores auriculares), cabelos repicados, roupas pretas, minas com cara de mano, manos com cara de mina e cerveja cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei Rebeca numa alegre rodinha, junto a outro famoso nadador, maior campeão olímpico da história, que parecia ter conjuntivite. Rebeca declarou que seu pensamento no momento é fazer um bom trabalho no Ascoop mas que todo jogador sonha com uma convocação e acrescentou que seleção é conseqüência de um bom desempenho no clube. Depois que Michael lhe passou um cigarro, mais descontraída(o), afirmou que está tecnicamente muito acima de Gilberto Silva, cuja má fase empolga o treinador da Seleção, e zombou do porte físico de Josué. Depois foi para a pista de dança, onde agarrou uma mocinha (seria um mocinho?) e se estranhou com um punk, sem chegar às vias de fato. Ainda no esforço de reportagem, continuei no inferninho até de manhã, quando Atchim disse que ia para casa e o convenci a me levar para lá. &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/SdoBpA89tCI/AAAAAAAAAJ0/hXNMwHM_H3M/s1600-h/dunga-legenda.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321567713833628706" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 330px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/SdoBpA89tCI/AAAAAAAAAJ0/hXNMwHM_H3M/s400/dunga-legenda.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/SdoBPlIAN4I/AAAAAAAAAJs/M4JsAJGrJSM/s1600-h/dunga-legenda.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/SdoAER-L8mI/AAAAAAAAAJc/Wnm2BXh8CS0/s1600-h/dunga2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/Sdn_6oqvKiI/AAAAAAAAAJU/x6sLl99rNHA/s1600-h/dunga2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando na Floresta Encantada, logo avistei Dunga brincando de carrinho com algumas crianças e fiquei observando. A brincadeira acabou quando uma das crianças teve uma perna quebrada pelo ex-volante (que comemorou muito por ter ganho a brincadeira gritando “É tetraaaa, é tetraaaa!”). Perguntado sobre Rebeca Gusmão, demonstrou entusiasmo: “É muito forte e tem uma carreira discutível. Estou observando, sim. Mas no Ascoop fica difícil, parece que há um interesse do Askov, do Azerbaijão, o que certamente daria mais visibilidade a ela”. Revelou ainda que o empresário do goleiro Doni estava interesssado em levar Rebeca para o Manchester United ou para o Real Madrid. Por fim, sorriu enigmático e perguntou: “Você duvida?”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Um frio me subiu pela espinha e resolvi que era hora de ir embora. No mesmo momento, Atchim saiu da casa de Branca de Neve agitado e perguntando se tinha neve da Branca nas narinas. Não entendi e preferi não insistir. Ele falou que tinha negócios a tratar e voltamos para a rua Augusta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-7343752136459679121?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/7343752136459679121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=7343752136459679121' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7343752136459679121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7343752136459679121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2009/04/bomba-rebeca-gusmao-pode-ficar-com-vaga.html' title='BOMBA: Rebeca Gusmão pode ficar com a vaga de Julio Baptista na Copa da África do Sul'/><author><name>Tiago Marconi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10536114558516673798</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/Sdn8RHckO_I/AAAAAAAAAIs/6L8vdyJsLpc/s72-c/atchim2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-4884313760357564527</id><published>2009-02-04T14:19:00.036-02:00</published><updated>2010-08-14T21:56:34.135-03:00</updated><title type='text'>Bambi, o Viril</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;(ou Crônica de Uma Tradição a Inventar)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje achei por bem inventar uma tradição. Tradições são mesmo invenções, ora; tradições serão mesmo inventadas, ora; inventemo-las nós mesmos essa vez antes que alguém exija os créditos por nossos papos de bar. E não pense se tratar de brincadeira: o que virá a seguir é uma penada imparcial da asa direita do anjo da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu esse ímpeto inventivo porque uma coluna recente do renomado jornalista Fernando Gallo, publicada no blog de Juca Kfouri e intitulada “&lt;a href="http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2008-12-14_2008-12-20.html"&gt;Bambis, ora pois!&lt;/a&gt;”, faz aguerrida defesa – o autor deve ser zagueiro, como nós – da adoção do apelido "bambi" pela torcida do São Paulo Futebol Clube. Escreveu Gallo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Está na hora de nós, são-paulinos de fina estirpe, tricolores de quatro costados, assumirmo-nos: somos bambis, sim senhor! Por que não?”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Com a legitimidade que só um são-paulino fanático teria na matéria, Gallo justifica sua opinião com argumentos cativantes: os palmeirenses não adotaram o porco, outrora uma ofensa? O Flamengo não virou urubu? Não é o São Paulo um time moderno, que quer construir “&lt;em&gt;um espaço para o qual convirjam pessoas de toda sorte, independentemente de suas preferências sexuais?&lt;/em&gt;”. Aceitemos o bambi, ora, pois, e façamos “&lt;em&gt;um bem danado para a imagem e os cofres do clube&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De imediato achei interessante ouvir o trote do devir da história passando a cavalo, não por qualquer espírito de torcedor rival mas especialmente pela satisfação que senti em ver uma torcida grande ao mesmo tempo se reconhecendo na outra e vislumbrando nessa possibilidade um elemento de sua própria afirmação. Saudável! Aceitando a alcunha de &lt;em&gt;bambi&lt;/em&gt;, o são-paulino seria ainda mais são-paulino: se imporia pela pitada de indiferença que acrescentaria ao tratamento já indiferente conferido aos rivais, mas, ainda mais belo, docemente reproduziria o passado deles, deste modo valorizando-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois mudei de opinião não muito depois. Mesmo que Gallo tenha mostrado sensibilidade elogiável ao defender uma opinião baseada em valores maiores que o chauvinismo futebolístico, pensei, faltou a ele uma visão mais acurada a respeito da natureza dessa aceitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que o espírito subjacente à adoção do simpático cervídeo pelo são-paulinato não será a aceitação da diversidade nem o vislumbre de uma astuta oportunidade de negócios, elementos centrais no já notório chamado do jornalista a uma consicência mais elevada. Será antes disso um reflexo da seguinte luz: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;bambi sinônimo de homossexual é coisa de corinthiano ignorante, coisa de Vampeta de Nazaré, coisa de nego que se apresenta bêbado em recepção oficial, coisa de povão – o veado é um animal viril! O mundo inteiro sabe disso, menos a ralé!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300578870823341874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 194px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SY9wZjtdzzI/AAAAAAAAAOc/-7E45WY0mYI/s320/bambi.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnRG6FFyGI/AAAAAAAAAMk/_IZs4vLndkc/s1600-h/bambi.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sabemos graças ao trabalho de historiadores da tarimba de um Eric Hobsbawm (torcedor do Arsenal FC de Londres) que o fenômeno da invenção das tradições é um grande lugar-comum da história. Há dois tipos principais: as tradições políticas, instrumento de legitimação de estruturas políticas face a cenários em rápida transformação – hinos, símbolos, cerimônias, feriados, mitos, mártires, tudo aquilo que possa usar “elementos irracionais” para contribuir para a manutenção da ordem social; e as tradições sociais, que aparecem como veículos de afirmação dos grupos mais diversos na forma&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYncjpDl2VI/AAAAAAAAANs/7nrNt0qz4g0/s1600-h/domingos+jorge+velho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299008941452548434" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 156px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYncjpDl2VI/AAAAAAAAANs/7nrNt0qz4g0/s320/domingos+jorge+velho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; de critérios de identificação, distinção e pertencimento – o boné da classe proletária, o próprio significado social do futebol, as tradições acadêmicas, a etiqueta burguesa, símbolos, mitos, mártires, enfim, diferentes elementos de diferentes classes em diferentes tempos e lugares. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Thank you dearly, Hobs&lt;/em&gt;. Agora me respondam: não é de se esperar que a elite que ainda ontem inventou a tradição do bandeirantismo para atribuir heroísmo ao incursor bárbaro de territórios hostis, que há pouco inventou toda uma simbologia oficial estilo &lt;em&gt;Non ducor duco&lt;/em&gt; (“não sou conduzido, conduzo”, lema da cidade de São Paulo) para valorizar iniciativa onde havia proletarismo industrial, que agorinha mesmo inventou a imagem da locomotiva do Brasil onde havia mera desigualdade regional, não haverá de inventar uma história de virilidade onde há... o Bambi? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Toda tradição - inventada - traz dentro de si um fundamento, uma base, uma idéia central. Nesse caso, o ponto que ainda precisa de revelação é o seguinte: o Bambi é valente! Ele é macho-alfa, é brigador, é difícil de caçar, é reprodutor, é durão. É o veado da cultura ocidental. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pra começar, o Bambi (como o elitista São Paulo) tem sangue azul – é filho do Príncipe da Floresta, um líder em seu ambiente, e nasceu com o mesmo destino pela frente. No longa de animação original da Disney de 1942, baseado em romance alemão de 1923, além de lidar ainda jovem com a trágica morte precoce da mãe e de defender sua parceira de um macho rival o empurrando penhasco abaixo, ele enfrenta valentemente uma matilha de cães de caça, protegendo sua amada dos caçadores, e empreende uma fuga heróica depois de levar um belo de um balaço. Não bastasse, Bambi termina o filme cumprindo a hercúlea missão de garantir a sobrevivência da espécie, com sua veadinha dando à luz a um par de filhotes seus apesar de todas as dificuldades. Fato: de homossexual, o Bambi original não tem nada – muito pelo contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O personagem já não fôra assim elaborado por acaso. Por toda a Europa e América do Norte, os veados e outros cervídeos aparentados como a corça são símbolos inequívocos de virilidade e esperteza. Capturar uma corça já tinha sido um dos doze trabalhos de Hércules, cabe lembrar, e a mitologia celta antiga considerava o cervo um animal sobrenatural. Concretamente, o que tornou os elegantes animais galhados objetos de valorização cultural são seu comportamento agressivo na época do acasalamento, sua rapidez inteligente e elusiva diante dos predadores e os desafios que estas características sempre impuseram aos caçadores.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299015983300174658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 270px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYni9h-5Y0I/AAAAAAAAAOU/-aGWXPU746A/s320/veados+disputando.jpg" border="0" /&gt;No Brasil, e só no Brasil, temos o veado como símbolo de homossexualidade. Menos que me&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnTn8Wk8nI/AAAAAAAAANE/AAf39o6FYIQ/s1600-h/veados+disputando.jpg"&gt;&lt;/a&gt;ia v&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnSvpL7q5I/AAAAAAAAAM0/yKd3zJk7kFA/s1600-h/veados+disputando.jpg"&gt;&lt;/a&gt;erdade. Selvagens, os veados são animais territoriais e passam a maior parte do tempo em grupos do mesmo sexo - coisa de marmanjo. Quando as fêmeas entram no cio, os machos se enfrentam em batalhas sangrentas das quais emerge apenas um vencedor, a quem caberá a tarefa de passar os genes adiante junto às fêmeas até que a fadiga o impeça de continuar. Sabe-se inclusive que um veado nessa situação pode chegar a sofrer sintomas graves de inanição, pois seu ímpeto por brigar e copular é tão grande que ele se esquece de comer. A “fama de viado” do veado – perdoem-me, politicamente corretos – talvez exista por causa do comportamento dos machos perdedores (mas é problema deles e ninguém tem nada com isso), ou talvez por causa dos antigos Cigarros Veado, que por ter filtro branco eram exclusivos das mulheres, ou ainda por causa dos homossexuais da Praça da República, no Rio, que quando eram perseguidos pela polícia na década de 1920 "corriam como veados", segundo consta. Mas não importa: o veado "tem ampla aceitação na Europa e nos Estados Unidos", como diria a Susanita da Mafalda do Quino, e isso o qualifica a ser um digno símbolo são-paulino – coisa que, mundialmente, &lt;a href="http://rraurl.uol.com.br/forum/index.php?act=Attach&amp;amp;type=post&amp;amp;id=8845"&gt;ele já é&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já sendo, que seja. &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYndZEwd4TI/AAAAAAAAAN8/k0PjfYCGLFc/s1600-h/474px-Thierachern-coat_of_arms_svg.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299009859421593906" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 87px; CURSOR: hand; HEIGHT: 96px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYndZEwd4TI/AAAAAAAAAN8/k0PjfYCGLFc/s200/474px-Thierachern-coat_of_arms_svg.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os elementos da cultura ocidental que registram a ampla admiração do veado pelo homem são os mais variados. A heráldica européia (heráldica é a arte dos escudos de armas da nobreza) tem dezenas de brasões ornados por veados e por galhadas, como é o caso da cidade alemã de Dotternhausen, da suíça Thierachern (foto) e da francesa Raon aux Bois, entre inúmeros outros exemplos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achou meio coisa de franga? As garrafas de Jägermeister, bebida alcoólica alemã loca&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnUgLwSMTI/AAAAAAAAANU/kDs3ktxqpMY/s1600-h/jagermeister.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299000085954310450" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 160px; CURSOR: hand; HEIGHT: 94px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnUgLwSMTI/AAAAAAAAANU/kDs3ktxqpMY/s200/jagermeister.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;lmente conhecida como “cola-de-fígado” e do tipo que deve ser “consumida por lenhadores da Floresta Negra cumprindo pena de trabalhos forçados”, como disse meu irmão Mario, são ornadas com um imponente veado.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnUqwhvNUI/AAAAAAAAANc/nn2RygNdpiU/s1600-h/Glenfiddich.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Mas o teor alcoólico do Jagermeister é pequeno”, dirão os críticos, apenas 35%, “ainda é meio bambi”. Pois há um &lt;em&gt;scotch &lt;/em&gt;single malt (portanto, bebida de macho, como disse novamente o Marinho), o Glenfiddich, que també&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnd52TtJGI/AAAAAAAAAOE/TLrO7v5CNPM/s1600-h/Glenfiddich_v1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299010422478546018" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 162px; CURSOR: hand; HEIGHT: 103px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnd52TtJGI/AAAAAAAAAOE/TLrO7v5CNPM/s200/Glenfiddich_v1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;m leva um veado no rótulo. Glenfiddich, aliás, significa “Vale dos Veados”, o que nos faz perceber que, antes de um estigma social, o animal é inspiração da toponímia de inúmeros países, havendo lugares chamados Ilha dos Veados, Vale dos Veados, Rio dos Veados, Parque dos Veados ou Lago dos Veados, por exemplo, nas mais variadas línguas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No esporte os exemplos são igualmente comuns. O Milwaukee Bucks, da liga americana de basquete, tem como símbolo um veado – &lt;em&gt;buck &lt;/em&gt;é um veado macho adulto. O Kashima Antlers, da liga japonesa de futebol, também – &lt;em&gt;antlers&lt;/em&gt; são as galhadas que os caç&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SY910VW2OeI/AAAAAAAAAOk/eXCQrb_cQls/s1600-h/bucks.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300584828384983522" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 103px; CURSOR: hand; HEIGHT: 127px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SY910VW2OeI/AAAAAAAAAOk/eXCQrb_cQls/s200/bucks.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;adores gostam de colecionar como troféus. Há exemplos em outras searas, também: a transnacional de equipamentos agrícolas John Deere traz um veadinho saltitante em seu logo corporativo, talvez por trocadilho com o nome (&lt;em&gt;deer &lt;/em&gt;é a denominação popular da família dos cervídeos, em inglês)&lt;em&gt;;&lt;/em&gt; a Browning, fabricante de armas e artigos para caça, estilizou o veado em sua valiosa marca que simboliza a coragem do caçador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparem portanto a imprensa da historiografia oficial que a história está prestes a se repetir como farsa. O bambi viril será registrado para a posteridade como nobre virtude de um clube de fidalgos, será celebrado nas ruas pela plebe ignara, será gravado em livros relatando conquistas e em bandeiras de torcidas, será cantado pela claque com fervor. Questão de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E do &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XO9kBX1fmPw"&gt;velho Vamp&lt;/a&gt; &lt;em&gt;só o povo &lt;/em&gt;vai lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pude evitar pensar meio metro de tempo em como seria divertido se o Palmeiras tivesse o mesmo ímpeto inventor de tradições das velhas elites paulistanas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os porcos têm orgasmos de meia hora!”;&lt;br /&gt;“Acumulam proteína eficientemente!”;&lt;br /&gt;“São inteligentíssimos!”;&lt;br /&gt;“Na Itália são usados para encontrar trufas!”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Agradecimentos fraternos ao Mario, ele vai saber o motivo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-4884313760357564527?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/4884313760357564527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=4884313760357564527' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4884313760357564527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4884313760357564527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2009/02/bambi-o-viril-ou-cronica-de-uma.html' title='Bambi, o Viril'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SY9wZjtdzzI/AAAAAAAAAOc/-7E45WY0mYI/s72-c/bambi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-4660073166113035630</id><published>2009-01-21T14:04:00.014-02:00</published><updated>2009-01-21T15:40:15.370-02:00</updated><title type='text'>Torcedor é Isso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;* Por Hermano Penna&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem me julga só vascaíno, sapeco na cara e provo. Não esperei, como certos que conheço, amigos almofadinhas para torcer. Com essa filosofia foi que me incorporei ao bando de Boca de Sapo, na gloriosa jornada do dia 13 de outubro de 1977. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293802075900195986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 277px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdc8LVBtJI/AAAAAAAAAS4/ItrwusMKInc/s400/sc000506ae.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;E foi com Boca e sua turma que atravessei a noite e afrontamos a madrugada e o início do dia seguinte. Fomos os últimos no quadrilátero que vai de Pinheiros até a Mooca. Enfrentamos a polícia, paus e pedras de sãopaulinos, santistas e palmeirenses. Queimamos bandeiras inimigas. Nossa Jihad não encontrou forças para ser detida. Caveira, o ordenança de Boca de Sapo, bom de cachaça e de porrada, segurava todas. Caveira é aquele que está de cabeça pra baixo, numa das fotos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293800712462916658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 258px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdbs0IP3DI/AAAAAAAAASg/DXQQY-FQaeM/s400/sc000506ae02.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;Encontrei a distinta turma no Largo da Batata, no bar da Gia Quente, do finado Rodarte. O começo não foi fácil. Afinal, eu só tinha tomado umas quatro lapadas de Biter Russo, uns cinco Rabos de Galo, uma tantas cervejas, e umas oito Branquinhas ditas lá das bandas de Piracicaba.Tava pronto para enfrentar qualquer exército inimigo e comemorar a vitória do Timão. &lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293801204978734946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdcJe5K12I/AAAAAAAAASo/438_qsUY7oA/s400/sc000506ae01.jpg" border="0" /&gt;Mas, Boca de Sapo no começo ficou arredio. Branco no samba, sabe como é. Mas, Raimundo Mãe do Cão foi com minha cara, alíás não sei se com minha cara ou com meu bolso farto e generoso. O fato é que as desconfianças não resistiram por muito tempo e logo todos nós estávamos a subir a Teodoro Sampaio. Uma gloriosa campanha. Inesquecível epopéia de ardor pelo Timão, porradas e malvadezas.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293800387522622914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 260px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdbZ5ocdcI/AAAAAAAAASY/saKTw6XmiDE/s400/sc000506ae03.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Logo de cara fechamos o Bar de Manuel Chupeta, aquele da Teodoro com Lacerda Franco, o infeliz era torcedor da Ponte Preta. Só ameaçamos quebrar o balcão. Logo depois, perseguimos uns quatro sãopaulinos e insultamos as mães de uns palmeirenses. Vou logo ao inventário: quarenta e duas mães xingadas. Vinte sãopaulinos escorraçados. Cinco cachorros apedrejados, dois com graves lesões nos rabos. Três gatos gravemente feridos e mais dois com leves escoriações. Três bares fechados. Algumas lâmpadas quebradas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293799146737158434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 257px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdaRrWIySI/AAAAAAAAASQ/tt3pznFgJ88/s400/sc000506ae04.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vinte e duas bandeiras de times inimigos queimadas. Agressões variadas á lixeiras bueiros e barracas. Cento e duas cervejas tomadas. Oito garrafas de cachaça. Cinco de vodka e três de cinzano. Muita cantoria e confraternização. Curtimos a festa da Paulista e ainda subimos e descemos a Rebouças umas quatro vezes, a Paulista umas três, isso depois de todo mundo ter ido embora. Tudo era alegria, até aparecer uma viatura da polícia e eu me escafeder pela Peixoto Gomide.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293798657088186834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 272px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdZ1LQuadI/AAAAAAAAASI/RnFjcu8zgrA/s400/sc000506ae05.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por último, vejam o despacho para abrir os caminhos do Timão, realizado no domingo anterior ao grande jogo, dedicado ao Senhor das Sete Encruzilhadas e feito na Praia Grande, por mim e o companheiro Inácio Cú Fino. Pois é, se alguém ainda repetir a blasfêmia de que não sou corintiano, vou chamar Boca de Sapo e sua turma pra uma certa conversinha, tenho dito. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* O precioso relato, escrito pelo amigo Hermano Penna, é a prova que de louco, todo mundo tem um pouco.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-4660073166113035630?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/4660073166113035630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=4660073166113035630' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4660073166113035630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4660073166113035630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2009/01/torcedor-isso.html' title='Torcedor é Isso'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdc8LVBtJI/AAAAAAAAAS4/ItrwusMKInc/s72-c/sc000506ae.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-4570873110378190126</id><published>2008-11-06T17:04:00.091-02:00</published><updated>2008-11-11T16:12:31.374-02:00</updated><title type='text'>Os Segredos da Obamaravilha</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Por Chico Garcia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos, amigas, democratas, blogueiros e leitores, eu irei vos contar como quase me tornei um republicano do alto escalão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bar do Seu Zé. São Paulo, Brazil - &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;September 30&lt;span style="font-size:78%;"&gt;th&lt;/span&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;21:13am local time&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo começou quando estava no boteco com meu amigo Tiago Marconi (em papo de campanha política baiano é autoridade) e confessei nunca ter tido tanto a sensação de que o marketing tinha adquirido uma sobre importância perigosa, na política e no futebol.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNYexYXBPI/AAAAAAAAANQ/XWV1Xjcn0B0/s1600-h/imnot+eternal.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265649675001070834" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 289px; CURSOR: hand; HEIGHT: 293px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNYexYXBPI/AAAAAAAAANQ/XWV1Xjcn0B0/s400/imnot+eternal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pude deixar de lado, em meus comentários, a campanha do senhor Geraldo e a camisa roxa do Corinthians, mas eu sabia que a galinha dos ovos de ouro estava mesmo é lá pelas bandas de Chicago. Era o fenômeno do senhor Barack, atraindo mais gente do que jogo do Flamengo, que me despertava atenção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Comecei a suspeitar &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNEOg54ZqI/AAAAAAAAALo/uyTcVtfDIjA/s1600-h/imnot+eternal.jpg"&gt;&lt;/a&gt;de que algo estranho pairava sobre a cúpula democrata. Para mim, a grande questão por trás da cortina da mídia sempre foi apenas uma: Quem era o real marqueteiro de Barack Obama? Aqueles liberais ecologistas do partido eram incapazes de tal feito, fantoches na mão de um gênio meticuloso que eu desconhecia. A partir daí as coisas começaram a esquentar...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Home. São Paulo, Brazil&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; - &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;October 1&lt;span style="font-size:78%;"&gt;st.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;08:45am local time&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fui investigar minhas suspeitas à primeira luz da manhã. Adquiri inúmeros folhetos democratas pela internet e colei-os abaixo de uma silhueta negra, com um grande ponto de interrogação em cima. Quem, afinal, poderia elucubrar tantas frases de efeito? Quem poderia tocar o povo com mensagens publicitárias tão bem planejadas? Quem teria essa capacidade sem sequer levantar as suspeitas republicanas? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após horas de reflexão, estava certo de que já havia ouvido frases bem parecidas em algum lugar. E foi em um comício democrata pelo &lt;em&gt;youtube&lt;/em&gt; que descobri a verdade. Atrás da cortina, longe do centro do palco, uma figura misteriosa parecia sussurrar frases que em seguida eram colocadas à mesa de Obama.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266095038074395442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 280px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRTtiUHfGzI/AAAAAAAAAQo/sAP5asY9_cQ/s400/pp.JPG" border="0" /&gt;E o mais intrigante: seus pés raramente tocavam o chão. Pareciam levitar, voar como um beija-flor. Quem, afinal, além de bolar frases tão impactantes, era capaz de parar no ar dessa forma? O marqueteiro de Barack Obama era Dadá Maravilha!&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O beija-flor, gênio da grande área e da propaganda, o maior frasista da história do futebol. Dario conhecia bem o povo - conquistou com seu marketing nada menos do que as torcidas de Flamengo, Inter e Atlético - e agora ajudava por algum motivo o partido democrata. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;McCain não tinha a mínima chance. Apenas a minha ajuda poderia salvar sua campanha. E então tive uma idéia brilhante, botada em prática três dias depois. Secretamente, ajudaria a desmascarar a farsa da “obamaravilha”, me aproximaria do senador McCain e, se ele fosse eleito, teria influência política para tentar convencê-lo a participar da maior e mais crucial de todas as parcerias bilaterais da história das Américas (depois do fracasso da ALCA), a construção do estádio da Fiel, em Miami.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265983489503307362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 312px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRSIFVTqpmI/AAAAAAAAAPA/qVkQRku7SZo/s400/frases+do+maravilha.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Telefonista me ligue com o Quartel General Republicano, urgente! Ninguém atendeu. Revirei então minha agenda até encontrar o que procurava. Tinha em mãos o &lt;em&gt;messenger&lt;/em&gt; de Angélica Bush, sobrinha distante de George, que recentemente fez intercâmbio na FFLCH. Claro que ela se zangou por eu nunca ter ligado de volta, mas logo me perdoou, quando comentei que ela parecia magra. Meu nível de acesso estava garantido e a equivocada estratégia de McCain havia de ganhar um fôlego extra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Withe House. Washington D.C - &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;October 7&lt;span style="font-size:78%;"&gt;th&lt;/span&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;16:08h local time&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poucos dias depois me vi sendo paparicado pela equipe republicana da Casa Branca, ainda que meu sobrenome hispânico causasse certa resistência. Comecei mostrando tudo que sei sobre o conceito de estratégia. Depois, expliquei que os milhões de dólares gastos na &lt;em&gt;Google Operation&lt;/em&gt;, que consistia em procurar no Google terroristas com o sobrenome “Obama”, estavam esvaziando os cofres da campanha sem sucesso algum. Era um brasileiro, ex-jogador e falastrão, o marqueteiro secreto dos democratas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conheci McCain logo em seguida. E provei por a mais bê que as frases do Dadá eram o trunfo da campanha democrata. Contei que, no Brasil, o atacante já teve tantos adeptos que chegou fundar uma religião, o dadaísmo. Obama era a camuflagem democrata perfeita em torno do fenômeno Dadá, mas a mim eles não engavavam. Afinal, Barack é bom falador, mas não é grande &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNJA97GzGI/AAAAAAAAAMg/_4KbNkzpFi0/s1600-h/irm%C3%A3os+obama+juventude.JPG"&gt;&lt;/a&gt;frasista, o que é quase a diferença entre um bom bebedor e um bêbado. Convenci McCain que Obama não era nem cristão e nem muçulmano, Obama era dadaísta. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Federal Bureau of Investigation. Washington D.C -&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;October 14&lt;span style="font-size:78%;"&gt;th&lt;/span&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;14:22hs local time&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRTmfXlmx0I/AAAAAAAAAQY/xAuYcLLCw3k/s1600-h/irm%C3%A3os+obama+juventude.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266087290885031746" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 275px; CURSOR: hand; HEIGHT: 196px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRTmfXlmx0I/AAAAAAAAAQY/xAuYcLLCw3k/s400/irm%C3%A3os+obama+juventude.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os programas avançados do FBI fizeram o resto. Dadá e Barack são incrivelmente parecidos quando rejuvenescidos a uma idade equivalente. Seriam irmãos? Filhos bastardos? Terroristas disfarçados (sugeriu Pallin)? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava mais do que certo de que Obama e o Beija Flor guardavam algum segredo que tinha de descobrir, com a maquina republicana aos meus serviços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265651687415087650" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 227px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNaT6NQAiI/AAAAAAAAAN4/Kmyp_dimPus/s400/inter+de+1976.JPG" border="0" /&gt;Rapidamente estava me sentindo em casa, boa gente esses republicanos. Ganhei charutos cubanos de Bush pai, acesso ao salão oval nas tarde de terça e uma linda funcionaria da NSA ao meu dispor, Agent Liu Takawara. Com suas habilidades de hacker, Liu invadiu a rede da CBF e descobriu, entre outras coisas, que o campeonato brasileiro de 1976 foi comprado em favor do internacional, por influência do Maravilha e ajuda de Jimmy Carter. No mesmo ano, em contrapartida, o centro avante colorado ajudou o democrata a derrotar Gerald Ford, com outra campanha avassaladora, nas eleíções americanas. As provas estavam ali, e só faltava escancarar a relação entre Barack e Dadá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Withe House. Washington D.C&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;-&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;October 27&lt;span style="font-size:78%;"&gt;th&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;21:34pm local time&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poucos dias para o início das eleições e a conexão de internet do quartel republicano era inexplicavelmente lenta. Esculachei alguns militantes e resolvi relaxar, reconhecendo que estava tudo perdido. Procurei algo agradável para ouvir, fumando um charuto, quando percebi que a resposta que buscava sempre esteve na capa de um de meus discos. Era ele, só podia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O falecido um sete um mais famoso dos morros cariocas, Bezerra da Silva, era o pai. Um apologista das drogas, das armas, conhecido no meio do tráfico, um ícone das favelas do Rio de Janeiro, pai de Barack Obama? Seria o suficiente para convencer os eleitores a votar em McCain? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266025707535031506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 188px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRSuevuzXNI/AAAAAAAAAPg/tf1BOGRCvko/s400/pais.JPG" border="0" /&gt; Achei que, no mínimo, poderia convencer os judeus, e fui pedir uma investigação minunciosa quando, no mesmo ato, vejo Liu correndo em minha direção com paginas soltas na mão direita, caindo ao chão conforme ela se aproximava. As evidências estavam lá, gritantes, escondidas na própria autobiografia de Obama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele revela que o filme ítalo-brasileiro “Orfeu Negro”, de 1959 (adaptação altamente libidinosa de uma história mitológica grega ambientada em uma favela carioca na época do carnaval), mudou para sempre a vida de sua mãe, que era uma patricinha, Obama colocou a corda em torno do próprio pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNKcWEuO-I/AAAAAAAAAMw/R2aknlWOsLE/s1600-h/pais.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRTfEwHloHI/AAAAAAAAAPw/upp_l5XsD8k/s1600-h/palin.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266079137032151154" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 201px; CURSOR: hand; HEIGHT: 291px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRTfEwHloHI/AAAAAAAAAPw/upp_l5XsD8k/s400/palin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mais do que suspeito, levando em conta a acusação. O malandro partideiro seduziu a Sra. Obama por tras dos olhos do Sr. Obama e podia ser também pai de Dadá, porque não? Isso explicaria o auxílio de um dos maiores marqueteiros da história na campanha do irmão mais novo.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saltei da poltrona, apaguei o charuto e liguei para Sarah. Precisamente às 23h00min daquela noite entregaria a ela uma pasta de conteúdo high-classified, revelando toda a verdade por trás de Barack Obama, no nosso cantinho secreto atrás do &lt;em&gt;Washington Memorial&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Acordei no dia seguinte com uma dor de cabeça inexplicável. Me recordo apenas de ter ido a alguma espécie de clube e notado que Pal parecia bem mais bonita do que o de costume. Duas aspirinas e já estava de pé. Tinha de começar a articular a segunda fase do plano, uma aproximação do ranzinza do Mccain com o pouco visionário do Andrés Sanchez. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vislumbrei parceiros poderosos e começei a procurar patrocinadores. E enquanto esperava na linha para conversar com o presidente de uma cervejaria porto riquenha, usei todos os meus conhecimentos em geografia para fazer um projeto do fielzão em escala.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266085036558450994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 342px; CURSOR: hand; HEIGHT: 255px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRTkcJkRATI/AAAAAAAAAP4/gGfNJBjSyS4/s400/File0048.jpg" border="0" /&gt;O Estádio seria um tipo de arena, localizado em &lt;em&gt;South Beach&lt;/em&gt;, uma espécie de praia grande de Miami. No pacote, havia também dois aeroportos pra Fiel, um em &lt;em&gt;Key West&lt;/em&gt;, outro em Itaquera. Além do ginásio, o Fielzinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;International Lands - &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;November 5&lt;span style="font-size:78%;"&gt;th&lt;/span&gt;. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Time Unknowed&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRSu1711fYI/AAAAAAAAAPo/SoM5JxuCy8M/s1600-h/liu+takawara.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266026105922747778" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 154px; CURSOR: hand; HEIGHT: 231px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRSu1711fYI/AAAAAAAAAPo/SoM5JxuCy8M/s400/liu+takawara.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; As emissoras anunciaram a vitoria de Obama mais cedo do que pensei, mas não fiquei surpreso ou mesmo triste. Acho que já esperava por isso. Aquela mesquinha da Palin provavelmente nunca entregou a pasta a ninguém, pra me sacanear. Vai desmascarar a fraude Obama quando der na telha dela (alguém duvida que aquela piranha ainda vai querer assumir a Casa Branca?) e nem me chamar. Conformado, comprei um barril de cerveja para a equipe, jantei com Liu pela ultima vez e e me desliguei do partido republicano para sempre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só questionei meus sentimentos pouco altruístas espremido entre a quarta e a quinta fileira da classe econômica, voltando pra casa, reconhecendo que talvez fosse melhor dar uma chance aos democratas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imaginei, bebericando um vinho de quarta categoria, haver formas mais corretas de realizar o sonho do Fielzão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNiK8tKGDI/AAAAAAAAAOg/xXM657S3KiI/s1600-h/cao+cao.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265660329559988274" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 216px; CURSOR: hand; HEIGHT: 235px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNiK8tKGDI/AAAAAAAAAOg/xXM657S3KiI/s400/cao+cao.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Como estaria a festa dos simpatizantes de Obama ao redor do mundo? Voltei ao meu lugar, recostei no assento e imaginei a narração de Galvão Bueno (é amigo, o Brasil é Obama desde criancinha), mas achei que não, não chegava a tanto. Liguei meu Ipod e comecei a escutar as batidas cadenciadas, as rimas ácidas e a mensagem sagaz do velho Bezerra. Presidente caô caô. E enfim dormi.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-4570873110378190126?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/4570873110378190126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=4570873110378190126' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4570873110378190126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4570873110378190126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/11/os-segredos-da-obamaravilha.html' title='Os Segredos da Obamaravilha'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNYexYXBPI/AAAAAAAAANQ/XWV1Xjcn0B0/s72-c/imnot+eternal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-3451436197564139299</id><published>2008-10-16T21:57:00.013-03:00</published><updated>2010-08-14T21:56:46.673-03:00</updated><title type='text'>Um martelo agalopado para o futebol nordestino no cordel sem-fio</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Esse projeto de martelo agalopado foi composto à luz da inspiração que os grandes repentistas nordestinos de São Paulo despejaram sobre mim recentemente, por ocasião de um projeto cinematográfico da 13 Produções cujo lançamento está previsto para o começo de 2009.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O repentismo é uma forma de arte verdadeiramente incrível. Um bom cantador repentista domina várias dezenas de formas diferentes, cada qual com seus motes, seus temas, esquemas de métrica, rima, ritmo e melodia, e pode cantar em público de improviso sobre praticamente qualquer coisa, acompanhado de sua expressiva viola.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Inacreditavelmente, os repentistas reclamam que sua arte está se perdendo. Eles dizem estar envelhecendo sem que as novas gerações se interessem por ela).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O martelo agalopado é uma destas modalidades, inventada na passagem do século XIX para o XX pelo paraibano o Silvino Pirauá de Lima. Inspirado no martelo, formato criado no século XVII com base no verso heróico - o verso de Camões em "Os Lusíadas", por exemplo -, e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;le é composto por estrofes de dez versos (ou décimas) com dez sílabas cada, com as tônicas na terceira, sexta e décima sílabas e rimas no esquema ABBAACCDDC, podendo haver variações. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pessoalmente, considero o martelo agalopado uma das modalidades mais bonitas de todo o repentismo. Cantado é ainda mais bonito, mas isso por ora vou ficar devendo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ZP&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um martelo agalopado para o futebol nordestino no cordel sem-fio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou falar de um assunto muito antigo&lt;br /&gt;numa forma há tempos praticada&lt;br /&gt;que já foi muito longe pela estrada&lt;br /&gt;e na gente encontra seu abrigo.&lt;br /&gt;Peço sua atenção meu caro amigo&lt;br /&gt;para um povo que é rico de tutano,&lt;br /&gt;mas mistura o sagrado e o profano&lt;br /&gt;desejando que o esporte seja grato:&lt;br /&gt;se mandinga ganhasse campeonato&lt;br /&gt;no nordeste era empate todo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na nação nordestina a bola rola,&lt;br /&gt;tem na mata, no agreste e no sertão,&lt;br /&gt;seja terra ou grama é nosso chão,&lt;br /&gt;pé descalço ou de trava sob a sola.&lt;br /&gt;Pois o jeito que o povo se consola&lt;br /&gt;da incerteza inerente ao ser humano,&lt;br /&gt;é um jeito que não cartesiano&lt;br /&gt;e poeta não vive só de fato,&lt;br /&gt;[mas] se mandinga ganhasse campeonato&lt;br /&gt;no nordeste era empate todo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi trabalho, vudu e vi padê,&lt;br /&gt;vi despacho, ebó, feitiçaria,&lt;br /&gt;vi macumba, serviço e bruxaria,&lt;br /&gt;coisa-feita, encomenda e canjerê.&lt;br /&gt;Já vi cabra que crê e que não crê&lt;br /&gt;perguntando o futuro pra cigano,&lt;br /&gt;santo dando chabu, pedindo abano&lt;br /&gt;e por isso defendo sem recato:&lt;br /&gt;se mandinga ganhasse campeonato,&lt;br /&gt;no nordeste era empate todo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homenagem à luta, à tradição,&lt;br /&gt;Tricolores, Dragão, Nêgo, Baru,&lt;br /&gt;Galo do Seridó, Coral, Timbu,&lt;br /&gt;Fortaleza e Recife têm Leão.&lt;br /&gt;Fluminense da borda do sertão,&lt;br /&gt;Botafogo, Fogão paraibano,&lt;br /&gt;ouça bem, Tricolor corinthiano,&lt;br /&gt;Dinossauro e Touro que é pato:&lt;br /&gt;se mandinga ganhasse campeonato,&lt;br /&gt;no nordeste era empate todo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um poeta não pode ser injusto&lt;br /&gt;com a honra e memória dos heróis&lt;br /&gt;que entregaram seu sangue sob os sóis,&lt;br /&gt;conquistando a glória a muito custo.&lt;br /&gt;Não foi santo nem orixá robusto,&lt;br /&gt;que levou a esfera sobre o plano,&lt;br /&gt;Foi Lampião de gibão feito de pano&lt;br /&gt;e Corisco veloz, talento nato.&lt;br /&gt;Se mandinga ganhasse campeonato&lt;br /&gt;no nordeste era empate todo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Futebol é um jogo tão perfeito,&lt;br /&gt;não permite saber quem é que ganha,&lt;br /&gt;a não ser se for caso de barganha&lt;br /&gt;de cartola que é sempre reeleito.&lt;br /&gt;Vejo nisso um tremendo desrespeito&lt;br /&gt;ao poder de um povo soberano.&lt;br /&gt;É o destino, senhor nosso tirano,&lt;br /&gt;quem escolhe se é golaço ou mato:&lt;br /&gt;se mandinga ganhasse campeonato,&lt;br /&gt;No nordeste era empate todo ano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-3451436197564139299?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/3451436197564139299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=3451436197564139299' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3451436197564139299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3451436197564139299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/10/um-martelo-agalopado-para-o-futebol.html' title='Um martelo agalopado para o futebol nordestino no cordel sem-fio'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-4040133804995089472</id><published>2008-06-23T22:52:00.016-03:00</published><updated>2008-06-23T23:24:14.406-03:00</updated><title type='text'>Uma breve história não-eurocêntrica do futebol</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por Tiago Marconi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(quase todo o photoshop: Caio Polesi)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto do companheiro de zaga Chico Garcia, publicado no início de maio, ao contrário do que o número de comentários pode dar a imaginar, teve enorme repercussão no meio acadêmico. Como era minha vez de escrever e andei muito ocupado com trabalhos e com o Corinthians para poder refletir sobre futebol de maneira lúdica, inteligente e que cative o leitor (ou os leitores, contando comigo), resolvi apenas resumir um pouco das ponderações de alguns intelectuais com muita circulação nas instituições acadêmicas do mais alto grau etílico do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBXen_8FNI/AAAAAAAAAFo/YcFmnxzJlDM/s1600-h/hippies-legenda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBXen_8FNI/AAAAAAAAAFo/YcFmnxzJlDM/s400/hippies-legenda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215264552139887826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Dez minutos após a publicação da crônica, meu telefone tocou. Do outro lado, Sean Fitzgerald. Sean é um dos muitos irlandeses que acessou o blog devido ao texto sobre o Bohemian, é historiador e professor de Football Studies na CSN (Coláiste Stiofáin Naofa, Faculdade de Educação Continuada), em Cork (inclusive o pai dele jogou nos Cork Bohemians, time que não existe mais, mas isso é outra história). Grande admirador do futebol britânico e irlandês disse estar de acordo sobre o ideal implícito do futebol, “usar a violência e extravasar a raiva em seus semelhantes, sejam eles pobres, ricos, fortes ou fracos, mas especialmente ingleses”. Ponderou, no entanto, que alguns estudos recentes no Brasil e nos Estados Unidos apontavam para uma origem no sudeste da América, provavelmente entre Sergipe e o Espírito Santo. Disse que a ligação estava saindo muito cara e o gelo estava derretendo, mas que me mandaria os contatos dos pesquisadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de Fitzgerald, por algum motivo, ter mandado o e-mail em irlandês, consegui pinçar os nomes e e-mails de Thomas Bogart e Jahilton Verde. Os dois trabalham juntos numa pequena missão arqueológica que reúne a Universidade do Colorado e a UFBA (Universidade Federal da Bahia), num lugar não divulgado da&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBYDWzkizI/AAAAAAAAAFw/URwvCh6JhZE/s1600-h/jahilton-legenda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBYDWzkizI/AAAAAAAAAFw/URwvCh6JhZE/s400/jahilton-legenda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215265183179770674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; chamada Costa do Dendê. Assim que entrei em contato, fui convidado a ir conhecer a missão. Sem medir esforços em nome da informação precisa, peguei meu caderninho, câmera fotográfica, protetor solar, óculos escuros, sunga, chinelos e me mandei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bogart, estadunidense de Wray, Colorado (quase Nebraska, quase Kansas), é PhD em arqueologia e há décadas pesquisa “indícios de presença humana em regiões tropicais litorâneas de notória beleza”. Afirma ter encontrado um fóssil de coco datado de 4 mil anos em Arembepe, no verão 1970, ao lado de um esqueleto com traumatismo craniano e diversos calos ósseos no pé direito. “Em várias praias da região se encontrou esqueletos masculinos com calos nos pés, alguns deles rodeados de esqueletos femininos e pedras preciosas” – diz o cientista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jahilton, carioca da Tijuca, formado botânico e mestre em história, fez seu doutorado em antropologia, com o título “o hábito de se tomar água de coco – uma abordagem multidisciplinar”. Ele afirma que, ao contrário das versões amplamente difundidas “em revistas &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBWelg6HNI/AAAAAAAAAFY/T1rVB4DKxBQ/s1600-h/marcelinho-legenda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBWelg6HNI/AAAAAAAAAFY/T1rVB4DKxBQ/s400/marcelinho-legenda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215263451961236690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;de culinária” de que o coco viria do delta do Ganges ou do Pacífico Sul, há evidências muito fortes de que ele se espalhou a partir do Equador pela costa amazônica (que na época era mangue) até atingir a costa do Nordeste, de onde foi levado para o mundo no ciclo do açúcar. Diz que descobriu por acaso um registro sobre algo parecido com o futebol – “que sempre achei um saco” – na carta do segundo enrabadiço da frota de Cabral, Tomás Pinto da Costa, a Josefina Silva, dama de companhia da infanta Maria, filha de D. Manuel I. “Costa deixa claro que Caminha esteve por demais preocupado com vergonhas altas e cerradinhas para notar muitos aspectos da cultura indígena. E além disso é literariamente superior, mas pela função, digamos, pouco nobre do autor do relato na tripulação, o documento fica escondido”.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBW8ryGenI/AAAAAAAAAFg/GN4C8PixZ_w/s1600-h/beijo-legenda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBW8ryGenI/AAAAAAAAAFg/GN4C8PixZ_w/s400/beijo-legenda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215263969040038514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com as pesquisas dos dois, os índios Pataxó da costa da Bahia chutavam cocos de uma praia a outra como forma de se comunicar. As condições para pesca, o avanço de uma tribo inimiga, a chegada dos portugueses, tudo era avisado dessa maneira. “Era uma forma de comunicação complexa, que exigia força e muita precisão... Um passe errado da tribo A podia ser interpretado pela tribo B como ‘casamento amanhã, rsvp’ e, enquanto a tribo B se arrumava, a tribo C vinha e a destruía... Era um mundo violento como hoje, mas a técnica individual definia os resultados. Os responsáveis pelos chutes gozavam de muito prestígio” – contou Jahilton. Ao longo do tempo, com os portugueses cada vez mais presentes na costa, os índios tinham que ser rápidos e habilidosos para chegar até a praia, fugir dos brancos, chutar e voltar para a tribo, assim se desenvolveram o elástico, o rolinho, a finta, a olhadinha para o outro lado, a comemoração girando os braços com os punhos fechados (defesa pessoal muito eficiente). Bogart defende que “depois de 3500 anos jogando livremente ou contra tribos sem cultura tática defensiva, os brasileiros tiveram que aprender a lidar &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBYWz-eoYI/AAAAAAAAAF4/xmAkVkLpVpE/s1600-h/morales-legenda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBYWz-eoYI/AAAAAAAAAF4/xmAkVkLpVpE/s400/morales-legenda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215265517427663234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;com a marcação, essa sim uma invenção européia”, e completa: “em nenhum registro europeu supostamente sobre futebol se menciona a bola, são registros de batalha”. Verde explicou ainda que, antes dos contestados documentos europeus medievais, houve precursores do futebol na China, no Japão, na Grécia, no México e em Roma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois me levaram ainda para conhecer o último representante da cultura futebolística Pataxó, que tentou demonstrar sua técnica mas estava mais para Galeano do que para Gérson. Ao questioná-lo sobre seu forte sotaque hispânico, porém, o humor dos três, que até então me tratavam como um príncipe, mudou radicalmente e tive que antecipar minha viagem de volta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-4040133804995089472?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/4040133804995089472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=4040133804995089472' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4040133804995089472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4040133804995089472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/06/uma-breve-histria-no-eurocntrica-do.html' title='Uma breve história não-eurocêntrica do futebol'/><author><name>Tiago Marconi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10536114558516673798</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBXen_8FNI/AAAAAAAAAFo/YcFmnxzJlDM/s72-c/hippies-legenda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-7357752965001761720</id><published>2008-05-06T16:34:00.019-03:00</published><updated>2008-05-08T15:29:29.768-03:00</updated><title type='text'>Uma Breve História do Futebol</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por Chico Garcia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelos longínquos mil quinhentos e setenta e tantos, a vida era uma difícil e doce sucessão de tragédias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não havia guerra, os tediosos tempos de paz eram meses em que se precisava viver intensamente, livre para experimentar todo o gosto da fruta.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC6tu4ppmI/AAAAAAAAAIA/QUB8MfZAg-U/s1600-h/futebo02.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197359264828073570" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC6tu4ppmI/AAAAAAAAAIA/QUB8MfZAg-U/s400/futebo02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E deu que, entre cada porre e cada coito, o povo inflava uma bexiga de boi no sopro, dava um nó na ponta e saia a chutá-la pela rua. Quem estivesse de posse do artefato era o alvo principal - não só das botinadas (diga-se), mas dos socos, cabeçadas e até mesmo punhaladas ou martelos aremessados a esmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, o costume foi conferindo identidade aos grupos que o praticavam. Os criadores de ovelha se achavam mais durões do que os ferreiros, que por sua vez consideravam os vendedores de cebola um bando de fracotes. Ao passo que, alguns minutos após seu início, os jogos dividiam a multidão em dois times, um querendo bater no outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim nasceu o futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por várias décadas, o que determinava vencedores e vencidos era a desistência de um dos lados - e na maioria das vezes os vencidos precisavam fugir a passos largos. Naturalmente, depois veio a existir o gol, mesmo que em formas ainda rudimentares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inflamados por rixas locais e crenças seculares (o ponto alto da temporada era a terça feira gorda, orgia de festividades que antecedia a quarta feira de cinzas), os jogos tinham um sério problema de ordem cívica: sempre acabavam em juramentos de vingança. Assim, de Henrique II a Jaime II da Escócia, ao longo de 150 anos, foram ao todo 11 proibições ao &lt;em&gt;futball&lt;/em&gt;, praticado por nobres e camponeses, jovens e velhos; e velhos, diga-se de passagem, no alto de seus 45 anos e ainda sem lesões terminantes de guerra. &lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC2Y-4ppjI/AAAAAAAAAHo/nwiwEGG8bH4/s1600-h/historia_do_futebol1.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197354510299276850" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 171px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px" height="172" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC2Y-4ppjI/AAAAAAAAAHo/nwiwEGG8bH4/s400/historia_do_futebol1.gif" width="226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São inúmeras ordens de prisões e denuncias de tribunal que registram, por anos a fio, um duradouro confronto entre as autoridades e os amantes dos jogos de bola, considerados, por muitos aristocráticos medievais (e atuais) um bando de desordeiros, bêbados, ignorantes e briguentos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Era uma forma de tentar manter a burguesia na linha, impedindo desordens semelhantes à “Tragédia de West Cheapside”, em 1539, iniciada numa partida entre os negociantes de pele contra os vendedores de peixe e, três dias depois, encerrada com cavaleiros e nobres se atirando à multidão com lanças em punho, enquanto um arqueiro ensandecido protegia o gol disparando flechas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais débeis e ilegais que fossem os diversos jogos dos quais derivam o futebol moderno (alguns deles muito parecidos com o Rugby), as pessoas o amavam, assim como o amam hoje. Por isso, suas proibições nunca foram levadas a sério - e os torneios ilegais borbulhavam ao longo de toda a Ilha da Bretanha, contando até com a participação de “equipes” formadas por oficiais da lei e generais de guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma documentada confusão conhecida como "A Batalha de Ruyslippe", evidencia que casos de morte eram muito comuns e apeteciam ao publico, pois eram formas menos elitistas de exposição ao sangue (ou você acha que um camponês endividado tinha cavalo e armadura para participar de duelos?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contam os pergaminhos menos preservados, alguns com manchas de vinho, que um tal Roger “&lt;em&gt;The Red&lt;/em&gt;” Ludford, lavrador de família camponesa com extrema competência no cultivo das batatas roxas, era o maior brucutu da idade média. Ele era tão temido que nunca houvera quem derrotasse a sua facção de coração, os proprietários rurais do condado, notórios arruaceiros beberrões que se reuniam para tomar porres na Taberna de Arthur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia o time dos lavradores acabou por enfrentar a turma dos alfaiates malfeitores de Woxbridge, maiores &lt;em&gt;bad-boys&lt;/em&gt; da época. Foi então que centenas de camponeses, rameiras, comerciantes, padres e até soldados aglomeraram-se aos montes, todos em volta do antigo pasto dos Suassen (o de maior capacidade de todo o condado), apenas para presenciar o confronto épico entre as duas facções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos se deram o motivo e o trabalho de imortalizar os vencedores num jogo provido de tamanha brutalidade, mas um registro de tribunal datado do mesmo ano de 1576, que ordena a prisão de cerca de meia dúzia de transgressores, encontram-se as seguintes acusações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em Ruyslippe, Arthur Reynolds, lavrador e mais cinco outros pequenos proprietários rurais, todos do vilarejo, e mais Nicholas Martin, Richard Turvey e Thomas e Martin Darcy, todos alfaiates de Woxbridge, estão formalmente acusados de transgressão às leis da coroa e devem responder por briga seguida de morte, ocorrida durante uma reunião ilegal de outra centena de desordeiros desconhecidos para praticar um jogo ilícito chamado de futebol(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inquirição do magistrado provincial - &lt;em&gt;post morten&lt;/em&gt; ocorrida em Soputhemys perante o corpo de Roger Ludford – apurou com o veredicto dos jurados que Nicholas Martin e Richard Turvey estavam a jogar futebol contra as facções de Ruyslippe quando o dito Roger Ludford e um Certo Simon Maltuns, da mesma paróquia, entraram na disputa e partiram para cima de Nicholas Martin com ameaças verbais, quando esse respondeu que tudo seria decidido ali mesmo(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo momento, Roger Ludford partiu em direção ao rival que possuía a bola com a intenção de atingir ambos, jogada após a qual Nicholas Martin desferiu uma punhalada no peito de Roger Ludford com o braço direito, atingindo-o com um ferimento mortal. A vitima ainda veio a sofrer outro golpe duro de Richard Turvey, morrendo em um quarto de hora, da forma pela que Nicholas e Richard mataram desta maneira criminosa o dito Roger”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que elas nunca foram devidamente apuradas e diversas outras mortes ou atentados criminosos ocorreram misteriosamente, acometendo certos envolvidos na confusão e alguns que não tinham nada a ver com a história. Foram dias de nuvens vermelhas, lutos, duelos e disputas que até hoje fazem com que um Ludford olhe torto para qualquer Martin ou Turvey por aquelas bandas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*** &lt;/div&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC4d-4ppkI/AAAAAAAAAHw/r_STehiL5QU/s1600-h/Gravura1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197356795221878338" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 193px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px" height="175" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC4d-4ppkI/AAAAAAAAAHw/r_STehiL5QU/s400/Gravura1.jpg" width="208" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sobre o prometido ensaio Uma Breve História do Futebol, confesso que desisti por aqui. Consta que de 1576 pra cá as regras mudaram (ou foram criadas, como prefiram), o jogo virou esporte, se profissionalizou e agora é praticado por qualquer mariquinha de todos os credos e cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futebol de hoje é cheio de &lt;em&gt;fair plays&lt;/em&gt; irritantes e firulas previsíveis. Ganhou plasticidade e beleza de encher os olhos, mas perdeu parte do ideal implícito em sua gênese: usar a violência e extravasar a raiva em seus semelhantes, sejam eles pobres, ricos, fortes ou fracos, porque a vida é curta e vence o mais esperto. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-7357752965001761720?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/7357752965001761720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=7357752965001761720' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7357752965001761720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7357752965001761720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/05/l-pelos-longnquos-mil-e-quinhentos-vida.html' title='Uma Breve História do Futebol'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC6tu4ppmI/AAAAAAAAAIA/QUB8MfZAg-U/s72-c/futebo02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-7081319664592428145</id><published>2008-04-16T19:35:00.021-03:00</published><updated>2010-08-14T21:57:08.085-03:00</updated><title type='text'>De como as prostitutas coríntias inspiraram a rivalidade paulistana</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/SAdM8JKlqHI/AAAAAAAAAIc/IbdqULMfbd8/s1600-h/ceramica+cor%C3%ADntia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190201691703978098" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/SAdM8JKlqHI/AAAAAAAAAIc/IbdqULMfbd8/s400/ceramica+cor%C3%ADntia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Naqueles velhos tempos, naquele lugar estreito, o que movia a vontade dos homens era o cheiro doce de damas como Laís, a mais famosa dentre as muitas mulheres da difícil vida fácil da Antigüidade; vinha-se de muito longe comerciar e, por quê não, gozar os prazeres de zona portuária do istmo. E a cidade-estado de Corinto, onde &lt;em&gt;non licet omnibus adire (&lt;/em&gt;onde nem todos podem ir, por ser cara&lt;em&gt;), &lt;/em&gt;estava sempre cheia de entusiastas da primeira profissão, vivendo &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;en passant &lt;/span&gt;embora intensamente ao lado - em sentido muitas vezes literal - de hedonistas de cores múltiplas e de tipos para quem a libertinagem imperava sobre os sistemas rígidos de valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O antigo-vendedor-de-barracas-agora-evangelista Paulo percebeu que não havia lugar na Terra mais carente de uma boa evangelizada. Aquilo era demais! Como assim, ignorar Deus e viver desse jeito?! Se um único porto na existência carecia da Palavra, esse porto era Corinto, que contribuía tanto para os quadros do inferno que o Coisa-Ruim, naqueles tempos de experimentação em que Deus ficava cada vez mais famoso (estamos falando da década de 50 d.C.), já pensava em cobrar uma tarifa por excesso de contingente - idéia que seria abandonada quando o excesso de contingente entrando no inferno começou a se mostrar uma constante histórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois Corinto era de uma tal liberalidade moral que Paulo, cuja capacidade de evangelização acabaria lhe garantindo o certificado oficial de santo entregue em mãos pelo todo-poderoso em pessoa, esse Paulo de Tarso que tinha o poder do milagre em suas mãos, fôra deliberadamente ignorado pela maior parte da população. Tentara algumas conversões e acabara voltando para Éfeso de mãos abanando, deixando em Corinto uma igreja descreditada com fiéis deseperados por orientação em um mundo bem terrenamente paradisíaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Paulo, o apóstolo dos gentios, um Paulo muito do trabalhador, nunca desistia diante de uma obra inacabada. Frustrado pela fraqueza da Igreja na paróquia, sentou-se para escrever uma carta conclamando fidelidade e força. A "Carta de São Paulo aos Coríntios", posteriormente seguida por outra epístola, acabaria anexada à Bíblia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente, ela diz: "Cristão de Corinto! Ao vosso redor, impera a mais ampla balada, mas não arrefecei diante disso que Deus vai premiar vosso bom comportamento. Agüentai a tentação e ficai na vossa que esses baladeiros e esportistas mercenários não perdem por esperar - vão queimar nas chamas do Tinhoso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há em especial uma passagem que faz referência direta aos Jogos Ístmicos, disputados todo ano em Corinto. Escreve São Paulo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;(Coríntios I, 9:24-27)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Com essa penada, São Paulo fundou o esporte amador e o atleta de Cristo. Voemos então uns 18 séculos para a frente na história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Inglaterra vitoriana (século XIX), auge do &lt;em&gt;British Empire&lt;/em&gt;, floresce na educação um movimento auto-denominado "cristandade muscular" (&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;muscular christianity&lt;/span&gt;) que preconizava que o bom cristão, o bem educado construtor do Império, devia praticar esportes, mas sempre "buscando a coroa incorruptível" ao invés da "corruptível". O esporte, nesses berços do balípodo que foram escolas públicas católicas como Eton, Oxford e Cambridge, era visto como um meio para o desenvolvimento físico e moral do cidadão, nunca como uma disputa por dinheiro ou pela vitória por si. Isso foi denominado o "ideal coríntio do amadorismo" (&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;the Corinthian ideal of amateurism)&lt;/span&gt;, e foi em torno dele que se organizaram as primeiras ligas esportivas de cavalheiros na Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ideal &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;coríntio,&lt;/span&gt; vejam bem, por causa da carta e jamais por causa dos próprios coríntios, que não perdiam uma boa balada por nada e entravam no estádio pra ganhar. O coríntio médio era devasso à beça, tanto que São Paulo apareceu como uma espécie de moralizador-geral da parada.&lt;br /&gt;O time de futebol mais amador do mundo, aquele que se orgul&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/SAdiFpKlqKI/AAAAAAAAAI0/LGJ46DhuC8c/s1600-h/corinthians_1896-7.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190224944656918690" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/SAdiFpKlqKI/AAAAAAAAAI0/LGJ46DhuC8c/s320/corinthians_1896-7.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;hava do &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;fair play &lt;/span&gt;e de seu&lt;br /&gt;ideal a ponto de avisar ao árbitro quando marcava ilegalmente, era o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Corinthians Amateur Gentleman's Football Club - &lt;/span&gt;o time coríntio, fidelíssimo à epístola de Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bonzinhos que eram os cavalheiros do &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Corinthians - &lt;/span&gt;e bons de bola, também, fique claro - quando operários e estrangeiros começaram a poder jogar por dinheiro o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;scratch &lt;/span&gt;começou a levar biaba atrás de biaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, nobres &lt;em&gt;gentlemen &lt;/em&gt;que não viam nada de estranho em abordar o árbitro com um justíssimo &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"excuse me, Sir, but I respectfully disagree with your call - I beg you to disallow the goal I just scored" ("com licença, senhor, eu respeitosamente discordo de sua marcação - imploro para que anule o gol que acabei de fazer"), &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.kozmikfish.co.uk/stories/corinthian%20spirit.pdf"&gt;como fez o centro-avante Archie Carruthers em um jogo decisivo da FA Cup contra o Barcherster United&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro, operários e estrangeiros sedentos pelos privilégios dados aos plebeus vitoriosos, motivados por salários, por "bichos" e pela possibilidade de folgas no trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era evidente que o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Corinthians&lt;/span&gt; altruísta ia cair em desuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao perder proeminência na Inglaterra, o que não tardou com o alvorecer do profissionalismo no futebol inglês, o time&lt;em&gt; &lt;/em&gt;saiu em diversos &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;tours&lt;/span&gt; pelo mundo para difundir o futebol e o ideal do amadorismo - como se fazia no rugby até pouco tempo atrás. Foram à África do Sul, Hungria, Escandinávia, Estados Unidos, Canadá e Brasil. Alguns de seus legados: a camisa branca do Real Madrid, a popularização do futebol na África do Sul e, é claro, o Corinthians Paulista, cujos fundadores admiraram o futebol redondo daqueles &lt;em&gt;boyzinhos &lt;/em&gt;gentis &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt;e decidiram homenagear o alvi-negro da terra da Rainha&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt; &lt;/span&gt;em seu próprio clube em fundação&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;A ironia da história: São Paulo escreve aos Coríntios, inspirando o Corinthians Football Club, que inspira o Corinthians Paulista, da cidade de São Paulo, que tem um clube cujo nome fôra inspirado pela homenagem a São Paulo feita em 1554, que é rival do Corinthians.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biblicamente falando, São Paulo nunca foi muito com a cara dos &lt;em&gt;corinthians&lt;/em&gt;, e os &lt;em&gt;corinthians&lt;/em&gt; nunca se deram muito com São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Futebolisticamente, menos ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Alguns comentários que talvez só interessem a mim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Corinthians pode ser enquadrado, assim sendo, na categoria "times com nomes gregos", com vários pares mundo afora. Como escreveu o ótimo David Keyes, de San Diego, California, no ótimo &lt;a href="http://cultureofsoccer.com/"&gt;Culture of Soccer&lt;/a&gt; (&lt;a href="http://cultureofsoccer.com/2008/01/29/some-team-names-are-all-greek-to-me/"&gt;Some Team Names Are All Greek to Me&lt;/a&gt;), a lista engloba também Atalanta (Itália) e Sparta Rotterdam, Heracles Almelo e Ajax Amsterdam (Holanda)... Podemos acrescentar de nossa parte também o Atlas (México), o Hércules Alicante (Espanha), o Achilleas (Chipre), entre tantos outros de que não me recordo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro detalhe curioso é o caminho das palavras pelo tempo e pelo espaço. O nome grego do Curíntia fez o mesmo que palavras como "mídia" e "bactéria" - veio do grego via inglês, tendendo sempre à corruptela na última flor do Lácio. "Mídia" é o plural anglicizado do grego "&lt;em&gt;medium&lt;/em&gt;", usado no plural para falar o singular, tal qual "bactéria", que também é um plural grego que virou singular na nossa língua. Nessa passagem do grego para o inglês para o português, perdeu-se o mecanismo de flexão de número da gramática do grego, que os anlgófonos fizeram questão de preservar (&lt;em&gt;medium, media; bacterium, bacteria, stadium, stadia&lt;/em&gt;). Daí que sempre que alguém fala em "mídias", alguma coisa estranha acontece dentro do meu estômago, mesmo que o Houaiss aceite a palavra. Em Portugal, usa-se "média". Os média, como bem convém, ó, pá!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mais curioso ainda é o papel de cada time no futebol brasileiro atual. O São Paulo adota postura e discurso moralistas e moralizadores, de um modo que, embora nada amador, guarda algo do tom de São Paulo em sua carta aos coríntios - especialemente quando uma figura como Marco Aurélio Cunha abre a boca para falar do arqui-rival. Note-se a diferença gritante de que, ao fazer gol de mão, o São Paulo faz o velho Carruthers (assim como o próprio São Paulo, o de Tarso) se remexer no túmulo - não vi ninguém pedindo a anulação contra o pobre time verde, como o corinthiano Carruthers com certeza faria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o Corinthians, eterna baderna, é o garoto devasso da história, colocando no orçamento até lingerie de secretária. Entretanto, seu modelo administrativo é um dos mais "são paulinos" dos clubes grandes do Brasil - ao menos naquilo que se refere ao amadorismo. Se o Corinthians não fosse amador em alguma coisa, não faria jus ao nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-7081319664592428145?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/7081319664592428145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=7081319664592428145' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7081319664592428145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7081319664592428145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/04/de-como-as-prostitutas-corntias.html' title='De como as prostitutas coríntias inspiraram a rivalidade paulistana'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/SAdM8JKlqHI/AAAAAAAAAIc/IbdqULMfbd8/s72-c/ceramica+cor%C3%ADntia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-1918690611998838940</id><published>2008-03-28T13:27:00.014-03:00</published><updated>2008-03-28T14:28:14.121-03:00</updated><title type='text'>Pela última vez, RRRRRRRRonaaaaaldo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;por Tiago Marconi&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E Ronaldo conseguiu. De novo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Onde estava Ronaldo em 2010?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="text-align: justify;float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; " src="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R-0lj4C83cI/AAAAAAAAAEY/TT7O7wJqN4Q/s200/rnzrBrrr.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182840044443721154" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seu último drama começou em 2008, entre a vergonhosa copa de 2006 e aquela que fez a de 2006 parecer razoável, 2010. Na primeira delas, o fiasco do quadrado mágico, do time baladeiro, vaidoso e gordo de Parreira. Na segunda, o misterioso corte de Juan, Robinho e o goleirão Felipe, em cima da hora, por sugestão de Zico, e a fratura dupla de Ronaldinho Gaúcho (salvador de todos os jogos até a semi-final com gols tirados da cartola) causada por um carrinho motivador do técnico Dunga, que declararia no mesmo dia dever isso ao craque por um chapéu num Gre-Nal e querer provar que Copa do Mundo não se ganha com talento, mas com onze dungas em campo e um zangado no banco. 2010 doeu tanto que nem se discutiu muito em botecos nos últimos 4 anos. Apreciadores da seleção de 82 e defensores de de 94 concordavam logo, houve todo um resgate cultural das seleções de 90, 98 e até 2006. Frases como “Lazaroni era um estrategista”, “O que faltou à seleção foi um Taffarel” ou “Mazinho e Zinho é que era dupla de meias” (esta última dita por Fernando Calazans) pipocavam aqui e ali nas modorrentas, quentes e resignadas noites de domingo do país do futebol.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora em 2014 – não é preciso comentar a organização da Copa do Mundo do Brasil, comandada por Ricardo Teixeira desde a prisão federal de Cuiabá –, tudo estava estranho. Depois de um belo começo da seleção de Wanderley Luxemburgo (contratado depois de bem sucedida parceria com Teixeira no time do pavilhão 1), o time caiu de produção e se arrastou pelas oitavas, quartas e semis, mas alcançou a final depois da antológica disputa de pênaltis contra os favoritos Estados Unidos. A final dos sonhos, Brasil x Argentina. Aos 36 minutos de um 0 a 0 de tirar o fôlego, o promissor volante argentino Dieguito Simeone dá um carrinho criminoso em Pato, quebra-lhe a tíbia e o perônio e o juiz lhe dá amarelo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Luxemburgo olha para o banco e, no meio daquela garotada, ocupando dois lugares, está o veterano camisa 9, com um penteado sem cabelos no topo da cabeça (não por vontade própria), tomando um milk shake e folheando uma Playboy (“Está vendo essa aqui? Já peguei!”). O&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="text-align: justify;float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; " src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R-0mNYC83dI/AAAAAAAAAEg/9l5HBb6wzqA/s200/20060620-fofomeno230.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182840757408292306" /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; treinador o chama. Ronaldo. O Fenômeno. Um dos maiores centro-avantes da história, que desde 2009 só fizera trinta e poucos gols. Ele, que disputava posição no improdutivo ataque do Flamengo. Ele, que fora convocado apenas porque Zico declarou que, se fosse o técnico, não o levaria. Com algum esforço, o craque se levanta. Ao ver sua rechonchuda silhueta saindo de trás da cobertura do banco de reservas, o Maracanã produz um urro de surpresa. Pato sai no carrinho-maca. Ronaldo entra no campo aos 38’. No camarote, o jovem Ronald, ao lado da namorada Sasha, abre um sorriso dentuço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O jogo é o mais tenso que já se viu. Os argentinos catimbam, os brasileiros prendem a bola&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;excessivamente. Aos 41, Ronaldo se movimenta bem e chega até a linha lateral, onde bebe água. A bola, disputada na intermediária brasileira, cai por algum motivo em seus pés. Ele levanta a cabeça e, como um navio, parte. Cruza a linha intermediária com a bola dominada e vai ganhando velocidade, dribla todo e qualquer cabeludo de azul que aparece no caminho. Durante uns poucos segundos, ninguém no Maracanã respira, os narradores do mundo inteiro se calam, bilhões de olhos se arregalam. Ronaldo entra na área, o goleiro dá dois passos à frente. De pé esquerdo, o centro-avante golpeia violentamente a bola, que cruza em diagonal a&lt;/div&gt;&lt;img style="text-align: justify;float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; " src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R-0oHYC83fI/AAAAAAAAAEw/qoJ5cTNKeHY/s200/rivalidade3.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182842853352332786" /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pequena área já consciente de seu destino: morrer na rede lateral, rente à trave. Gol do Brasil. Ronaldo cai, ninguém vê. O Maracanã sente uma alegria contida e multiplicada há 64 anos. Os argentinos não entendem nada. Quando o craque se levanta, o mundo nota abaixo de seu joelho esquerdo não haver mais nada. Parada, caída, gloriosa entre a marca do pênalti e a linha da pequena área, jaz a metade de baixo da perna esquerda de Ronaldo, de chuteira azul e meia branca, onde mais tarde seria enterrada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saída não se sabe de onde, uma multidão de belas mulheres parcamente vestidas, invade o gramado do Maior do Mundo, ergue Ronaldo nos ombros e desaparece pelo portão principal. O juiz encerra o jogo. Não se sabe o paradeiro de Ronaldo. Ninguém ousará perguntar pelo craque ou procurá-lo em seu merecido paraíso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, o hexa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Obrigado, Ronaldo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-1918690611998838940?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/1918690611998838940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=1918690611998838940' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/1918690611998838940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/1918690611998838940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/03/pela-ltima-vez-rrrrrrrronaaaaaldo.html' title='Pela última vez, RRRRRRRRonaaaaaldo'/><author><name>Tiago Marconi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10536114558516673798</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R-0lj4C83cI/AAAAAAAAAEY/TT7O7wJqN4Q/s72-c/rnzrBrrr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-9142419081559746659</id><published>2008-03-17T13:42:00.015-03:00</published><updated>2008-04-28T13:38:00.671-03:00</updated><title type='text'>Lembranças Incólumes de um Carnaval Imperfeito</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por Chico Garcia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os motivos de uma tragédia são sempre bestas: não cabem numa nota de jornal, chateiam em uma crônica e poucos valem um romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito mais importantes são os fidedignos relatos da memória do povo, de todos os sambistas anônimos, andarilhos fugazes e testemunhas sóbrias que ali estavam, pois ninguém jamais vai esquecer aquele São Jorge.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R96kbR3KdBI/AAAAAAAAAGc/kTblg84svlw/s1600-h/sao_jorge.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178757410080846866" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 171px; CURSOR: hand; HEIGHT: 175px" height="225" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R96kbR3KdBI/AAAAAAAAAGc/kTblg84svlw/s320/sao_jorge.jpg" width="250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O carro era uma alegoria primorosa, acabado à mão por noites inteiras. Estava pronto para entrar no desfile e ser o lúdico que deveria ter sido, não fosse tamanha a selvageria desse sábado de fevereiro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não houve espanto e não faltaram alertas. O conto estava escrito há tempos, com páginas e páginas permeadas pela falta de bom senso, diligência e incapacidade de prever o óbvio. O repórter apurou, o jornal publicou e o leitor já sabia muito antes disso que as torcidas organizadas se armavam até os dentes, para o que deveria ser um simples desfile de blocos carnavalescos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A invasão dos grupos de arquibancada no sambódromo começou como um ideal de existência e terminou como estratégia de sobrevivência, povoando de agremiações fanáticas de todos os times (algumas delas repletas de bandidos armados, que acabam vindo para a avenida no meio de muita gente boa) o grupo de acesso do carnaval paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no dia 22 de Fevereiro de 2003, em pleno Anhembi, tudo o que todos previam virou realidade. A.J.J, o Sukita, presidente de uma das maiores torcidas organizados da cidade, foi preso por espancar até a morte um torcedor de uma agremiação rival; e, não obstante, também como suspeito de assassinar a tiros o carnavalesco Ruy Luciano Nogueira, de vinte e cinco anos, apenas porque o artista plástico se recusou a ver um de seus carros alegóricos destruído. Um particularmente belo, que trazia a imagem de São Jorge, o guerreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruy foi enterrado sob revolta. As lágrimas da injustiça ainda permanecem frescas em sua lápide e ninguém jamais foi preso ou sequer julgado pelo crime hediondo que deu cabo à sua vida. Sukita responde pelo primeiro homicídio citado - uma pena de quatorze anos, com liberdade condicional em sete – por falta de provas concretas de que, conforme contam por aí, empunhou a arma usando a camisa de seu time de coração e disparou três balas contra a cabeça do carnavalesco, tão e somente porque ele trabalhava para uma torcida rival.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há de se discutir a existência das organizadas na avenida e há de se respeitar sua tradição, dentro e fora das arquibancadas. Quem sabe não seja possível, através da igualdade do samba, criar raízes de tolerância sem que seja necessário policiar o carnaval tão ostensivamente quanto o futebol. Enquanto não se chega lá, contudo, deve-se marcar de perto a existência desses grupos nos desfiles; e torcer, torcer muito, para que outra tragédia como essa não venha a acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espada brilhante do herói desferia o golpe final no dragão mitológico e era para ser vista por todos. Mas amanheceu escondida por um plástico negro, ao lado do corpo desfalecido de seu criador. Quando por uma simples disputa de arquibancada um carnavalesco teve de morrer protegendo sua obra, o sambódromo paulista assistiu de uma vez por todas a vitória da violência sobre a ternura; e de um bando de imbecis sobre todas as outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prisioneiro de sua arte, o próprio artista foi réu no tribunal indecifrável dos destinos mundanos, culpado pela transfiguração do mundo e devoção cega ao trabalho que tanto amava. Seu veredicto, todo torto desde o início, foi que deveria deixar o mundo assim: abraçado com um filho esculpido em isopor, colorido com tinta e imortalizado na história coberto de sangue. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;agradecimentos ao parceiro de boteco Lello di Sarno, que esses dias puxou o assunto, já enterrado pelo tempo, antes de pedir outra cerveja.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-9142419081559746659?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/9142419081559746659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=9142419081559746659' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/9142419081559746659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/9142419081559746659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/03/lembranas-inclumes-de-um-carnaval.html' title='Lembranças Incólumes de um Carnaval Imperfeito'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R96kbR3KdBI/AAAAAAAAAGc/kTblg84svlw/s72-c/sao_jorge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-8361326980577722872</id><published>2008-03-08T13:55:00.009-03:00</published><updated>2010-08-14T21:57:25.287-03:00</updated><title type='text'>Torcida Split</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;p&gt;Foi um torneio estrambótico do começo ao fim. Nunca houvera nem jamais houve desde então tanta coisa incomum em 3 semanas de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Iugoslávia estreou devagar mas voltou do intervalo rasgando, pra guardar 3 num time suíço que na próxima partida arrancaria um empate do Brasil aos helveticamente marcados 88 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo jogo, amornado o calor da estréia, foi um doce 4 a 1 sobre um México que já pavimentava sua tradição de embuste, tal qual sua ex-metrópole. Era pra ter sido de zero, gol de honra de pênalti depois dos 40 não alivia nem macula. Só registra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho, tudo muito do estranho; e na partida decisiva da primeira fase da Copa de 50 a vantagem do empate era da Iugoslávia sobre o Brasil. E o jogo no Maraca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o &lt;em&gt;maracanazo&lt;/em&gt; que nunca houve já não havia mais aos três minutos. Três minutos e os iugoslavos já tinham começado a se conformar. Mais tarde tomariam outro já pensando em caipirinha. A Copa acabara. Quinto lugar -bom! E o Brasil por aqueles tempos devia ser o país mais feliz do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Split é uma bela cidade portuária na costa da Dalmácia, atual Croácia, que fora devolvida à Iugoslávia pelos italianos derrotados na Segunda Guerra apenas quatro anos antes da Copa de 50. Em Split o Brasil deixou uma marca sem nem saber, fruto direto daquele Maracanã lotado do Brasil 2, Iugoslávia 0 que nos classificou para o Maracanazo.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UpluJw6YI/AAAAAAAAAHY/Xh8ngk61QZw/s1600-h/torcida.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UrWeJw6bI/AAAAAAAAAHw/CPJWf-Xz8LI/s1600-h/torcida.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5176091011783387570" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UrWeJw6bI/AAAAAAAAAHw/CPJWf-Xz8LI/s200/torcida.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um grupo de torcedores do principal clube da cidade – o orgulhoso HNK Hajduk Split, time do General Tito que recusara um lugar na primeira divisão italiana quando sua cidade estava ocupada –, testemunha deslumbrada da derrota para o Brasil no Maracanã, decidiu fundar uma torcida agora que tudo estava calmo e o campeonato nacional voltava a ser disputado. A torcida precisava de um nome. Por quê não... torcida? &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UrnOJw6cI/AAAAAAAAAH4/O-YOZU2pDrE/s1600-h/torcida+zagreb.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5176091299546196418" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UrnOJw6cI/AAAAAAAAAH4/O-YOZU2pDrE/s200/torcida+zagreb.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 28 de outubro de 1950 foi fundada oficialmente a &lt;em&gt;Torcida Split&lt;/em&gt;. Assim mesmo: &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UqKOJw6ZI/AAAAAAAAAHg/fflUYlLkhNQ/s1600-h/torcida+zagreb.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;torcida, &lt;/em&gt;em servo-croata. &lt;em&gt;Tortchida&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Hajduk Split já ganhou sete iugoslavões, oito croatões, nove títulos da Copa da Iugoslávia e quatro da Copa da Croácia. Já jogou Copa dos Campeões e foi até as quartas. Revelou Boksic, Jarni, Kranjcar, Tudor e o perna-de-pau australiano Skoko. Quando a &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UqlOJw6aI/AAAAAAAAAHo/a-2zXEME0K8/s1600-h/180px-Hajduk-jugend.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5176090165674830242" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UqlOJw6aI/AAAAAAAAAHo/a-2zXEME0K8/s200/180px-Hajduk-jugend.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Croácia terminou a Copa do Mundo em terceiro lugar na França em 98 – resultado pra botar inveja em quase todo mundo –, 5 titulares eram do Hajduk Split. O clube é além disso uma das principais caras da identidade local dálmata, o único clube a ter torcedores não-croatas na antiga Iugoslávia e o favorito disparado no agora-talvez independente Kosovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada disso deu notoriedade à Torcida Split. Ela andou freqüentando o noticiário foi por causa de episódios de intolerância que chamaram a atenção a uma camiseta polêmica à venda em seu site na internet. A camiseta, usada com brio pelos integrantes da Torcida, traz a inscrição Hajduk Jugend, em óbvia alusão ao grupo paramilitar nazista Hitler Jugend, a “Juventude Hitlerista”. E o chefe da Torcida declarou em meio à poeira levantada pelo escândalo de racismo contra atletas negros que “a Torcida sempre foi direitista”, afirmando também que não era nazista e apenas gostava do desenho da águia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirando o fato de que a Torcida Split é bem chegada em trocar sopapos com a Bad Blue Boys do NK Dinamo Zagreb, a semelhança com as brasileiras acabou ficando só no espírito dos fundadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Agradecimentos de novo ao Daniel Schultz, que ouviu da boca de um popular de camiseta da Torcida Split, em Split, que “sim, nossa torcida se chama Torcida”, e “não, eu não sei o que significa”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-8361326980577722872?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/8361326980577722872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=8361326980577722872' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/8361326980577722872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/8361326980577722872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/03/torcida-split.html' title='Torcida Split'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UrWeJw6bI/AAAAAAAAAHw/CPJWf-Xz8LI/s72-c/torcida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-7406242349338913456</id><published>2008-02-29T21:54:00.016-03:00</published><updated>2008-02-29T23:32:04.337-03:00</updated><title type='text'>A boemia é uma caixinha de surpresas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i6lEaR_wI/AAAAAAAAACs/hE5xHXrhW_c/s1600-h/CrestBohsSmall.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i6lEaR_wI/AAAAAAAAACs/hE5xHXrhW_c/s200/CrestBohsSmall.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172589318036913922" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Certa madrugada, perambulava eu, àquela altura já sozinho e bastante alccolizado, pelas ruas paulistanas, rumo a minha casa. Para quem gosta do esporte, sabe que é preciso fazer uma escala volta e meia, para reabastecer. Uma porta me pareceu convidativa e, após tropeçar num cachorro que quase me mordeu, vi-me num legítimo pub, penumbroso e enfumaçado. Sentei-me ao balcão, pedi um pint de cerveja e saquei do bolso um cigarro. Procurava um isqueiro nos bolsos, quando uma chama apareceu à minha frente. Sem me importar com sua origem, encostei a ponta do cigarro nela, traguei, tirei o cigarro da boca e me virei para agradecer. A figura ao meu lado surpreendeu-me. Um senhor aparentando seus 70 anos, um pouco menor que meu metro e sessenta, barbas brancas desgrenhadas, rosto vermelho, metido num paletó surrado, ostentava um sorriso embriagado que revelava dentes mal cuidados e um olhar ainda mais simpático do que seu gesto de oferecer a chama de seu isqueiro de ouro.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i62EaR_xI/AAAAAAAAAC0/h6J6U5zp3Fg/s1600-h/Labraid_Beadan.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i62EaR_xI/AAAAAAAAAC0/h6J6U5zp3Fg/s200/Labraid_Beadan.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172589610094690066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O velhote estendeu sua mão enrugada para mim e pronunciou seu nome, Labraid Beadan, que demorei alguns minutos para entender e umas 5 repetições ao longo das horas para fixar. Mais tarde, contaria seu significado: “Falador Pequeno”, o que, depois de meia hora de quase monólogo, não seria difícil entender. Contou-me ser de Dublin e ter chegado a São Paulo em plena greve da Light, após ter vindo a Santos clandestino em um navio. Perguntei se viera fugindo da guerra de independência e ele, com um sorriso a princípio constrangido e em seguida muito brejeiro, contou que após visitar uma adega com amigos em Cork, acordou no porão de um navio, com uma ressaca de matar. Revelou ainda que um marinheiro afirmou ter tirado ele de dentro de um barril de irish cream, que misteriosamente estava seco. Recusou-se a dizer sua idade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Começamos conversando sobre literatura irlandesa e eu, que não sou grande conhecedor dela, me impressionava com a intimidade com que Beadan tratava monstros sagrados da literatura (Jimbo Joyce, Sammy Beckett,...). Com a maestria de um professor e a intimidade de um grande mentiroso, destrinchava livros altamente complexos com frases simples e relatos pessoais (“Esse O'Connor, de Dublinenses, foi inspirado num sujeito que vivia bêbado e pagando de agitador político...”). Ao menor sinal de puxa-saquismo de minha parte, como perguntar como uma ilha de 4 milhões de habitantes tinha tantos grandes escritores, desdenhava de mim e de seu país, numa auto-ironia que deixava transparecer grande amor à terra natal. Contei-lhe que tinha bebido todo o meu dinheiro e respondeu que não me preocupase com isso. Tirou uma enorme moeda de prata da pequena bolsa que trazia e pediu mais duas, gesto que repetiria muitas e muitas vezes, para meu espanto, que não via de onde poderiam sair tantas moedas.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i7J0aR_yI/AAAAAAAAAC8/xqp3Bq34Nb4/s1600-h/mais_uma_bohs.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i7J0aR_yI/AAAAAAAAAC8/xqp3Bq34Nb4/s200/mais_uma_bohs.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172589949397106466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Perguntei-lhe se mantinha contato com a Irlanda e ele surpreendeu-me ao dizer que a cada poucos anos viaja para lá, além de acompanhar pela internet o desempenho de seu time. Quis saber que time era e ele, me olhando como se eu tivesse perguntado se ele era homem ou mulher, respondeu, “O Bohemian, ora”. Naquele momento notei que o futebol irlandês era uma incógnita, ao contrário de sua brava seleção. Meus olhos blogueiros se animaram e pedi-lhe que me contasse sobre o time e o futebol irlandês enquanto meus olhos boêmios se animaram com o nome do time e pedi mais uma cerveja ao garçom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bohemian Football Club, disse-me Beadan, é o primeiro time de futebol da Irlanda, fundado em 6 de setembro de 1890 no Phoenix Park, noroeste de Dublin, por funcionários públicos, estudantes de medicina, notórios paus-d’água e um gato. Na reunião de fundação, num pub cujo nome não lembrava (“Freqüentávamos tantos” – justificou), houve polêmica sobre o nome: os funcionários públicos e estudantes queriam chamar o time de Rovers, mas a maioria, incluindo o presidente Dudley Hussey, que deu seu voto de minerva, apoiou a proposta de Frank Whitaker (pé-de-cana que depois se regenerou e ingressou na Ordem de São João de Deus) de chamá-lo Bohemian, por causa da constante deambulação dos &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i74UaR_zI/AAAAAAAAADE/ewzb8Knhy1g/s1600-h/dalymount.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i74UaR_zI/AAAAAAAAADE/ewzb8Knhy1g/s200/dalymount.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172590748261023538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;componentes da equipe à procura de bares abertos e campos onde pudessem jogar bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O símbolo – mostrou-me Beadan, orgulhoso, em sua carteirinha – são os tradicionais 3 castelos que representam o zelo dos cidadão na defesa de Dublin. As cores, desde 1893, vermelho e preto. Até 1901, o clube mudou-se algumas vezes, o que lhe rendeu o apelido de The Gypsies, Os Ciganos. No verão desse ano (verão irlandês, bem entendido), o grande boêmio William John Sanderson, após noite animada num cabaré, acordou ao relento com um gato – o mesmo que fundou o time – lambendo-lhe a face num enorme descampado perto da linha do trem. Após praguejar, jurar que nunca mais voltaria a beber, levantar e dar alguns passos cambaleantes tentando entender onde estava, resolveu ir a um pub onde certamente encontraria alguns amigos de time e comunicou-lhes haver encontrado o lugar perfeito para a casa dos Bohemian. Após um brinde e algumas saideiras, foram todos para o descampado, seguindo o gato, porque Sanderson não lembrava o caminho. Ali, em setembro,&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i8g0aR_0I/AAAAAAAAADM/bA6zx_d393A/s1600-h/escudo_antigo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i8g0aR_0I/AAAAAAAAADM/bA6zx_d393A/s200/escudo_antigo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172591444045725506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; nasceria o Dalymount Park. Em 1921, em decorrência da secessão entre as Irlandas, a IFA (Ireland Football Association) virou a associação de futebol do Norte e foi criada a FAI (Football Association of Ireland). Dalymount Park era o melhor campo da república e tornou-se a casa da seleção nacional até os anos 70, quando a FAI resolveu sediar os jogos num estádio de rúgbi, com maior capacidade (Lansdowne Road). Nesse enorme meio tempo, após anos de fartura, lá pelos anos 60 os Bohs enfrentaram uma enorme crise financeira por causa dos custos de iluminação do estádio. Para tentar sair do vermelho, iniciou-se em 1969, o processo de profissionalização da equipe. Nos anos 70, o time reencontrou o caminho dos títulos e depois encarou novo jejum nos anos 80 e 90 (exceto por uma Copa FAI). Beadan afirmou que ganhar ou não títulos era o de menos, que o que valia era o espírito boêmio. Perguntei-lhe o que restava desse espírito e ele, para minha surpresa, afirmou que o gato, por exemplo, conhecido como Dalymount Cat, segue acompanhando os jogos no estádio. Além disso, citou um amigo em Dublin, cujo bar, destruído por hooligans, foi reconstruído após uma vaquinha dos torcedores. Revelou ter tentado intermediar a ida de Sócrates para o clube, quando ainda estudava medicina, mas preferiu não entrar em detalhes – observando apenas, ambiguamente, que as negociações foram um porre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei-lhe sobre a torcida. Contou-me ainda que, além de beber, os Bohs gostam de bom futebol e enchem o saco do time quando está jogando mal. Insisti para saber se havia alguma &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i9VUaR_2I/AAAAAAAAADc/xozxxfn_hrM/s1600-h/13991727a673450323b516662109l.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i9VUaR_2I/AAAAAAAAADc/xozxxfn_hrM/s200/13991727a673450323b516662109l.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172592345988857698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;tendência política ou religiosa predominante e, pela única vez na noite, Beadan se irritou, afirmando que a divisão de seu país em dois passava ao mundo essa impressão de que tudo o que existe lá é uma eterna disputa entre católicos e protestantes. Ainda alterado, afirmou que os torcedores apenas escolhem os times que lhes parecem mais simpáticos, que tinha ódio da imagem hollywoodiana de irlandeses brigões e bêbados. Pediu outra e se acalmou. Defendeu ainda que a divisão entre norte e sul, afora toda a questão político-religiosa, se deve ao interesse inglês em não tomar mais cacetes no futebol, pois se, por exemplo, George Best fosse simplesmente irlandês e não norte-irlandês, o futebol de seu país seria muito superior ao da Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura, Labraid perguntou para que time eu torcia e comentou, sarcástico, que os Gypsies nunca foram rebaixados. Disse ainda que a situação atual do clube é animadora, que um novo estádio está sendo erguido e o clube se orgulha de ser propriedade integral de seus sócios, bastando, para se associar, a indicação de 2 outros sócios e aprovação na assembléia geral. Previu que em breve, com o ciclo virtuoso na economia irlandesa, alguns jogadores brasileiros poderiam vestir a camisa rubro-negra, após a saída do grande&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i9z0aR_3I/AAAAAAAAADk/bl_7ZkJ43rg/s1600-h/fogo2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i9z0aR_3I/AAAAAAAAADk/bl_7ZkJ43rg/s200/fogo2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172592869974867826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; ex-vascaíno André Borges (comentário meu: quem???).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, levantou-se e disse que precisava ir. Convidou-me para ir a Dailymount Park enquanto é tempo, foi até a porta, virou para trás e me chamou com um gesto. Fui até lá e ele me disse que eu podia ficar tranqüilo quanto a toda a minha bebida. Antes que eu tivesse tempo de dizer “ã?”, virou-se de novo, montou no cachorro que continuava à porta e partiu de vez, deixando para trás outro boêmio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-7406242349338913456?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/7406242349338913456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=7406242349338913456' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7406242349338913456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7406242349338913456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/02/boemia-uma-caixinha-de-surpresas.html' title='A boemia é uma caixinha de surpresas'/><author><name>Tiago Marconi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10536114558516673798</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i6lEaR_wI/AAAAAAAAACs/hE5xHXrhW_c/s72-c/CrestBohsSmall.gif' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-4718093675354112964</id><published>2008-02-24T19:50:00.013-03:00</published><updated>2008-02-25T14:52:47.385-03:00</updated><title type='text'>Muito Além do Frango de Barbosa</title><content type='html'>Descobri que a campanha de Barack Obama tem um aliado sobrenatural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tramando pela vitória do senador de Ilinóis está ninguém menos do que a perturbada alma do velho Barbosa, um dos grandes jogadores da história do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei disso porque, recentemente, depois de ouvir um conhecido de longa data afirmar ceticamente que não há mais racismo no futebol brasileiro, visitei o terreiro de vovó Candinda e invoquei o espírito do injustiçado arqueiro da Copa de 50.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não se lembra ou nunca ouviu falar, o bom Barbosa aceitou &lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8IuNnRU5KI/AAAAAAAAAGM/A8sfeIM3ALQ/s1600-h/1950.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170746133589583010" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8IuNnRU5KI/AAAAAAAAAGM/A8sfeIM3ALQ/s200/1950.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;uma bola que decidiu o Mundial, na tragédia do Maracanazo, sendo então crucificado por toda a imprensa brasileira - boa parte dela discriminando-o pela cor de sua pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem negar que saiu de campo com as penas na mão, a alma “penada” do famoso goleiro possui a preta velha e saiu atirando nos jornais da época: “Barbosa vergonhoso”, chegou a publicar em negrito um jornal reacionário. “Jair covarde, desapareceu perante a marcação de Obdulio Varela”, “Bigode, jogador irresponsável” e por aí vai. Mesmo depois de apagadas atuações de Zizinho, Bauer e Juvenal no segundo tempo, os periódicos atiraram a culpa da derrota em cima dos atletas negros e mestiços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí do terreiro com a cabeça voltada em escrever uma crônica sobre a falta de respeito com os craques negros daquela Seleção. Mas o altruísta espírito de Barbosa continuou a me seguir e, onde quer que eu fosse ele estava lá, tentando me convencer de que não é um mártir, que eu deveria esquecer seu exemplo de vida e me concentrar em questões atuais. &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8H4EHRU5JI/AAAAAAAAAGE/KCyaSZbNBIo/s1600-h/barbosa2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170686596752925842" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8H4EHRU5JI/AAAAAAAAAGE/KCyaSZbNBIo/s200/barbosa2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma e outra aparição, Barbosa diz estar muito entristecido por não ter defendido o chute de Ghiggia e, mais ainda por presenciar do além-túmulo as manifestações racistas que insistem em assombrar o nosso futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, que nasceu numa época em que a discriminação racial tinha respaldo institucional e as circunstâncias do racismo no futebol eram dignas do sul do Mississipi, anda por aí, errante, onipresente e desfrutando dos privilégios de um mundo anti-material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua força vital perambula (emitindo vibrações poderosas) sempre alerta, orientando espiritualmente os militantes negros do mundo inteiro, apreciando a cultura Hip-Hop, trabalhando como ativista engajado de Obama e se relacionando com outras almas perdidas, como a de Martin Luther King, com a qual discute as diretrizes cósmicas das posições políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sono profundo, escrevi uma centena de notas sobre o tema ensejado, provavelmente sob a influência energética de Barbosa. Hoje, mergulhado em anotações que sequer possuem os traços de minha letra, vejo-me no dever de citar, na condição de um mero instrumento, algumas das posições firmes do ex-goleiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Infelizmente, se vende a imagem de que no Brasil o preconceito está desaparecido, ou então anda definhando, agonizando tão desprestigiado que, inclusive, anda sofrendo de preconceito...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... No Brasil onde todos os dirigentes são brancos, todos os narradores são brancos, todos os cronistas são brancos, todos os jornalistas, técnicos e empresários são brancos e, por coincidência, os políticos também são brancos, estou chocado por acreditarem nisso...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Não se comenta a integração dos negros no futebol como se faz, por exemplo, na universidade, na representação pública ou nas novelas, sem que ninguém conteste o motivo de não haverem presidentes de clube negros, médicos ou empresários negros...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Mesmo notando um notável avanço em relação ao passado recente, os negros ainda estão, na cabeça de muita gente, circunscritos à condição de craques, pagodeiros ou favelados...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Afirmações como “goleiros negros são pouco confiáveis” e “zagueiros brancos são melhores taticamente” são mais comuns do que se pensa...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Como a política e a cartolagem brasileira funciona à base de apadrinhamento e carreirismo nepotista, não vejo um futuro onde os negros estarão disputando a presidência da república ou mesmo da CBF...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Enquanto tratarmos o racismo com palavras mais elegantes como problema social ou discriminação racial e, sem qualquer espanto continuarmos a utliziar costumeiramente a palavra denegrir (rebaixar, tornar negro), podemos acreditar que ele não anda mais vivo do que nunca, nas bases mais fundamentais de nossa sociedade?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não Barbosa, não podemos. E, sem que a humildade de sua alma permitisse tal comentário pelas vias utilizadas, ainda sinto-me no dever de citar um fato histórico de extrema relevância, que você sequer mencionou: Em 1993, Barbosa foi proibido de entrar na concentração da Seleção brasileira para deixar seu incentivo. Zico, por outro lado, foi recebido com honra. E qual dos dois, diga-se de passagem, “amarelou” em mais em Copas do Mundo?&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8H1O3RU5HI/AAAAAAAAAF0/Td8qBpNXlp4/s1600-h/barbosa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170683482901636210" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 123px; CURSOR: hand; HEIGHT: 143px" height="128" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8H1O3RU5HI/AAAAAAAAAF0/Td8qBpNXlp4/s200/barbosa.jpg" width="111" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É o racismo, companheiros. Ele ainda está por aí, escancarado, nas&lt;br /&gt;arquibancadas nos gramados e nas cúpulas administrativas do futebol. &lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8H1TXRU5II/AAAAAAAAAF8/KR7Ch9-WxmQ/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espírito de Moacir Barbosa aguarda no purgatório por uma justiça tardia, para com os atletas negros do mundo inteiro, apenas para poder seguir a luz e descansar em paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-4718093675354112964?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/4718093675354112964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=4718093675354112964' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4718093675354112964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4718093675354112964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/02/muito-alm-do-frango-de-barbosa.html' title='Muito Além do Frango de Barbosa'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8IuNnRU5KI/AAAAAAAAAGM/A8sfeIM3ALQ/s72-c/1950.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-5734485321736375230</id><published>2008-02-14T17:59:00.008-02:00</published><updated>2010-08-14T21:57:39.296-03:00</updated><title type='text'>A metacrônica futebolística [inserir título sensacionalista]</title><content type='html'>O futebol anda cada dia mais [aquele chavão sobre aquilo que o futebol cada dia mais anda].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[A primeira é um caminhão e a segunda o seu baú e se tem uma coisa que o futebol não é mais, é [isso, parafraseado]].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ter passado a [hora do jogo] do [dia da semana] em [lugar onde assistiu o jogo], me fez [ver ou sentir, a depender da pretensão de objetividade] que [primeira pitada de esperança]. O [lance da semana que despertou esse fabuloso insight histórico] [adjunto adverbial de modo para dar ênfase] fez valer o [pagamento feito para ver o jogo]. Mostrou que [nota sobre a beleza única do [sinônimo ou metáfora para evitar o uso demasiado da palavra futebol]].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Frase lírica sobre o tempo em que o futebol era o que era e que não é mais]. [Metáfora curta, imagem]. Não é mais, caro [referência ao leitor], e [expressão saída diretamente da boca do povo]. A verdade é que estamos fadados a [sentimento repetido amplamente pelos mais informados comentaristas e também pelo do café com leite da padoca, pelo do táxi e pelo do bar].&lt;br /&gt;[adjunto adverbial de tempo], [isso que o futebol não é mais] pode ser visto estatisticamente, mesmo que [consideração sobre a imprevisibilidade do futebol]. [Pequena conclusão sobre os números continuarem não mentindo (é verdade. Somos nós que mentimos. Número não fala.)].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam só que [chamada de interesse para a estatística da brucutulização do futebol]: [estatística com dados absolutos], e principalmente se considerarmos que [estatísticas com dados relativos]. De fato, [conclusão óbvia sobre os dados apresentados]. (Nenhuma consideração sobre a arbitrariedade da seleção dos dados. Eles foram torturados para nos dizer o que queríamos ouvir. Ok, nem sempre).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, [importante escritor que também publicava crônicas esportivas] certa vez escreveu que [exata pitada de cultura para defender o ponto em questão, que separa os meninos dos homens].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, leitor, [frase do povo].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, [referência ao que disse um inspirado jornalista cultíssimo amigo meu], e portanto [leve pitada de esperança, feliz subclímax].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas [patada nos marqueteiros de plantão!]. Um triste [sinônimos opcionais para “absurdo”, “lamentável” ou “vergonhoso”].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, leitor, [o que e como o futebol revela (o futebol é assofismático. É um caminho para todos os deuses)]. [Exaltação ao Brasil por isso].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Novo parágrafo curto de efeito, dessa vez focando nos efeitos da globalização culminando no futebol não ser mais aquilo que o parágrafo curto de efeito anterior impactantemente declarou ele não mais ser].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A [nota sobre a fé do torcedor] faz com que [o Brasil é realmente diferente de todos os outros lugares do mundo e principalmente por causa do seu amor incondicional ao futebol].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo do [time glorioso como o Brasil de 70, o Flamengo de Zico], [aquilo que era time]. A [evento da magnitude da invasão de 76], [resumo da conversa que tive ontem com um dirigente gente fina].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Esperança, a última que morre], [leitor]! Você viu o golaço do [novo talento de 17 anos]?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-5734485321736375230?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/5734485321736375230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=5734485321736375230' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/5734485321736375230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/5734485321736375230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/02/o-faa-voc-mesmo-da-crnica-futebolstica.html' title='A metacrônica futebolística [inserir título sensacionalista]'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-6100604655997284272</id><published>2008-02-08T18:59:00.000-02:00</published><updated>2008-02-09T16:36:04.880-02:00</updated><title type='text'>Série Grandes Craques Boêmios da História – Edição de Carnaval</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Caro folião,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto outros países se perguntam como a oitava economia do mundo se dá ao luxo de cinco dias ininterruptos de festa, nós brasileiros não perguntamos nada (principalmente porquês, idades ou telefones) até a quarta-feira de cinzas, quando somos tomados por uma ressaca física e moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que, embriagado nessa orgia, pensei em homenagear o futebol tecendo elogios rasgados aos craques foliões, que pulam carnaval e faltam ao treino apenas porque amam a folia. Poderia falar do irreverente Viola, que já desfilou em mais de vinte agremiações carnavalescas de São Paulo, sem esconder sua preferência pela escola rosácea da Vila Brasilândia. Ou então do gogó-de-ouro Paulinho Mocidade, que antes de puxar sambas inesquecíveis da Mocidade Independente de Padre Miguel atormentava os zagueiros adversários ali pertinho, vestindo a 11 do Bangu no Moça Bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estas são histórias que contarei em um outro momento. Hoje, não mais contagiado pelo espírito carnavalesco nacionalista - que à luz do amor nos faz acreditar que não existe melhor lugar que o Brasil -, prefiro relaxar a soberba e admitir que, assim como nós, outros países cristãos possuem belos carnavais e craques foliões, que também merecem entrar nessa lista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve encerrar a carreira neste ano Russel Nigel Latapy, que nasceu em 2 de agosto de 68 em Lattaville, Port of Spain.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zEaGIsx2I/AAAAAAAAAEU/kWuCG505WxE/s1600-h/russel3.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164718825289860962" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zEaGIsx2I/AAAAAAAAAEU/kWuCG505WxE/s400/russel3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Para quem não o conhece, trata-se de uma das personalidades mais famosas de Trinidad e Tobago, aprazível país caribenho banhado por águas azuis translúcidas, onde a cerveja é barata e o cricket o mais popular dos esportes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 10 anos, Russel foi descoberto jogando nas praias do sul de Tobago e, desde então, &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165030772545964690" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 71px; CURSOR: hand; HEIGHT: 91px" height="112" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R63gH0OQSpI/AAAAAAAAAFU/foRIh_jU-g4/s200/lata.jpg" width="64" border="0" /&gt;chama a atenção por onde passa. Aos 18, já uma promessa, rejeitou um convite da Universidade da Flórida e foi para o Clube do Porto, onde começou sua peregrinação por times pequenos e médios da Escócia e de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua vocação para a boemia se manifestou ainda na adolescência, quando freqüentava os bares de &lt;em&gt;socca&lt;/em&gt; (ritmo local que inspirou o apelido da seleção nacional, os &lt;em&gt;Socca Warriors&lt;/em&gt;) da orla de Port of Spain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim o jovem Latapy, que demonstrava incontestável talento tanto para a música com&lt;/span&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zElmIsx3I/AAAAAAAAAEc/9ndxNM9Jmrs/s1600-h/russel.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164719022858356594" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 114px; CURSOR: hand; HEIGHT: 157px" height="134" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zElmIsx3I/AAAAAAAAAEc/9ndxNM9Jmrs/s200/russel.jpg" width="99" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;o para o futebol, logo se maravilhou com a efervescente noite européia. Já nos primeiros anos de Porto passou a ser conhecido pelas freqüentes noitadas, pela companhia de belas mulheres e pelos cabelos sempre estilosos. Em campo, porém, apesar das boas atuações, o craque ficou marcado por perder um pênalti contra a Sampdoria, que tirou o time português do torneio europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se desligar do Clube do Porto, Latapy ainda ficou alguns bons anos na terrinha, sem se destacar em nenhum clube importante. Mas se as portas da terra de Camões estavam fechadas, a Escócia recebeu Russel de braços abertos – o jogador foi a grande aposta do Hibernnian para a temporada de 1998.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por lá, “&lt;em&gt;The Litlle Magician&lt;/em&gt;” (carinhoso apelido de Latapy, também conhecido co&lt;/span&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zHYmIsx9I/AAAAAAAAAFM/ZnU6c4Sjijk/s1600-h/wrongway.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164722098054940626" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zHYmIsx9I/AAAAAAAAAFM/ZnU6c4Sjijk/s200/wrongway.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;mo “&lt;em&gt;Lata&lt;/em&gt;”) é famoso por ter protagonizado o maior escândalo da história do modesto clube, que jamais saiu em tablóide nenhum por causa de conquistas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Numa fatídica madrugada, Russel foi preso por colidir seu carro contra uma propriedade do estado, su&lt;/span&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zEzWIsx4I/AAAAAAAAAEk/Qk-fw_QOZv0/s1600-h/wrongway.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;postamente alcoolizado, junto de um amigo de infância (Dwight Yorke, então craque do Manchester United) e de duas mulheres seminuas, uma delas casada. O caso, cheio de versões fantasiosas que circulam pela internet, repercutiu negativamente na carreira de Latapy. Fontes anônimas chegaram a afirmam que, ainda sob efeito do álcool e indagado sobre a presença de uma mulher casada no veículo, Russel respondeu desconhecer o fato de uma delas ser uma menor de idade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Balelas sencacionalistas, que nunca foram provadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O fato é que, injustiçado e machucado pelas críticas pesadas, Russel ainda teve algumas fracas passagens por outros pequenos times da Liga Escocesa, antes de se retirar dos gramados e abrir uma simpática barraca de praia na Ilha da Madeira, em Portugal. E &lt;em&gt;Lata&lt;/em&gt; teria ficado por lá, curtindo a vida e relembrando com nostalgia seus mais belos gols e dribles, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;se o destino não reservasse grandes planos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convencido por amigos, ele volta aos campos e também à seleção, pela qual tinha tido uma boa participação em 1990 - os &lt;em&gt;Socca Warriors&lt;/em&gt; ficaram de fora daquela Copa por um empate. Aos 38 anos, fumante inveterado – sempre disse que fumava um maço de cigarros por dia sem que isso lhe prejudicasse o rendimento - e longe de suas condições ideais, Russel Latapy vestiu a camisa 10 e jogou por 23 minutos na partida contra o Paraguai, durante a Copa do Mundo da Alemanha, em 2006. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R63gXUOQSqI/AAAAAAAAAFc/drUOyYHtXZY/s1600-h/latapy+3.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165031038833937058" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R63gXUOQSqI/AAAAAAAAAFc/drUOyYHtXZY/s200/latapy+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta ao seu país, foi homenageado no Estádio Nacional de Hasely Crawford. E após duas voltas em torno do gramado que o revelou ao mundo Russel, ofegante, foi aplaudido de pé por mais de vinte mil pessoas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Por ser o primeiro cidadão de Trinidad e Tobago a jogar nas ligas européias – traçando um caminho depois percorrido pelo muito mais bem sucedido Dwight Yorke – Latapy tem considerável fama e goza de inúmeros privilégios em sua cidade natal, onde fundou recentemente a &lt;em&gt;Russel Latapy Secondary School&lt;/em&gt;, apenas para crianças carentes de Port of Spain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se ter uma idéia de seu prestígio pelas ruas da capital, uma conhecida piada diz que, ao chegar ao céu, um padre muito popular começou a ser apresentado às grandes personalidades locais falecidas (você não conhece nenhuma), até o momento em que encontrou Russel Latapy. Confuso, o recém-chegado mandou chamar São Pedro e afirmou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas Latapy ainda está vivo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Pedro, com um triunfante sorriso de canto, chamou-lhe ao canto e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bahhh! Aquele é apenas Deus, fingindo ser Latapy.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-6100604655997284272?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/6100604655997284272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=6100604655997284272' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/6100604655997284272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/6100604655997284272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/02/srie-grandes-craques-bomios-da-histria.html' title='Série Grandes Craques Boêmios da História – Edição de Carnaval'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zEaGIsx2I/AAAAAAAAAEU/kWuCG505WxE/s72-c/russel3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-600913414547820987</id><published>2008-02-01T13:18:00.001-02:00</published><updated>2008-02-01T14:37:17.954-02:00</updated><title type='text'>Crônica de um jogo que não houve</title><content type='html'>Na semana do aniversário do gênio Romário, meu artigo seria dedicado aos 40 anos recém-completados de uma peça fundamental para o sucesso da seleção de 94. Mauro Silva, o jogador de menos categoria no pior meio-campo campeão do mundo que este país já produziu, é um exemplo de como deve ser entendido o futebol moderno, que pode prescindir até mesmo do futebol em nome do resultado. Vocês devem se lembrar quem dos dois citados esteve mais perto de balançar as redes italianas... Aos tetra-campeões aniversariantes, meus parabéns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De última hora, no entanto, recebi um e-mail comovente de um amigo de longa data,  o Diogo Menezes, barman existencialista e filósofo habilidoso, que publico na íntegra, mais pela pertinência e atualidade do tema “taça das bolinhas” e por apreço a seu relato pessoal do que por concordar com ele. Curiosa é a presença insistente de Mauro Silva nos textos, nos marcando de perto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Caro Tiago,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu e-mail provocador a respeito do Corinthians x Guarani da última quinta me lembrou outros tempos, em que tanto eu como você tínhamos motivos para sorrir, em vez de nos provocar mútua e pateticamente desde as divisões inferiores do decadente futebol brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei daquelas finais do Paulistão de 88, do gol inesquecível do Neto e do surgimento do Viola, que apareceu dando o título a vocês. De lembrança em lembr&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M9tnAocbI/AAAAAAAAABE/uNHVDwmm-AY/s1600-h/qfl_6951.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 277px; height: 205px;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M9tnAocbI/AAAAAAAAABE/uNHVDwmm-AY/s320/qfl_6951.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162037451671761330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ança, eu acabei lembrando dos 20 anos de uma data que aparentemente passou desapercebida para todo mundo, menos para mim. O dia 24 de janeiro de 1988. Eu, com meus 10 anos, era sócio e um entusiasmado torcedor do forte Guarani, que já não tinha Careca, mas tinha Evair, além de Giba, Ricardo Rocha, Boiadeiro, João Paulo, o jovem Mauro Silva no banco e voltaria a ter Neto, pouco tempo depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da decepção com a roubalheira da final de 86 (disputada em 87), acompanhei o Bugre por todo o ano de 1987, no Paulista, na Libertadores (em que, de certa maneira, nos vingamos, vencendo o São Paulo aqui e empatando no Morumbi) e, enfim, no Brasileiro. Meu pai era fanático e íamos a rigorosamente todo jogo no Brinco.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M44nAocYI/AAAAAAAAAAs/9nm9hOqbZxc/s1600-h/87_1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 191px; height: 260px;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M44nAocYI/AAAAAAAAAAs/9nm9hOqbZxc/s320/87_1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162032143092183426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu, porém, sabia que não existia apenas o Guarani e, já como hoje, era um admirador do futebol. Quando os compromissos com meu time permitiam, assistia na TV aos jogos dos outros. Era impossível não se entusiasmar com o time de Renato Gaúcho, Bebeto, Jorginho e, ele, Zico. Ele, que desperdiçara o pênalti do jogo na Copa anterior, e voltara a desfilar sua classe pelos gramados brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, ainda no início de dezembro, o juiz apitou o fim do de Guarani 1x0 Atlético Paranaense, depois de mais de 80 minutos de sofrimento, eu explodi de alegria e torci muito para que o Flamengo entrasse no quadrangular. Classificados Flamengo e Inter no módulo Amarelo, sempre com a cabeça no quadrangular, acompanhei na TV a histórica disputa de pênaltis com o Sport (11x11!!!) e esfreguei minhas mãos em júbilo esperando o dia em que meu Guarani mediria forças com o Flamengo de Zico, que no mesmo momento despachava o Inter, sagrando-se campeão do Módulo Amarelo.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M44nAocZI/AAAAAAAAAA0/jvOQjfi1HYg/s1600-h/copa_uniao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 279px; height: 174px;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M44nAocZI/AAAAAAAAAA0/jvOQjfi1HYg/s320/copa_uniao.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162032143092183442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte (eu não falava em outra coisa), meu pai, preocupado, veio contar-me que o Flamengo e o Internacional haviam abandonado a disputa e o Flamengo já se considerava campeão brasileiro e quadrangular seria reduzido a um jogo de ida e outro de volta com o Sport. “Como pode haver um campeão sem ter enfrentado o time mais forte?” – pensava eu. Era a segunda final que nos roubavam – e desta vez nem nos deixaram jogar! Fiquei com raiva do futebol e virei o ano pensando em outras coisas. Passadas poucas semanas, já era um torcedor de novo, jogava minha bola e freqüentava meu clube do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domigo 24 de janeiro de 1988, lembro de acordar cedo com a idéia fixa de ver o jogo com o Flamengo. No fim da manhã, toda a família foi para o clube. Perto das 17h, enquanto todos estavam na beira da piscina, já bem cansados, fui sozinho até o estádio tristemente vazio, fechei os olhos, ouvi a torcida bugrina cantar forte e vi o Guarani enfiar 2 a 0, um de João Paulo e outro de Evair, no covarde time do Flamengo. Zico, além de perder um pênalti, &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M443AocaI/AAAAAAAAAA8/FHytpdRjQSs/s1600-h/brincouro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 275px; height: 133px;" src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M443AocaI/AAAAAAAAAA8/FHytpdRjQSs/s320/brincouro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162032147387150754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;teve atuação apagada graças à boa marcação de Tosim. E o quadrangular final continuou em aberto. Fui embora com o gosto da vitória e deixando naquele estádio uma parte de minha infância. Até fui nos jogos posteriores em que perdemos o título para os recifenses. Mas, na verdade, para mim, não há 2 campeões de 1987, nem um. Para mim, aquele campeonato não acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande abraço,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diogo”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-600913414547820987?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/600913414547820987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=600913414547820987' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/600913414547820987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/600913414547820987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/02/na-semana-do-aniversrio-do-gnio-romrio.html' title='Crônica de um jogo que não houve'/><author><name>Tiago Marconi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10536114558516673798</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M9tnAocbI/AAAAAAAAABE/uNHVDwmm-AY/s72-c/qfl_6951.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-484646327976781493</id><published>2008-01-29T17:49:00.002-02:00</published><updated>2010-08-14T21:58:08.320-03:00</updated><title type='text'>Tecnologia argentina para exportación</title><content type='html'>A &lt;em&gt;hincha &lt;/em&gt;do Boca Juniors está para as torcidas de futebol como Harvard &lt;a href="http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-FPOF8YXI/AAAAAAAAAGQ/xx9uxjMPXio/s1600-h/chacarita+boca.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160990194517434738" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-FPOF8YXI/AAAAAAAAAGQ/xx9uxjMPXio/s200/chacarita+boca.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;para o mundo acadêmico, afirmou em 2006 o chefe da principal &lt;em&gt;barra&lt;/em&gt; boquense. E com isso a Argentina, que já viveu tempos melhores, está criando divisas em dólares com um novo serviço especializado voltado ao mercado externo: consultoria para transferência de tecnologia organizacional para torcidas de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso inclui cantos, táticas de brigas, métodos de extorsão de dirigentes e jogadores, recomendações para superfaturamento do preço de ingressos e dicas para a cobrança de propinas de ambulantes das proximidades dos estádios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;¿Bueno, eh?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Segundo reportagem do diário bonaerense Olé, os contratantes mais b&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-F-eF8YZI/AAAAAAAAAGg/DRvDvH4oLGw/s1600-h/san+lorenzo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160991006266253714" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-F-eF8YZI/AAAAAAAAAGg/DRvDvH4oLGw/s200/san+lorenzo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;em sucedidos até então tinham sido do Pumas, do Tigres e do América, no México, e das equipes de Cali, na Colômbia. Sabe-se também dos efeitos dos trabalhos dos argentinos em outros países da América Central – todos estes lugares que, invariavelmente, observaram um surto de crescimento no número e na brutalidade de episódios de violência no futebol nos últimos anos, em que o entusiasta do esporte vem perdendo lugar para o fanático sectarista nas arquibancadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é só a consultoria &lt;em&gt;in-house&lt;/em&gt; que está gerando receitas: os &lt;em&gt;hinchas&lt;/em&gt;-&lt;em&gt;expert &lt;/em&gt;do Boca têm recebido em Buenos Aires interessados de &lt;em&gt;ultras&lt;/em&gt; do mundo inteiro. A Espanha desponta como o melhor mercado mas todo o mundo hispanófono se interessa, do Chile ao México.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante observar o lado mundanamente feio de algo cercado de tanta mística e valor cultural. Mesmo assim a insípida descrição do &lt;em&gt;business case&lt;/em&gt;, embora adequada, é insuficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor uruguaio Eduardo Galeano disse bonito e as torcidas do Fla&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-FxOF8YYI/AAAAAAAAAGY/1jQpEmr2w14/s1600-h/torcida+do+quilmes.bmp"&gt;&lt;/a&gt;mengo e do Corinthians (digamos, do Boca e do River) inteiras sabem que não é correto atribuir a violência ao futebol; ela não vem do futebol, aparece no futebol. Na Grande Buenos Aires não é diferente e nestes países e lugares receptores de cultura por dizer tradicional de futebol também não. Novidade é o movimento no sentido da globalização do saber acumulado cultural local, agora transformado em pacote e mercantilizado ao sabor do freguês, nesse fenômeno que vem despontando a partir de várias torcidas transplatinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que não cabe atribuir o selo “&lt;em&gt;hecho en Argentina&lt;/em&gt;” ao surto recen&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-GpeF8YaI/AAAAAAAAAGo/dp0-ixDHOcs/s1600-h/boca.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160991745000628642" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 212px; CURSOR: hand; HEIGHT: 120px" height="137" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-GpeF8YaI/AAAAAAAAAGo/dp0-ixDHOcs/s200/boca.jpg" width="221" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;te de pancadaria no futebol latino-americano tanto quanto reconhecer que tudo o que ganhasse espaço em termos de cultura futebolística no mundo hispanófono – e mesmo fora dele – teria um dedo do modo de ser argentino. Esse torcer é a quintessência da experiência do entusiasta, é o apoio à equipe na sua forma mais dramaticamente eficaz. E o Boca é a corporificação máxima deste espírito, materializado no ar que paira La Boca, em sua disposição urbana e na arquitetura do estádio, e transformado em som e vibração, em pressão tangível, pela &lt;em&gt;hinchada &lt;/em&gt;que canta bem e sem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que o Boca Juniors e o futebol argentino exercem uma influência muito maior no jeito de torcer mundo afora do que aquela sistematizada por seus mestres remunerados – papel que já coube ao Brasil, um assunto a que voltaremos futuramente. Buenos Aires reuniu condições propícias para o florescimento de uma rica cultura de torcidas organizadas, das quais a mais importante possivelmente é o fato de o conurbado bonaerense ter a maior “densidade futebolístico-espacial” do mundo. O papel da familiaridade lingüística com o restante da América Latina nesse processo também não pode ser desprezado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade é que o próprio Brasil sente essa energia. A geral do Grêmio, a mai&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-HhuF8YbI/AAAAAAAAAGw/9lsv-wmTs4E/s1600-h/alma+castelhana.jpg"&gt;&lt;/a&gt;s castelhan&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-IhuF8YcI/AAAAAAAAAG4/qOQFTiLh24s/s1600-h/alma+castelhana.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160993810879898050" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-IhuF8YcI/AAAAAAAAAG4/qOQFTiLh24s/s200/alma+castelhana.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;a das torcidas brasileiras, é a &lt;em&gt;banda louca que corre &lt;/em&gt;os torcedores do Internacional, bebe vinho e fica &lt;em&gt;borracha&lt;/em&gt;, canta músicas diretamente traduzidas das &lt;em&gt;barras &lt;/em&gt;do boca como os típicos “dale-ôs” do original &lt;em&gt;dale bo &lt;/em&gt;do Boca, e comemora gols com &lt;em&gt;avalanchas&lt;/em&gt;. Quem já viu essa torcida sabe que o Grêmio tem a maior vantagem de jogar em casa do Brasil. Pressão pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os “dale-ôs”, diga-se, estão cada vez mais comuns em cada vez mais torcidas pelo país, incluindo pelo menos a do Corinthians, argentinófila desde Carlitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indepentemente da (má) influência que os líderes barrabravas argentinos venham exercendo mundo afora, é certo que se no mundo ideal os goleiros são alemães, os zagueiros italianos e os meio-campistas e atacantes brasileiros, no mundo ideal a torcida – como o churrasco após o jogo – vem da Argentina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-484646327976781493?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/484646327976781493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=484646327976781493' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/484646327976781493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/484646327976781493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/tecnologia-argentina-para-exportacin.html' title='Tecnologia argentina para exportación'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-FPOF8YXI/AAAAAAAAAGQ/xx9uxjMPXio/s72-c/chacarita+boca.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-3613558437560179189</id><published>2008-01-22T17:23:00.001-02:00</published><updated>2008-01-23T14:29:38.064-02:00</updated><title type='text'>O Torneio dos Pênaltis de Uauaçu</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158387250428783698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 273px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" height="150" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R5ZF37u2LFI/AAAAAAAAACI/wuYY7jLgQ5M/s400/File0011.jpg" width="400" border="0" /&gt;Já viajei bastante por esse mundaréu chamado Brasil e sempre fui bem acolhido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos cantos soturnos do mato fechado, pitei fumo de corda e bebi das fontes mais sábias, ouvindo da memória do povo as bonitas histórias de nossa gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre umas e outras, proseei com figuras altivas das reentrâncias maranhenses, dos pampas sulinos, dos igapós isolados do Rio Araguaia e das terras secas e árduas do Raso da Catarina - e as ouvi, em alto e bom tom, narrar jogadas tão belas e verossímeis quanto o famoso gol de Pelé na Rua Javari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de todas as estreitas arestas e roçados que minhas pernas alcançaram, foi apenas na Vila de Uauaçu que eu vi o povo se reunir às centenas só para bater pênalti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, pênalti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às margens do longínquo lago Uauaçu, no caminho pros confins da Amazônia, faça chuva ou faça sol, duas vezes por ano esse povoado, que sobrevive da pesca e da coleta de castanha, assiste ao evento mais aguardado da região: o Torneio dos Pênaltis de Uauaçu, uma pérola do folclore futebolístico brasileiro que reúne mais de 60 duplas num empolgante mata-mata, para decidir, em um dia inteiro, quem são os reis do pênalti no Baixo Purus.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R5ZGIru2LGI/AAAAAAAAACQ/BbqIxz5ya74/s1600-h/File0013.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158387538191592546" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 261px; CURSOR: hand; HEIGHT: 162px" height="276" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R5ZGIru2LGI/AAAAAAAAACQ/BbqIxz5ya74/s400/File0013.jpg" width="273" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas antes que considere este relato uma simples história de pescador, deixe-me esclarecê-lo de que estive em Uauaçu em minha viagem pelo Rio Purus, tortuoso afluente do Amazonas, descrito com maestria pelo nosso grande cientista-escritor Euclides da Cunha. E como de habitual, uma vez lá resolvi me inteirar sobre a tradicional pelada de fim de semana, que acontece domingo, invariavelmente pelo Brasil inteiro, no campinho local - não há cidade ou vila que não tenha o seu -, reunindo os craques das redondezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cervejinha, dominó (o verdadeiro, que dá pontos nos múltiplos de cinco), algumas doses de cachaça com jambo e logo fui convidado para participar de um torneio, justamente naquele final de semana. Papo vai, papo vem e, já ligeiramente alto, descobri, porém, que não haveria nenhum jogo daqueles de transpirar sangue (já tão cobiçado pelos morcegos vampiros do Uauaçu), mas sim uma gigantesca eliminatória em que duplas formadas por goleiro e batedor se enfrentavam com três pênaltis para cada lado, até a grande final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria uma simples diversão não fosse realmente uma competição séria, com gente de todos os lados disputando um único e cobiçado troféu: a maior tartaruga que fosse encontrada entre os retorcidos igarapés da mata nos dias que antecediam a festa.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R5ZGuLu2LHI/AAAAAAAAACY/kQ_6WeV2zIQ/s1600-h/File0012.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158388182436686962" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 237px; CURSOR: hand; HEIGHT: 141px" height="257" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R5ZGuLu2LHI/AAAAAAAAACY/kQ_6WeV2zIQ/s400/File0012.jpg" width="212" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Incrível. No domingo todos os caboclos, índios, mulheres, crianças, velhos, bêbados e sóbrios da região vagavam pelas proximidades do campo, enquanto as duplas discutiam suas estratégias e as apostas eram recolhidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando apareceu diante de mim um índio forte, carregando mais de cinco quilos de ouriços de castanha, falando alto, sem que eu entendesse sequer uma palavra. No entanto, logo soube que não era nenhum rival me intimidando, mas sim Marivaldo, meu parceiro de equipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combinamos que ele seria o goleiro e eu cobraria os pênaltis, formação que logo nos deu a primeira vitória. Foram emocionantes e acirradas disputas entre verdadeiras lendas do pênalti amador, cheias de chutões, macacos velhos daqueles que sabem desde pequeno aonde a onça bebe água, paradinhas e catimbas das mais diversas. E entre mortos e feridos, sobrevivemos até a semifinal. Talvez a sorte tenha me abandonado, talvez os deuses da floresta tivessem outros planos, mas caímos de pé, sob aplausos do público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos vencedores, a tartaruga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De noite, desfrutando da paz que nos leva e guarda e ao som da irritante banda Calipso, saboreei um gordo pedaço da taça, elegantemente dividida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube também que nenhuma das tentativas do Ibama e Funai (entre outros órgãos governamentais, ong’s e institutos), para discutir o que quer que fosse, recebia representantes de tantos povoados e tribos como o Torneio dos Pênaltis de Uauaçu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais algumas doses de cachaça com jambo e logo estávamos falando até de política; e de que sábio é aquele que, experimentado nos calejos e ternuras da vida, reconhece não haver melhor momento para se discuti-la do que após uma partida de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprender a chutar uma bola é incorporar uma das formas de expressão mais autênticas de nosso povo. Pois nesse humilde gesto, que coloca lado a lado o rico e o pobre, o culto e o bruto, o forte e o fraco, sem que nenhum deles, jamais, se sinta no lugar errado, apreende-se mais do que em cem discursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu conto histórias. Histórias que eu vi com esses olhos que a terra há de comer um dia, ou histórias que eu ouvi, no buxixo das curriolas. E juro por essa luz que me ilumina, que conto as histórias sem aumentar um ponto. Se algum talento eu tenho, por desventura, é de ver e ouvir a gente minha” *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Em memória do saudoso Plínio Marcos, poeta, escritor e amante das pequenas belezas mundanas, tão presentes no dia a dia do povo brasileiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-3613558437560179189?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/3613558437560179189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=3613558437560179189' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3613558437560179189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3613558437560179189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/o-torneio-dos-pnaltis-de-uauau.html' title='O Torneio dos Pênaltis de Uauaçu'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R5ZF37u2LFI/AAAAAAAAACI/wuYY7jLgQ5M/s72-c/File0011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-3743787318675373770</id><published>2008-01-17T13:44:00.000-02:00</published><updated>2008-01-19T11:49:40.256-02:00</updated><title type='text'>Futebol, contracultura e urbanismo ao som de rock’n’roll</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R4945eeBh4I/AAAAAAAAAFA/xYXivBpoRes/s1600-h/st+pauli.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156473027189376898" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="119" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R4945eeBh4I/AAAAAAAAAFA/xYXivBpoRes/s200/st+pauli.jpg" width="122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R494ueeBh3I/AAAAAAAAAE4/QM_vWorV9L4/s1600-h/st+pauli+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156472838210815858" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R494ueeBh3I/AAAAAAAAAE4/QM_vWorV9L4/s200/st+pauli+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Se eu fosse alemão, meu time não seria o vermelho da Baviera.&lt;br /&gt;Eu não torceria pelo alvirrubro de Stuttgart.&lt;br /&gt;Eu detestaria o aurinegro da Renânia e odiaria os alvicelestes de Berlim e de Hamburgo.&lt;br /&gt;Se eu fosse alemão, seria são paulino. Ou mel&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R494YOeBh2I/AAAAAAAAAEw/jjlFtjx1Trw/s1600-h/gegengerade.jpg"&gt;&lt;/a&gt;hor, St. Paulianer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do FC St. Pauli, time do bairro portuário e distrito da luz vermelha de Hamburgo onde já moraram os Beatles, é um dos fenômenos sociais recentes mais interessantes do futebol mundial. Impossível não simpatizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse time é recebido ao campo ao som de AC/DC est&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R496F-eBh8I/AAAAAAAAAFg/Bqj2Y9b61-s/s1600-h/ultra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156474341449369538" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R496F-eBh8I/AAAAAAAAAFg/Bqj2Y9b61-s/s200/ultra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;endendo bandeirão do Bob Marley e do Che Guevara – coisa rara na Europa –, tem como símbolo informal uma caveira pirata, comemora gol com bate-cabeça ao som de Song 2 do Blur, grita “Amburgo! Amburgo! Vaffanculo!” em bom italiano pra torcida neonazista do arquirival, tem presidente gay – e ninguém tem nada com isso – e só louco na torcida. Mas não loucos de fé cega ao estilo “aqui tem um bando de louco”, violento e sem projeto. Loucos tipo maluco beleza mesmo, gente muito da fina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é por causa dessas curiosidades que o St. Pauli e sua torcida se tornaram um ícone da contracultura alemã. É porque conquistaram bravamente seu lugar na história do bairro, da cidade e do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é interessante. Na década de 80 – para nós brasileiros a década perdida, para o mundo desenvolvido uma década de prosperidade –, o bairro de St. Pauli passou a receber todo tipo de figura em busca de uma vida mais em conta num canto empobrecido de um país rico e caro. Comunistas, anarquistas, esquerdistas, hippies, batedores de cabeça punk e toda sorte de doidões, os novos moradores do distrito, passaram a defender as cores do time local, embora sem grande fervor. Foi quando a direção do clube propôs uma espécie de gentrificação do bairro – aquele tipo de intervenção urbanística que consiste em expulsar os pobres e investir nas redondezas. Foram propostos um novo estádio e uma cidade esportiva, entre outros projetos que prescindiriam maior intervenção do aparato coercitivo do Estado, encareceriam o custo de vida local e forçariam os ali instalados para um novo e ainda pior lugar. Pois mexeram com a claque errada. O movimento contra o projeto foi tão grande que o St. Pauli virou fenômeno kult.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que seguiu a vitória urbanística e política das torcidas do St. Pauli foi a simpatia do país e da Europa. O pequeno estádio Millentorn, que até hoje conta com placares manuais para orgulho dos Ultras e dos numerosos donos de passes para a temporada do clube, passou a encher todo jogo e a receber organizadas de todo o país. Acordos foram firmados com outras torcidas politizadas da Europa, com destaque para a do Celtic FC, da Escócia, e do Athletic Bilbao, do País Basco e da Espanha. Na maior organização.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R496feeBh9I/AAAAAAAAAFo/qSVfQGhXjio/s1600-h/th_st_pauli_3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156474779536033746" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R496feeBh9I/AAAAAAAAAFo/qSVfQGhXjio/s200/th_st_pauli_3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E não foi só. Na Alemanha, organizações neonazistas existem até hoje e contam com uma representatividade até que grande. Esses cidadãos com problema de déficit de tolerância, como seria de se esperar, estenderam suas fileiras para as arquibancadas. O Borussia Dortmund é empurrado pela Borussenfront, cujo passatempo predileto deve ser blasfemar contra o ex-corinthiano Ewerthon. A Herthafrösche, do Hertha Berlin, deve estar agora bolando novos jeitos de repudiar o gaúcho Mineiro. E por aí vai: tolerar os intolerantes é uma encheção que faz parte da vida por lá. Mas não no FC St. Pauli. Ali, as organizadas assumiram um caráter abertamente antifascista e não permitem sua entrada no estádio ou sua influência direta ou indireta. O episódio decisivo foi uma tentativa de quebra-quebra por parte dos nazistas após uma vitória da seleção. Não deu outra: quebrados foram eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após ter sido notado por sua postura politizada e por sua torcida tot&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R4962OeBh-I/AAAAAAAAAFw/ngQ9KnXJLPk/s1600-h/st+pauli+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156475170378057698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R4962OeBh-I/AAAAAAAAAFw/ngQ9KnXJLPk/s200/st+pauli+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;almente fora dos padrões nacionais, hoje o St. Pauli conta mais de 11 milhões de torcedores só na Alemanha, disparada a maior da segundona e uma das maiores do país. Além disso tem a maior torcida feminina, participa de protestos maiores contra o racismo, o sexismo, o nazismo e a homofobia, tendo inclusive petrificado estas posições no estatuto do clube, não exibe propagandas de revistas degradantes da mulher no estádio e realiza amistosos contra times simpáticos, como os Soca Warriors de Trinidad e Tobago. Suas organizadas gritam em várias línguas diferentes, do alemão ao italiano, francês e inglês, denotando sua veia internacionalista. E talvez ainda mais interessantemente, o clube adquiriu fama mundial ao organizar em seu estádio o primeiro mundial para países não reconhecidos, contando com seleções do Tibete, da República Turca do Norte do Chipre, da Groenlândia, de Zanzibar, de Gibratar e com o próprio clube representando a “República de St. Pauli” – torneio vencido pelo Chipre do Norte nos pênaltis sobre Zanzibar, conjunto de ilhas na costa da Tanzânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O St. Pauli é uma inspiração para times do mundo todo de que é possível desimbecilizar o futebol. Por isso, meu caro, corinthiano aqui, são paulino lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* agradecimentos ao caro Daniel Schultz, cientista genial e figuraça-mor que deu a deixa dessa história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-3743787318675373770?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/3743787318675373770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=3743787318675373770' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3743787318675373770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3743787318675373770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/futebol-contracultura-e-urbanismo-ao.html' title='Futebol, contracultura e urbanismo ao som de rock’n’roll'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R4945eeBh4I/AAAAAAAAAFA/xYXivBpoRes/s72-c/st+pauli.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-5525431363773659230</id><published>2008-01-11T21:38:00.001-02:00</published><updated>2008-01-17T16:25:27.666-02:00</updated><title type='text'>Prepare-se: essa é a história do maior time de todos os tempos.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4f_c7u2LCI/AAAAAAAAABo/GviFNm2q01M/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154369171084422178" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4f_c7u2LCI/AAAAAAAAABo/GviFNm2q01M/s400/images.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O quarto gol é de Andre Abegglen, num poderoso arremate de direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De cara fechada, o Führer passa a mão no bigode, enquanto o público francês aplaude de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no dia nove de junho de 1938, no Parc des Princes, Paris, sob os olhos atentos de uma Europa à beira da guerra, que a Suíça apresentou ao mundo o Schweizer Riegel (Ferrolho Suíço), glorioso alvorecer tático do futebol moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a terceira edição da Copa do Mundo, levada à França pelo então presidente da Fifa, Jules Rimet. Na platéia, mesmo com favoritismo total para as seleções do eixo, o público vaiava as saudações fascistas. E em campo, sem a Celeste pela frente, com a Fúria destroçada pela guerra civil e os craques da promissoraa Áustria anexados à seleção de Hitler, apenas a Itália parecia fazer frente ao scratch nazista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o destino guardava, sim, uma de suas surpresas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E ela tinha nome: Karl Rappan (foto), notório estrategista austríaco que dirigiu a Suíça nas copas de 38 e 54. Comandando uma seleção formada por um catado de artesões, comerciantes e professores, o “austríaco louco” (como é conhecido por alguns, entre eles eu) foi o primeiro treinador a implementar uma “defesa total”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Na prática, The Swiss Locking Bolt não era uma formação tática em si, como 4-2-4 ou 4-4-2, por exemplo. Ao contrario do que muitos pensam, tratava-se na verdade de um sistema de jogo, com diversas variações possíveis, não necessariamente aplicadas a todo o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que chamava a atenção, independentemente da formação utilizada, era sua mobilidade. No Ferrolho, havia uma marcação sólida tanto no campo de defesa, no qual todos os jogadores voltavam para trás da linha da bola, como também no campo de ataque, pois quando o time ia à frente uma linha de três ou quatro zagueiros se posicionava quase no meio de campo, enquanto os atacantes pressionavam os zagueiros adversários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre as mais confiáveis ilustrações do esquema de Rappan, duas chamam a atenção: Uma delas (primeira) é uma armação com cinco defensores, antecedidos por um líbero (&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156476883335261234" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 204px; CURSOR: hand; HEIGHT: 109px" height="248" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R498Z7u2LDI/AAAAAAAAAB4/_l1CCG0dkbM/s400/fer1.bmp" width="250" border="0" /&gt; na época ainda não era líbero, mas sim um cão de guarda) posicionado logo à frente do goleiro, com os outros quatro avançados formando uma segunda linha, responsável pelo primeiro combate. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A outra (segunda) é uma tentativa de trancar o adversário em seu próprio campo, com uma linha de quatro jogadores avançados, que marcam os zagueiros, dois meias contendo os volantes e os três defensores postados quase no meio campo, protegidos pelo libero. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4993Lu2LEI/AAAAAAAAACA/0hF1Kxg72nc/s1600-h/fer2.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156478485358062658" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 206px; CURSOR: hand; HEIGHT: 109px" height="248" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4993Lu2LEI/AAAAAAAAACA/0hF1Kxg72nc/s400/fer2.bmp" width="243" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Genial! Contra a Alemanha, a Suíça entrou em campo com Hubber; Lehmann, Minelli, Loertscher, Springer e Vernati; Bickel, Walaschek, Aeby, Amado e Abegglen. E apesar da vitória espetacular, não foram os campeões do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua inovação tática, entretanto, baseada numa concepção do jogo sem precedentes, formulou todas as bases teóricas para o Catenaccio, a filosofia defensivista mais famosa do futebol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Karl Rappan é referência obrigatória para todos os retranqueiros do mundo. E Le Verrou Suisse, executado com perfeição, é a grande contribuição dos suiços à humanidade (já que o queijo veio da Arcádia e, o chocolate, dos Astecas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final de jogo. Suíça 4 X 2 Alemanha. Destroçados, os alemães reconhecem a derrota. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um a um, enxugam com suas camisas negras, de suástica bordada no peito, as lágrimas de uma eliminação precoce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Führer, impaciente, volta a passar a mão no bigode. Aquela era a primeira de três valiosas lições que o ditador aprenderia na vida: A primeira, nunca confiar num Mussolini. A segunda, não invadir os russos no inverno. E a terceira, a que mais lhe tirava o sono, jamais subestimar o Schweizer Riegel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extra! Extra! Ferrolho Suíço desbanca Alemanha nazista! Gritava o jornaleiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-5525431363773659230?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/5525431363773659230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=5525431363773659230' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/5525431363773659230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/5525431363773659230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/prepare-se-essa-histria-do-maior-time.html' title='Prepare-se: essa é a história do maior time de todos os tempos.'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4f_c7u2LCI/AAAAAAAAABo/GviFNm2q01M/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-1142821764285976631</id><published>2008-01-11T16:09:00.000-02:00</published><updated>2008-01-13T18:07:13.658-02:00</updated><title type='text'>A Verdade Sobre Acosta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R4e4b6-4-3I/AAAAAAAAAAM/hmDDrN5RgDE/s1600-h/acosta(7).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154291088377838450" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R4e4b6-4-3I/AAAAAAAAAAM/hmDDrN5RgDE/s320/acosta(7).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Beto Acota chega ao time mais importante do Brasil como um completo mistério. Uma promessa de 30 anos? Um centro-avante? Um meia-atacante? Um ponta de lança? Uma fraude?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem se acostuma a ver grandes talentos surgirem imberbes a cada alguns meses (não existe na história do futebol nada semelhante à profusão reiterada de bons jogadores que fazem do Brasil, para mim indiscutivelmente, o país do futebol), um uruguaio desengonçado, feio pra burro, com idade para ser pai de companheiros de equipe, surgir como estrela do irritante Náutico (time que sofreu a mais vexatória derrota que já vi para o raçudo e sortudo Grêmio), é realmente uma situação estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, afinal, quem é Beto Acosta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Martin Acosta Martinez nasceu, de acordo com a maioria das fontes, algumas pouquíssimo confiáveis, na cidade de Montevidéu. em 13 de janeiro de 1977. Aliás parabéns, é daqui a dois dias..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À boca pequena, diz-se tratar-se claramente de um dos casos de gato mais escandalosos da história do futebol porque qualquer torcedor do San Lorenzo sabe que, aos alegados 11 anos,  Beto Acosta fez 34 gols em 64 partidas pelo time. Alguns torcedores do time afirmam que o atacante tinha de fato 11 anos e 1,84m e se discutia pelas ruas de Almagro se ele era melhor ou pior do que aquele baixote que surgira no Argentino Juniors.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ninguém sabia é que ele, com esperanças de jogar pela seleção argentina, escondeu sua nacionalidade uruguaia, previendo a estagnação em baixa de uma seleção respeitável, que calou milhões de brasileiros, principalmente cariocas, que raramente se calam, no Maracanazo. Acosta atravessara o Rio da Prata, passara o carnaval em Florianópolis e se tornara um argentino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia Acosta se encheu e resolveu que voltaria para o seu país, deixando um substituto, de carreira gloriosa em grandes times como o Boca, o Sporting, sem que ninguém percebesse. Enquanto isso, construiu uma sólida carreira dedicada ao futebol de nível médio, pois era jovem e queria curtir a efervescente Montevidéu. Mas acima de tudo queria estar com uma figura antológica, que ao ser citada muda o valor de todo esse relato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acosta é filho de um dos grandes volantes da história do Urugai, que nunca defendeu a seleção nacionl por se recusar a jogar profissionalmente. Dono de carrinhos irresponsavelmente eficientes, chutões que assustavam até o bandeirinha e uma catimba muito refinada, Alberto Acosta, o pai, defendeu durante toda sua vida o Corinthians de Montevidéu. O alvi-negro da zona leste da capital uruguaia é time com mais títulos na liga amadora uruguaia, disputada desde 1890 a 1915 e que tinha como mais notório freguês o Peñarol. São mais ou menos 25 vitórias de vantagem, como o Corinthians e o São Paulo. Veio o profissionalismo e o time mais popular do país permaneceu amador. Acosta Pai, el Rey de Pocitos, boêmio e marcador, que tem 2 passaportes (um argentino, outro uruguaio), é uma figura popular até hoje na antiga Província Cisplatina. Entre uma Norteña e outra, declarou sentir enorme orgulho do fato do filho não ser um tampinha e se transferir para um time do nível do Corinthians, no momento mais importante de sua história. “Beto ha nascido para esto, siempre ha sido el mejor jugador de sus equipos, dueño de caegoria espetacular”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto, impresssionantemente parecido com o filho, logo muda de assunto e procura oturas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre atento aos grandes mistérios do futebol (estilo as horas que precederam França x Brasil, em 2008), acompanhei as carreiras paralelas de Acosta. O impostor de passaporte argentino é um jogador eficiente. O verdadeiro Acosta é um jogador que não se afoba e faz bonito, para dentro do gol, o que é mais importante. Seu jeito desengonçado engana os defensores adversários , que acabam sempre batidos, observando o jogador concluir com seu estilo frio e sem firulas. Beto Acosta parece um jogador da escola escandinava, com seus passos largos e objetividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novo dono da camisa 10 alvi-negra é o Ibrahimovic do Tatuapé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-1142821764285976631?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/1142821764285976631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=1142821764285976631' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/1142821764285976631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/1142821764285976631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/verdade-sobre-acosta.html' title='A Verdade Sobre Acosta'/><author><name>Tiago Marconi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10536114558516673798</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R4e4b6-4-3I/AAAAAAAAAAM/hmDDrN5RgDE/s72-c/acosta(7).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-8983163346634881519</id><published>2008-01-07T15:40:00.000-02:00</published><updated>2008-01-08T16:47:59.682-02:00</updated><title type='text'>2048</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4JlTru2K8I/AAAAAAAAAAk/sp-_KriHSLQ/s1600-h/asd.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152792312496401346" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4JlTru2K8I/AAAAAAAAAAk/sp-_KriHSLQ/s400/asd.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O ano é 2048. O futebol mundial entra em crise. Desesperados por lucro e mais audiência, cartolas tomam uma medida drástica, durante o outono europeu, em Zurique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apoiados por grandes craques do passado, como Lionel Messi, Ronaldinho Gaúcho e Lulinha, aprovam uma lei que proíbe o carrinho no futebol!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aplausos. De nada adianta o protesto ferronho de outros jogadores. A mídia aprova, o povo vai com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O técnico da seleção italiana, Marco Materazzi, retira a Azurra das competições internacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém liga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No gramado da famosa Bombonera, em Buenos Aires, músicos famosos fazem concerto em memória de Diego Maradona. Mas a abertura fica por conta de Roberto Ayala, que dispara contra a Fifa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Plaza dels Heróis, em Assunción, Gamarra (a quem muitos atribuem os melhores carrinhos da história) discursa para centenas de zagueiros e militantes do mundo inteiro. E em Copacabana, no Rio de Janeiro, Junior Baiano organiza passeata que conta com o apoio de grandes defensores da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos meses, os mais conservadores são punidos, ao insistirem na praticada jogada. E nem mesmo o atentado terrorista à International Board surte algum efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Itália, de longe o país mais afetado pela regra nova, a greve de zagueiros supera 180 dias sem nenhum acordo. E sem opções, meias são improvisados na quarta zaga e técnicos desesperados chegam a usar dois atacantes. A bota vira de cabeça para baixo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longos jejuns de títulos e jogos sem graça, cheios de gols, espantam o italiano dos estádios. Em poucos anos, o vôlei desbanca o Calcio como esporte numero um do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, alguns paises se adaptam melhor, principalmente aqueles cheios de atacantes, como o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um século se passa após a lei contra o carrinho e pouco se sabe sobre como e quando ele surgiu no futebol. Os pesquisadores gastam seu tempo investigando a história de jogadas mais nobres, como a bicicleta e o drible da foca. Sem registros, perdido no tempo e na memória do povo, o carrinho vira história de bar, contada boca a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na várzea, último reduto dos praticantes do carrinho, o espírito dos zagueiros do passado ainda vive. Se atirando contra meias habilidosos, garotos deslizam sobre a terra e gritam nomes de grandes craques, como Lúcio, Naldo, Ricardo Rocha, Cléber... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-8983163346634881519?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/8983163346634881519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=8983163346634881519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/8983163346634881519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/8983163346634881519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/2064.html' title='2048'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4JlTru2K8I/AAAAAAAAAAk/sp-_KriHSLQ/s72-c/asd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-7777255555073308941</id><published>2008-01-07T14:22:00.001-02:00</published><updated>2008-01-07T15:54:47.333-02:00</updated><title type='text'>Hipocondríacos F.C</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4JnMru2K-I/AAAAAAAAAA0/rBdVRY68dxQ/s1600-h/asd.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Assim como outros tantos milhões de brasileiros, sou ligeiramente hipocondríaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bastam alguns sintomas isolados e eu já me acho portador de alguma enfermidade, para a qual não dispenso um bom remédio. Afinal, antes de “Chicuíca”, que apareceu por causa de minhas recentes habilidades com a própria, a melhor reconstrução de meu apelido óbvio havia sido “Chipocondríaco”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como exercício de criatividade, ai vai meu time de craques, o Hipocondríacos F.C, montado por algum bilionário traficante internacional de remédios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O esquema é o 4-4-2 básico, pois embora seja um bom estrategista, o técnico russo Anador Semyonov não gosta de dores de cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No gol, seguindo a confiável linhagem de goleiros genéricos espanhóis, o scratch conta com Esteban Albendazol. Garantia absoluta contra frangos, ou ao menos contra os vermes presentes no frango cru!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira linha, formada por quatro defensores que nunca sobem ao ataque, traz segurança e imunidade ao time, oferecendo tranqüilidade e calma - mantendo em ordem a ansiedade dos fãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na lateral direita, o franco-espanhol Ruben de Losartan não deixa espaços e ainda ajuda a prevenir os infartos e os problemas de hipertensão, doenças que um lateral ruim geralmente causa ao torcedor. Na outra lateral, o experiente ganês Eric Somallium tranqüiliza o time e controla a ansiedade das investidas pela faixa esquerda do campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dupla de zaga é grande e imunologicamente forte. O beque central é Mikhail Zovirax, talento ucraniano, especialista em defesa contra todos os tipos de agressores rivais, ou melhor, virais! E na quarta zaga, bloqueando os receptores de time adversário, o dono da posição é o tcheco Cipramil Sobotka, dono de uma verdadeira bomba!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À frente da zaga, dois cães de guarda: como cabeça de área o francês Sebastian Rivotril distribui pancadas e bota os atacantes para dormir, com suas potentes cabeçadas à Zidane. E mais adiantado, tirando o sono de qualquer meia habilidoso, o suíço Dexamin Grojan é uma injeção de adrenalina para os ânimos da equipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Responsáveis pela criatividade, os meias de ligação também precisam marcar, porque hipocondríaco gosta de se prevenir. Pela meia direita, a criação fica por conta da visão de jogo apurada do galã italiano Paolo Gasarone, um verdadeiro colírio para os olhos das torcedoras. E na meia esquerda, sempre de cabeça erguida, o húngaro veterano Szabo Cialis é o responsável pela potência ofensiva do esquema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois homens de frente se completam; um é centroavante paradão, uma referência. O outro é segundo atacante que cai para os lados, que busca o jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recuado, quem inferniza os zagueiros é Vladmir Engov, um atacante baladeiro, sempre bem acompanhado, que gosta de vodka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá na frente, fixo e lento, mas muito perigoso, nosso matador: Mirko Prozac. Um craque!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Albendazol; Losartan, Somallium, Cipramil e Zovirax; Rivotril, Dexamin, Gasarone e Cialis; Engov e Prozac! Time escalado, torcida lotando a Paxil Arena, tudo pronto para o espetáculo. O jogo é um oferecimento da Laboratórios Pfizer. E o adversário, como não poderia deixar de ser, será o arqui-rival A.C Homeopáticos 1964.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e esqueci de dizer. O time joga sempre de luto. Com tarja preta, claro!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-7777255555073308941?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/7777255555073308941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=7777255555073308941' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7777255555073308941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7777255555073308941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/hipocondracos-fc.html' title='Hipocondríacos F.C'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-3991158135776146298</id><published>2008-01-06T20:13:00.000-02:00</published><updated>2008-01-12T22:59:38.967-02:00</updated><title type='text'>Segundona, até que enfim!</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4Jm-bu2K9I/AAAAAAAAAAs/ngpnx9n0K2M/s1600-h/adsasd.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152794146447436754" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4Jm-bu2K9I/AAAAAAAAAAs/ngpnx9n0K2M/s400/adsasd.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4JF07u2K7I/AAAAAAAAAAY/e1dUZ4Lp76w/s1600-h/adsasd.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu, como outros 30 milhões de brasileiros, sou corintiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofri demais em 2007. E, na vã tentativa de me desviar das provocações alheias, criei e popularizei a frase “quem vive de título é acionista e banco”. Afinal, nós corintianos vivemos da fé. A questão é: um mês inteiro de reflexão me fez enxergar que a história do Corinthians precisa de rebaixamento assim como um bom romance precisa de tragédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para aqueles que me acham louco, sim eu sou, mas vou me explicar. Durante muito tempo invejei o fanatismo dos corintianos mais velhos, que permaneceram fanáticos mesmo após a grande estiagem de títulos anos que marcou um período negro de nossa história. Eu queria ter estado lá! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Queria ter cruzado a Via Dutra em segunda marcha, buzinando e tremulando minha bandeira junto de outros milhares de Fiéis. Ou então, cruzado o campo do Morumbi de joelhos, apenas por causa de um único título paulista. Dessa forma eu teria demonstrado minha fé através das provações - e não das conquistas, como fiz durante minha infância e adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora tudo mudou. As gerações mais novas têm por fim a chance de experimentar o que é ser verdadeiramente corintiano. E até que enfim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um ano cheio de conspirações contra todos os Fiéis, que se estendiam dos juízes e tribunais e chegavam até a FIFA, eis que enfim eles conseguiram nos derrubar. E agora, quase que arrependidos, perceberam que isso pouco nos afeta. Cada vez mais estende-se por todo o Brasil um sentimento de admiração pela nossa fé. Inveja. Assim como devia ser nos tempos da Invasão (que só se escreve com letra maiúscula, sempre), o fenômeno sócio-antropológico-espiritual chamado Corinthians novamente impressiona a tudo e a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a torcida? A torcida só cresce. Mais do que antes. A vida é assim, em frente ao abismo, até os ateus se voltam à fé. E como nenhum corintiano tem bom juízo, uma pequena estiagem de títulos só nos fará mais fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, como criou com sabedoria um dos corintianos doentes que eu conheço, Aqui tem um Bando de Louco!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-3991158135776146298?l=retrancacronica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/3991158135776146298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=3991158135776146298' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3991158135776146298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3991158135776146298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/segundona-at-que-enfim.html' title='Segundona, até que enfim!'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4Jm-bu2K9I/AAAAAAAAAAs/ngpnx9n0K2M/s72-c/adsasd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
