<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553</id><updated>2009-10-20T21:31:43.565-02:00</updated><title type='text'>Retranca Crônica</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-7343752136459679121</id><published>2009-04-06T09:54:00.015-03:00</published><updated>2009-04-06T10:23:01.780-03:00</updated><title type='text'>BOMBA: Rebeca Gusmão pode ficar com a vaga de Julio Baptista na Copa da África do Sul</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;por Tiago Marconi&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Antes de começar a matéria, preciso fazer um comentário sobre o período que andei afastado do Retranca. Após revelar as verdadeiras origens do futebol, passei a ser perseguido pelos velhinhos da FIFA, que conseguiram me mandar para um gulag próximo a Guantánamo, onde fiquei tostando ao sol tropical, com apenas o Mar do Caribe para me refrescar. Foram meses de alimentação à base de peixe, frutos do mar e frutas, comunicando-me com as nativas apenas com a expressão dos corpos. E que corpos! Mas fiquei com saudades da arquibancada do Pacaembu e liguei para o Zé Blatter para agradecer e dizer que eles tinham comprado meu silêncio... Cá entre nós, estou louco para irritar a Board de novo e ver se dessa vez me mandam para o Pacífico Sul.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/Sdn8RHckO_I/AAAAAAAAAIs/6L8vdyJsLpc/s1600-h/atchim2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321561805701790706" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 268px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/Sdn8RHckO_I/AAAAAAAAAIs/6L8vdyJsLpc/s400/atchim2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;De volta à babilônia paulistana, fui tomar uma na rua Augusta e encontrei num boteco pra lá de suspeito um amigo de um amigo, o Atchim, ex-colega do técnico da Seleção. Papo vai, papo vem, passou um cara com rosto de mulher bonita e o cumprimentou de longe enquanto seguia subindo a rua. Fiz algum comentário espantado e discretamente machista e então Atchim me revelou a notícia exclusiva: “Acho que ela vai para a Copa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de minha evidente incompreensão, Atchim continuou: “Não reconhece, cara? É a Rebeca Gusmão”. O anão me explicou então que durante meu exílio a nadadora passou a integrar a equipe de futebol feminino brasiliense do Ascoop, mas que por conta de seu alto nível de testosterona vinha sendo sondada por equipes masculinas. Revelou ainda que, por ser patrocinada pela Nike, o agora jogador Rebeca tinha muito bom trânsito no meio futebolístico, inclusive internacional, e já tinha despertado a curiosidade de Dunga, “dos sete, o anão menos preparado para dirigir a Seleção Brasileira”, nas palavras de Atchim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de mais um espirro, o alérgico homenzinho disse conversar regularmente com o técnico da Seleção, “apesar de grosseiro, um bom sujeito”, e que esse lhe revelou que o porte físico avantajado e pouca intimidade com a bola de Rebeca Gusmão lhe credenciavam a disputar um lugar no time, faltando apenas que ele atuasse em alguma equipe obscura de uma liga européia pouco importante. Contou ainda que Dunga está decidido a levar algum grandalhão para o meio-campo e que a boa fase de Júlio Baptista na Roma diminui muito as chances de sua convocação. “Continuo chamando por gratidão e falta de opção, mas se aparecer alguém maior e mais grosso, certamente entrará na disputa pela vaga”, teria dito o eterno arranca-tocos. Comentou ainda que durante sua passagem pelo Hamburgo, o ex-volante teria se encantado por uma nadadora da antiga Alemanha Oriental que lhe derrotara num braço-de-ferro e costumava ironizar o futebol brasileiro, cheio de firulas inúteis. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/Sdn_SM50swI/AAAAAAAAAJM/dkbJ_LhMSYY/s1600-h/rebecas2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321565122881434370" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 175px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/Sdn_SM50swI/AAAAAAAAAJM/dkbJ_LhMSYY/s400/rebecas2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Perguntei a Atchim se ele tinha o telefone de Rebeca, afinal era importante uma declaração dela a respeito. Ele disse que não, mas que ela provavelmente estaria numa festa ali na região. Tomamos mais algumas e convenci o sujeito a me levar na tal festa, numa casa noturna. O ambiente tinha rock dos anos 80 (e eu sem meus protetores auriculares), cabelos repicados, roupas pretas, minas com cara de mano, manos com cara de mina e cerveja cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei Rebeca numa alegre rodinha, junto a outro famoso nadador, maior campeão olímpico da história, que parecia ter conjuntivite. Rebeca declarou que seu pensamento no momento é fazer um bom trabalho no Ascoop mas que todo jogador sonha com uma convocação e acrescentou que seleção é conseqüência de um bom desempenho no clube. Depois que Michael lhe passou um cigarro, mais descontraída(o), afirmou que está tecnicamente muito acima de Gilberto Silva, cuja má fase empolga o treinador da Seleção, e zombou do porte físico de Josué. Depois foi para a pista de dança, onde agarrou uma mocinha (seria um mocinho?) e se estranhou com um punk, sem chegar às vias de fato. Ainda no esforço de reportagem, continuei no inferninho até de manhã, quando Atchim disse que ia para casa e o convenci a me levar para lá. &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/SdoBpA89tCI/AAAAAAAAAJ0/hXNMwHM_H3M/s1600-h/dunga-legenda.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321567713833628706" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 330px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/SdoBpA89tCI/AAAAAAAAAJ0/hXNMwHM_H3M/s400/dunga-legenda.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/SdoBPlIAN4I/AAAAAAAAAJs/M4JsAJGrJSM/s1600-h/dunga-legenda.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/SdoAER-L8mI/AAAAAAAAAJc/Wnm2BXh8CS0/s1600-h/dunga2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/Sdn_6oqvKiI/AAAAAAAAAJU/x6sLl99rNHA/s1600-h/dunga2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando na Floresta Encantada, logo avistei Dunga brincando de carrinho com algumas crianças e fiquei observando. A brincadeira acabou quando uma das crianças teve uma perna quebrada pelo ex-volante (que comemorou muito por ter ganho a brincadeira gritando “É tetraaaa, é tetraaaa!”). Perguntado sobre Rebeca Gusmão, demonstrou entusiasmo: “É muito forte e tem uma carreira discutível. Estou observando, sim. Mas no Ascoop fica difícil, parece que há um interesse do Askov, do Azerbaijão, o que certamente daria mais visibilidade a ela”. Revelou ainda que o empresário do goleiro Doni estava interesssado em levar Rebeca para o Manchester United ou para o Real Madrid. Por fim, sorriu enigmático e perguntou: “Você duvida?”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Um frio me subiu pela espinha e resolvi que era hora de ir embora. No mesmo momento, Atchim saiu da casa de Branca de Neve agitado e perguntando se tinha neve da Branca nas narinas. Não entendi e preferi não insistir. Ele falou que tinha negócios a tratar e voltamos para a rua Augusta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-7343752136459679121?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/7343752136459679121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=7343752136459679121' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7343752136459679121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7343752136459679121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2009/04/bomba-rebeca-gusmao-pode-ficar-com-vaga.html' title='BOMBA: Rebeca Gusmão pode ficar com a vaga de Julio Baptista na Copa da África do Sul'/><author><name>Tiago Marconi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10536114558516673798</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00997535148497051655'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lGlsl_N7u2A/Sdn8RHckO_I/AAAAAAAAAIs/6L8vdyJsLpc/s72-c/atchim2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-4884313760357564527</id><published>2009-02-04T14:19:00.034-02:00</published><updated>2009-02-10T23:09:13.705-02:00</updated><title type='text'>Bambi, o Viril</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;(ou Crônica de Uma Tradição a Inventar)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por Zé Pedro Fittipaldi &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Hoje achei por bem inventar uma tradição. Tradições são mesmo invenções, ora; tradições serão mesmo inventadas, ora; inventemo-las nós mesmos essa vez antes que alguém exija os créditos por nossos papos de bar. E não pense se tratar de brincadeira: o que virá a seguir é uma penada imparcial da asa direita do anjo da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu esse ímpeto inventivo porque uma coluna recente do renomado jornalista Fernando Gallo, publicada no blog de Juca Kfouri e intitulada “&lt;a href="http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2008-12-14_2008-12-20.html"&gt;Bambis, ora pois!&lt;/a&gt;”, faz aguerrida defesa – o autor deve ser zagueiro, como nós – da adoção do apelido "bambi" pela torcida do São Paulo Futebol Clube. Escreveu Gallo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Está na hora de nós, são-paulinos de fina estirpe, tricolores de quatro costados, assumirmo-nos: somos bambis, sim senhor! Por que não?”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Com a legitimidade que só um são-paulino fanático teria na matéria, Gallo justifica sua opinião com argumentos cativantes: os palmeirenses não adotaram o porco, outrora uma ofensa? O Flamengo não virou urubu? Não é o São Paulo um time moderno, que quer construir “&lt;em&gt;um espaço para o qual convirjam pessoas de toda sorte, independentemente de suas preferências sexuais?&lt;/em&gt;”. Aceitemos o bambi, ora, pois, e façamos “&lt;em&gt;um bem danado para a imagem e os cofres do clube&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De imediato achei interessante ouvir o trote do devir da história passando a cavalo, não por qualquer espírito de torcedor rival mas especialmente pela satisfação que senti em ver uma torcida grande ao mesmo tempo se reconhecendo na outra e vislumbrando nessa possibilidade um elemento de sua própria afirmação. Saudável! Aceitando a alcunha de &lt;em&gt;bambi&lt;/em&gt;, o são-paulino seria ainda mais são-paulino: se imporia pela pitada de indiferença que acrescentaria ao tratamento já indiferente conferido aos rivais, mas, ainda mais belo, docemente reproduziria o passado deles, deste modo valorizando-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois mudei de opinião não muito depois. Mesmo que Gallo tenha mostrado sensibilidade elogiável ao defender uma opinião baseada em valores maiores que o chauvinismo futebolístico, pensei, faltou a ele uma visão mais acurada a respeito da natureza dessa aceitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que o espírito subjacente à adoção do simpático cervídeo pelo são-paulinato não será a aceitação da diversidade nem o vislumbre de uma astuta oportunidade de negócios, elementos centrais no já notório chamado do jornalista a uma consicência mais elevada. Será antes disso um reflexo da seguinte luz: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;bambi sinônimo de homossexual é coisa de corinthiano ignorante, coisa de Vampeta de Nazaré, coisa de nego que se apresenta bêbado em recepção oficial, coisa de povão – o veado é um animal viril! O mundo inteiro sabe disso, menos a ralé!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300578870823341874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 194px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SY9wZjtdzzI/AAAAAAAAAOc/-7E45WY0mYI/s320/bambi.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnRG6FFyGI/AAAAAAAAAMk/_IZs4vLndkc/s1600-h/bambi.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sabemos graças ao trabalho de historiadores da tarimba de um Eric Hobsbawm (torcedor do Arsenal FC de Londres) que o fenômeno da invenção das tradições é um grande lugar-comum da história. Há dois tipos principais: as tradições políticas, instrumento de legitimação de estruturas políticas face a cenários em rápida transformação – hinos, símbolos, cerimônias, feriados, mitos, mártires, tudo aquilo que possa usar “elementos irracionais” para contribuir para a manutenção da ordem social; e as tradições sociais, que aparecem como veículos de afirmação dos grupos mais diversos na forma&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYncjpDl2VI/AAAAAAAAANs/7nrNt0qz4g0/s1600-h/domingos+jorge+velho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299008941452548434" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 156px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYncjpDl2VI/AAAAAAAAANs/7nrNt0qz4g0/s320/domingos+jorge+velho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; de critérios de identificação, distinção e pertencimento – o boné da classe proletária, o próprio significado social do futebol, as tradições acadêmicas, a etiqueta burguesa, símbolos, mitos, mártires, enfim, diferentes elementos de diferentes classes em diferentes tempos e lugares. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Thank you dearly, Hobs&lt;/em&gt;. Agora me respondam: não é de se esperar que a elite que ainda ontem inventou a tradição do bandeirantismo para atribuir heroísmo ao incursor bárbaro de territórios hostis, que há pouco inventou toda uma simbologia oficial estilo &lt;em&gt;Non ducor duco&lt;/em&gt; (“não sou conduzido, conduzo”, lema da cidade de São Paulo) para valorizar iniciativa onde havia proletarismo industrial, que agorinha mesmo inventou a imagem da locomotiva do Brasil onde havia mera desigualdade regional, não haverá de inventar uma história de virilidade onde há... o Bambi? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Toda tradição - inventada - traz dentro de si um fundamento, uma base, uma idéia central. Nesse caso, o ponto que ainda precisa de revelação é o seguinte: o Bambi é valente! Ele é macho-alfa, é brigador, é difícil de caçar, é reprodutor, é durão. É o veado da cultura ocidental. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pra começar, o Bambi (como o elitista São Paulo) tem sangue azul – é filho do Príncipe da Floresta, um líder em seu ambiente, e nasceu com o mesmo destino pela frente. No longa de animação original da Disney de 1942, baseado em romance alemão de 1923, além de lidar ainda jovem com a trágica morte precoce da mãe e de defender sua parceira de um macho rival o empurrando penhasco abaixo, ele enfrenta valentemente uma matilha de cães de caça, protegendo sua amada dos caçadores, e empreende uma fuga heróica depois de levar um belo de um balaço. Não bastasse, Bambi termina o filme cumprindo a hercúlea missão de garantir a sobrevivência da espécie, com sua veadinha dando à luz a um par de filhotes seus apesar de todas as dificuldades. Fato: de homossexual, o Bambi original não tem nada – muito pelo contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O personagem já não fôra assim elaborado por acaso. Por toda a Europa e América do Norte, os veados e outros cervídeos aparentados como a corça são símbolos inequívocos de virilidade e esperteza. Capturar uma corça já tinha sido um dos doze trabalhos de Hércules, cabe lembrar, e a mitologia celta antiga considerava o cervo um animal sobrenatural. Concretamente, o que tornou os elegantes animais galhados objetos de valorização cultural são seu comportamento agressivo na época do acasalamento, sua rapidez inteligente e elusiva diante dos predadores e os desafios que estas características sempre impuseram aos caçadores.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299015983300174658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 270px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYni9h-5Y0I/AAAAAAAAAOU/-aGWXPU746A/s320/veados+disputando.jpg" border="0" /&gt;No Brasil, e só no Brasil, temos o veado como símbolo de homossexualidade. Menos que me&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnTn8Wk8nI/AAAAAAAAANE/AAf39o6FYIQ/s1600-h/veados+disputando.jpg"&gt;&lt;/a&gt;ia v&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnSvpL7q5I/AAAAAAAAAM0/yKd3zJk7kFA/s1600-h/veados+disputando.jpg"&gt;&lt;/a&gt;erdade. Selvagens, os veados são animais territoriais e passam a maior parte do tempo em grupos do mesmo sexo - coisa de marmanjo. Quando as fêmeas entram no cio, os machos se enfrentam em batalhas sangrentas das quais emerge apenas um vencedor, a quem caberá a tarefa de passar os genes adiante junto às fêmeas até que a fadiga o impeça de continuar. Sabe-se inclusive que um veado nessa situação pode chegar a sofrer sintomas graves de inanição, pois seu ímpeto por brigar e copular é tão grande que ele se esquece de comer. A “fama de viado” do veado – perdoem-me, politicamente corretos – talvez exista por causa do comportamento dos machos perdedores (mas é problema deles e ninguém tem nada com isso), ou talvez por causa dos antigos Cigarros Veado, que por ter filtro branco eram exclusivos das mulheres, ou ainda por causa dos homossexuais da Praça da República, no Rio, que quando eram perseguidos pela polícia na década de 1920 "corriam como veados", segundo consta. Mas não importa: o veado "tem ampla aceitação na Europa e nos Estados Unidos", como diria a Susanita da Mafalda do Quino, e isso o qualifica a ser um digno símbolo são-paulino – coisa que, mundialmente, &lt;a href="http://rraurl.uol.com.br/forum/index.php?act=Attach&amp;amp;type=post&amp;amp;id=8845"&gt;ele já é&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Já sendo, que seja. &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYndZEwd4TI/AAAAAAAAAN8/k0PjfYCGLFc/s1600-h/474px-Thierachern-coat_of_arms_svg.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299009859421593906" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 87px; CURSOR: hand; HEIGHT: 96px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYndZEwd4TI/AAAAAAAAAN8/k0PjfYCGLFc/s200/474px-Thierachern-coat_of_arms_svg.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os elementos da cultura ocidental que registram a ampla admiração do veado pelo homem são os mais variados. A heráldica européia (heráldica é a arte dos escudos de armas da nobreza) tem dezenas de brasões ornados por veados e por galhadas, como é o caso da cidade alemã de Dotternhausen, da suíça Thierachern (foto) e da francesa Raon aux Bois, entre inúmeros outros exemplos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achou meio coisa de franga? As garrafas de Jägermeister, bebida alcoólica alemã loca&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnUgLwSMTI/AAAAAAAAANU/kDs3ktxqpMY/s1600-h/jagermeister.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299000085954310450" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 160px; CURSOR: hand; HEIGHT: 94px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnUgLwSMTI/AAAAAAAAANU/kDs3ktxqpMY/s200/jagermeister.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;lmente conhecida como “cola-de-fígado” e do tipo que deve ser “consumida por lenhadores da Floresta Negra cumprindo pena de trabalhos forçados”, como disse meu irmão Mario, são ornadas com um imponente veado.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnUqwhvNUI/AAAAAAAAANc/nn2RygNdpiU/s1600-h/Glenfiddich.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Mas o teor alcoólico do Jagermeister é pequeno”, dirão os críticos, apenas 35%, “ainda é meio bambi”. Pois há um &lt;em&gt;scotch &lt;/em&gt;single malt (portanto, bebida de macho, como disse novamente o Marinho), o Glenfiddich, que també&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnd52TtJGI/AAAAAAAAAOE/TLrO7v5CNPM/s1600-h/Glenfiddich_v1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299010422478546018" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 162px; CURSOR: hand; HEIGHT: 103px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SYnd52TtJGI/AAAAAAAAAOE/TLrO7v5CNPM/s200/Glenfiddich_v1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;m leva um veado no rótulo. Glenfiddich, aliás, significa “Vale dos Veados”, o que nos faz perceber que, antes de um estigma social, o animal é inspiração da toponímia de inúmeros países, havendo lugares chamados Ilha dos Veados, Vale dos Veados, Rio dos Veados, Parque dos Veados ou Lago dos Veados, por exemplo, nas mais variadas línguas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No esporte os exemplos são igualmente comuns. O Milwaukee Bucks, da liga americana de basquete, tem como símbolo um veado – &lt;em&gt;buck &lt;/em&gt;é um veado macho adulto. O Kashima Antlers, da liga japonesa de futebol, também – &lt;em&gt;antlers&lt;/em&gt; são as galhadas que os caç&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SY910VW2OeI/AAAAAAAAAOk/eXCQrb_cQls/s1600-h/bucks.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300584828384983522" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 103px; CURSOR: hand; HEIGHT: 127px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SY910VW2OeI/AAAAAAAAAOk/eXCQrb_cQls/s200/bucks.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;adores gostam de colecionar como troféus. Há exemplos em outras searas, também: a transnacional de equipamentos agrícolas John Deere traz um veadinho saltitante em seu logo corporativo, talvez por trocadilho com o nome (&lt;em&gt;deer &lt;/em&gt;é a denominação popular da família dos cervídeos, em inglês)&lt;em&gt;;&lt;/em&gt; a Browning, fabricante de armas e artigos para caça, estilizou o veado em sua valiosa marca que simboliza a coragem do caçador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparem portanto a imprensa da historiografia oficial que a história está prestes a se repetir como farsa. O bambi viril será registrado para a posteridade como nobre virtude de um clube de fidalgos, será celebrado nas ruas pela plebe ignara, será gravado em livros relatando conquistas e em bandeiras de torcidas, será cantado pela claque com fervor. Questão de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E do &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XO9kBX1fmPw"&gt;velho Vamp&lt;/a&gt; &lt;em&gt;só o povo &lt;/em&gt;vai lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pude evitar pensar meio metro de tempo em como seria divertido se o Palmeiras tivesse o mesmo ímpeto inventor de tradições das velhas elites paulistanas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os porcos têm orgasmos de meia hora!”;&lt;br /&gt;“Acumulam proteína eficientemente!”;&lt;br /&gt;“São inteligentíssimos!”;&lt;br /&gt;“Na Itália são usados para encontrar trufas!”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Agradecimentos fraternos ao Mario, ele vai saber o motivo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-4884313760357564527?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/4884313760357564527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=4884313760357564527' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4884313760357564527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4884313760357564527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2009/02/bambi-o-viril-ou-cronica-de-uma.html' title='Bambi, o Viril'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17283625651511740468'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-rhOxJtZ6iM/SY9wZjtdzzI/AAAAAAAAAOc/-7E45WY0mYI/s72-c/bambi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-4660073166113035630</id><published>2009-01-21T14:04:00.014-02:00</published><updated>2009-01-21T15:40:15.370-02:00</updated><title type='text'>Torcedor é Isso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;* Por Hermano Penna&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem me julga só vascaíno, sapeco na cara e provo. Não esperei, como certos que conheço, amigos almofadinhas para torcer. Com essa filosofia foi que me incorporei ao bando de Boca de Sapo, na gloriosa jornada do dia 13 de outubro de 1977. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293802075900195986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 277px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdc8LVBtJI/AAAAAAAAAS4/ItrwusMKInc/s400/sc000506ae.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;E foi com Boca e sua turma que atravessei a noite e afrontamos a madrugada e o início do dia seguinte. Fomos os últimos no quadrilátero que vai de Pinheiros até a Mooca. Enfrentamos a polícia, paus e pedras de sãopaulinos, santistas e palmeirenses. Queimamos bandeiras inimigas. Nossa Jihad não encontrou forças para ser detida. Caveira, o ordenança de Boca de Sapo, bom de cachaça e de porrada, segurava todas. Caveira é aquele que está de cabeça pra baixo, numa das fotos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293800712462916658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 258px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdbs0IP3DI/AAAAAAAAASg/DXQQY-FQaeM/s400/sc000506ae02.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;Encontrei a distinta turma no Largo da Batata, no bar da Gia Quente, do finado Rodarte. O começo não foi fácil. Afinal, eu só tinha tomado umas quatro lapadas de Biter Russo, uns cinco Rabos de Galo, uma tantas cervejas, e umas oito Branquinhas ditas lá das bandas de Piracicaba.Tava pronto para enfrentar qualquer exército inimigo e comemorar a vitória do Timão. &lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293801204978734946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdcJe5K12I/AAAAAAAAASo/438_qsUY7oA/s400/sc000506ae01.jpg" border="0" /&gt;Mas, Boca de Sapo no começo ficou arredio. Branco no samba, sabe como é. Mas, Raimundo Mãe do Cão foi com minha cara, alíás não sei se com minha cara ou com meu bolso farto e generoso. O fato é que as desconfianças não resistiram por muito tempo e logo todos nós estávamos a subir a Teodoro Sampaio. Uma gloriosa campanha. Inesquecível epopéia de ardor pelo Timão, porradas e malvadezas.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293800387522622914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 260px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdbZ5ocdcI/AAAAAAAAASY/saKTw6XmiDE/s400/sc000506ae03.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Logo de cara fechamos o Bar de Manuel Chupeta, aquele da Teodoro com Lacerda Franco, o infeliz era torcedor da Ponte Preta. Só ameaçamos quebrar o balcão. Logo depois, perseguimos uns quatro sãopaulinos e insultamos as mães de uns palmeirenses. Vou logo ao inventário: quarenta e duas mães xingadas. Vinte sãopaulinos escorraçados. Cinco cachorros apedrejados, dois com graves lesões nos rabos. Três gatos gravemente feridos e mais dois com leves escoriações. Três bares fechados. Algumas lâmpadas quebradas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293799146737158434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 257px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdaRrWIySI/AAAAAAAAASQ/tt3pznFgJ88/s400/sc000506ae04.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vinte e duas bandeiras de times inimigos queimadas. Agressões variadas á lixeiras bueiros e barracas. Cento e duas cervejas tomadas. Oito garrafas de cachaça. Cinco de vodka e três de cinzano. Muita cantoria e confraternização. Curtimos a festa da Paulista e ainda subimos e descemos a Rebouças umas quatro vezes, a Paulista umas três, isso depois de todo mundo ter ido embora. Tudo era alegria, até aparecer uma viatura da polícia e eu me escafeder pela Peixoto Gomide.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293798657088186834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 272px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdZ1LQuadI/AAAAAAAAASI/RnFjcu8zgrA/s400/sc000506ae05.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por último, vejam o despacho para abrir os caminhos do Timão, realizado no domingo anterior ao grande jogo, dedicado ao Senhor das Sete Encruzilhadas e feito na Praia Grande, por mim e o companheiro Inácio Cú Fino. Pois é, se alguém ainda repetir a blasfêmia de que não sou corintiano, vou chamar Boca de Sapo e sua turma pra uma certa conversinha, tenho dito. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* O precioso relato, escrito pelo amigo Hermano Penna, é a prova que de louco, todo mundo tem um pouco.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-4660073166113035630?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/4660073166113035630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=4660073166113035630' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4660073166113035630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4660073166113035630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2009/01/torcedor-isso.html' title='Torcedor é Isso'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06211806687052889231'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SXdc8LVBtJI/AAAAAAAAAS4/ItrwusMKInc/s72-c/sc000506ae.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-4570873110378190126</id><published>2008-11-06T17:04:00.091-02:00</published><updated>2008-11-11T16:12:31.374-02:00</updated><title type='text'>Os Segredos da Obamaravilha</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Por Chico Garcia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos, amigas, democratas, blogueiros e leitores, eu irei vos contar como quase me tornei um republicano do alto escalão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bar do Seu Zé. São Paulo, Brazil - &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;September 30&lt;span style="font-size:78%;"&gt;th&lt;/span&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;21:13am local time&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo começou quando estava no boteco com meu amigo Tiago Marconi (em papo de campanha política baiano é autoridade) e confessei nunca ter tido tanto a sensação de que o marketing tinha adquirido uma sobre importância perigosa, na política e no futebol.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNYexYXBPI/AAAAAAAAANQ/XWV1Xjcn0B0/s1600-h/imnot+eternal.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265649675001070834" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 289px; CURSOR: hand; HEIGHT: 293px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNYexYXBPI/AAAAAAAAANQ/XWV1Xjcn0B0/s400/imnot+eternal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pude deixar de lado, em meus comentários, a campanha do senhor Geraldo e a camisa roxa do Corinthians, mas eu sabia que a galinha dos ovos de ouro estava mesmo é lá pelas bandas de Chicago. Era o fenômeno do senhor Barack, atraindo mais gente do que jogo do Flamengo, que me despertava atenção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Comecei a suspeitar &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNEOg54ZqI/AAAAAAAAALo/uyTcVtfDIjA/s1600-h/imnot+eternal.jpg"&gt;&lt;/a&gt;de que algo estranho pairava sobre a cúpula democrata. Para mim, a grande questão por trás da cortina da mídia sempre foi apenas uma: Quem era o real marqueteiro de Barack Obama? Aqueles liberais ecologistas do partido eram incapazes de tal feito, fantoches na mão de um gênio meticuloso que eu desconhecia. A partir daí as coisas começaram a esquentar...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Home. São Paulo, Brazil&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; - &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;October 1&lt;span style="font-size:78%;"&gt;st.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;08:45am local time&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fui investigar minhas suspeitas à primeira luz da manhã. Adquiri inúmeros folhetos democratas pela internet e colei-os abaixo de uma silhueta negra, com um grande ponto de interrogação em cima. Quem, afinal, poderia elucubrar tantas frases de efeito? Quem poderia tocar o povo com mensagens publicitárias tão bem planejadas? Quem teria essa capacidade sem sequer levantar as suspeitas republicanas? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após horas de reflexão, estava certo de que já havia ouvido frases bem parecidas em algum lugar. E foi em um comício democrata pelo &lt;em&gt;youtube&lt;/em&gt; que descobri a verdade. Atrás da cortina, longe do centro do palco, uma figura misteriosa parecia sussurrar frases que em seguida eram colocadas à mesa de Obama.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266095038074395442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 280px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRTtiUHfGzI/AAAAAAAAAQo/sAP5asY9_cQ/s400/pp.JPG" border="0" /&gt;E o mais intrigante: seus pés raramente tocavam o chão. Pareciam levitar, voar como um beija-flor. Quem, afinal, além de bolar frases tão impactantes, era capaz de parar no ar dessa forma? O marqueteiro de Barack Obama era Dadá Maravilha!&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O beija-flor, gênio da grande área e da propaganda, o maior frasista da história do futebol. Dario conhecia bem o povo - conquistou com seu marketing nada menos do que as torcidas de Flamengo, Inter e Atlético - e agora ajudava por algum motivo o partido democrata. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;McCain não tinha a mínima chance. Apenas a minha ajuda poderia salvar sua campanha. E então tive uma idéia brilhante, botada em prática três dias depois. Secretamente, ajudaria a desmascarar a farsa da “obamaravilha”, me aproximaria do senador McCain e, se ele fosse eleito, teria influência política para tentar convencê-lo a participar da maior e mais crucial de todas as parcerias bilaterais da história das Américas (depois do fracasso da ALCA), a construção do estádio da Fiel, em Miami.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265983489503307362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 312px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRSIFVTqpmI/AAAAAAAAAPA/qVkQRku7SZo/s400/frases+do+maravilha.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Telefonista me ligue com o Quartel General Republicano, urgente! Ninguém atendeu. Revirei então minha agenda até encontrar o que procurava. Tinha em mãos o &lt;em&gt;messenger&lt;/em&gt; de Angélica Bush, sobrinha distante de George, que recentemente fez intercâmbio na FFLCH. Claro que ela se zangou por eu nunca ter ligado de volta, mas logo me perdoou, quando comentei que ela parecia magra. Meu nível de acesso estava garantido e a equivocada estratégia de McCain havia de ganhar um fôlego extra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Withe House. Washington D.C - &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;October 7&lt;span style="font-size:78%;"&gt;th&lt;/span&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;16:08h local time&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poucos dias depois me vi sendo paparicado pela equipe republicana da Casa Branca, ainda que meu sobrenome hispânico causasse certa resistência. Comecei mostrando tudo que sei sobre o conceito de estratégia. Depois, expliquei que os milhões de dólares gastos na &lt;em&gt;Google Operation&lt;/em&gt;, que consistia em procurar no Google terroristas com o sobrenome “Obama”, estavam esvaziando os cofres da campanha sem sucesso algum. Era um brasileiro, ex-jogador e falastrão, o marqueteiro secreto dos democratas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conheci McCain logo em seguida. E provei por a mais bê que as frases do Dadá eram o trunfo da campanha democrata. Contei que, no Brasil, o atacante já teve tantos adeptos que chegou fundar uma religião, o dadaísmo. Obama era a camuflagem democrata perfeita em torno do fenômeno Dadá, mas a mim eles não engavavam. Afinal, Barack é bom falador, mas não é grande &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNJA97GzGI/AAAAAAAAAMg/_4KbNkzpFi0/s1600-h/irm%C3%A3os+obama+juventude.JPG"&gt;&lt;/a&gt;frasista, o que é quase a diferença entre um bom bebedor e um bêbado. Convenci McCain que Obama não era nem cristão e nem muçulmano, Obama era dadaísta. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Federal Bureau of Investigation. Washington D.C -&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;October 14&lt;span style="font-size:78%;"&gt;th&lt;/span&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;14:22hs local time&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRTmfXlmx0I/AAAAAAAAAQY/xAuYcLLCw3k/s1600-h/irm%C3%A3os+obama+juventude.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266087290885031746" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 275px; CURSOR: hand; HEIGHT: 196px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRTmfXlmx0I/AAAAAAAAAQY/xAuYcLLCw3k/s400/irm%C3%A3os+obama+juventude.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os programas avançados do FBI fizeram o resto. Dadá e Barack são incrivelmente parecidos quando rejuvenescidos a uma idade equivalente. Seriam irmãos? Filhos bastardos? Terroristas disfarçados (sugeriu Pallin)? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava mais do que certo de que Obama e o Beija Flor guardavam algum segredo que tinha de descobrir, com a maquina republicana aos meus serviços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265651687415087650" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 227px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNaT6NQAiI/AAAAAAAAAN4/Kmyp_dimPus/s400/inter+de+1976.JPG" border="0" /&gt;Rapidamente estava me sentindo em casa, boa gente esses republicanos. Ganhei charutos cubanos de Bush pai, acesso ao salão oval nas tarde de terça e uma linda funcionaria da NSA ao meu dispor, Agent Liu Takawara. Com suas habilidades de hacker, Liu invadiu a rede da CBF e descobriu, entre outras coisas, que o campeonato brasileiro de 1976 foi comprado em favor do internacional, por influência do Maravilha e ajuda de Jimmy Carter. No mesmo ano, em contrapartida, o centro avante colorado ajudou o democrata a derrotar Gerald Ford, com outra campanha avassaladora, nas eleíções americanas. As provas estavam ali, e só faltava escancarar a relação entre Barack e Dadá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Withe House. Washington D.C&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;-&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;October 27&lt;span style="font-size:78%;"&gt;th&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;21:34pm local time&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poucos dias para o início das eleições e a conexão de internet do quartel republicano era inexplicavelmente lenta. Esculachei alguns militantes e resolvi relaxar, reconhecendo que estava tudo perdido. Procurei algo agradável para ouvir, fumando um charuto, quando percebi que a resposta que buscava sempre esteve na capa de um de meus discos. Era ele, só podia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O falecido um sete um mais famoso dos morros cariocas, Bezerra da Silva, era o pai. Um apologista das drogas, das armas, conhecido no meio do tráfico, um ícone das favelas do Rio de Janeiro, pai de Barack Obama? Seria o suficiente para convencer os eleitores a votar em McCain? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266025707535031506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 188px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRSuevuzXNI/AAAAAAAAAPg/tf1BOGRCvko/s400/pais.JPG" border="0" /&gt; Achei que, no mínimo, poderia convencer os judeus, e fui pedir uma investigação minunciosa quando, no mesmo ato, vejo Liu correndo em minha direção com paginas soltas na mão direita, caindo ao chão conforme ela se aproximava. As evidências estavam lá, gritantes, escondidas na própria autobiografia de Obama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele revela que o filme ítalo-brasileiro “Orfeu Negro”, de 1959 (adaptação altamente libidinosa de uma história mitológica grega ambientada em uma favela carioca na época do carnaval), mudou para sempre a vida de sua mãe, que era uma patricinha, Obama colocou a corda em torno do próprio pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNKcWEuO-I/AAAAAAAAAMw/R2aknlWOsLE/s1600-h/pais.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRTfEwHloHI/AAAAAAAAAPw/upp_l5XsD8k/s1600-h/palin.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266079137032151154" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 201px; CURSOR: hand; HEIGHT: 291px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRTfEwHloHI/AAAAAAAAAPw/upp_l5XsD8k/s400/palin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mais do que suspeito, levando em conta a acusação. O malandro partideiro seduziu a Sra. Obama por tras dos olhos do Sr. Obama e podia ser também pai de Dadá, porque não? Isso explicaria o auxílio de um dos maiores marqueteiros da história na campanha do irmão mais novo.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saltei da poltrona, apaguei o charuto e liguei para Sarah. Precisamente às 23h00min daquela noite entregaria a ela uma pasta de conteúdo high-classified, revelando toda a verdade por trás de Barack Obama, no nosso cantinho secreto atrás do &lt;em&gt;Washington Memorial&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Acordei no dia seguinte com uma dor de cabeça inexplicável. Me recordo apenas de ter ido a alguma espécie de clube e notado que Pal parecia bem mais bonita do que o de costume. Duas aspirinas e já estava de pé. Tinha de começar a articular a segunda fase do plano, uma aproximação do ranzinza do Mccain com o pouco visionário do Andrés Sanchez. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vislumbrei parceiros poderosos e começei a procurar patrocinadores. E enquanto esperava na linha para conversar com o presidente de uma cervejaria porto riquenha, usei todos os meus conhecimentos em geografia para fazer um projeto do fielzão em escala.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266085036558450994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 342px; CURSOR: hand; HEIGHT: 255px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRTkcJkRATI/AAAAAAAAAP4/gGfNJBjSyS4/s400/File0048.jpg" border="0" /&gt;O Estádio seria um tipo de arena, localizado em &lt;em&gt;South Beach&lt;/em&gt;, uma espécie de praia grande de Miami. No pacote, havia também dois aeroportos pra Fiel, um em &lt;em&gt;Key West&lt;/em&gt;, outro em Itaquera. Além do ginásio, o Fielzinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;International Lands - &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;November 5&lt;span style="font-size:78%;"&gt;th&lt;/span&gt;. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Time Unknowed&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRSu1711fYI/AAAAAAAAAPo/SoM5JxuCy8M/s1600-h/liu+takawara.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266026105922747778" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 154px; CURSOR: hand; HEIGHT: 231px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRSu1711fYI/AAAAAAAAAPo/SoM5JxuCy8M/s400/liu+takawara.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; As emissoras anunciaram a vitoria de Obama mais cedo do que pensei, mas não fiquei surpreso ou mesmo triste. Acho que já esperava por isso. Aquela mesquinha da Palin provavelmente nunca entregou a pasta a ninguém, pra me sacanear. Vai desmascarar a fraude Obama quando der na telha dela (alguém duvida que aquela piranha ainda vai querer assumir a Casa Branca?) e nem me chamar. Conformado, comprei um barril de cerveja para a equipe, jantei com Liu pela ultima vez e e me desliguei do partido republicano para sempre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só questionei meus sentimentos pouco altruístas espremido entre a quarta e a quinta fileira da classe econômica, voltando pra casa, reconhecendo que talvez fosse melhor dar uma chance aos democratas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imaginei, bebericando um vinho de quarta categoria, haver formas mais corretas de realizar o sonho do Fielzão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNiK8tKGDI/AAAAAAAAAOg/xXM657S3KiI/s1600-h/cao+cao.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265660329559988274" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 216px; CURSOR: hand; HEIGHT: 235px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNiK8tKGDI/AAAAAAAAAOg/xXM657S3KiI/s400/cao+cao.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Como estaria a festa dos simpatizantes de Obama ao redor do mundo? Voltei ao meu lugar, recostei no assento e imaginei a narração de Galvão Bueno (é amigo, o Brasil é Obama desde criancinha), mas achei que não, não chegava a tanto. Liguei meu Ipod e comecei a escutar as batidas cadenciadas, as rimas ácidas e a mensagem sagaz do velho Bezerra. Presidente caô caô. E enfim dormi.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-4570873110378190126?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/4570873110378190126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=4570873110378190126' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4570873110378190126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4570873110378190126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/11/os-segredos-da-obamaravilha.html' title='Os Segredos da Obamaravilha'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06211806687052889231'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_VxfNLCF7Rrs/SRNYexYXBPI/AAAAAAAAANQ/XWV1Xjcn0B0/s72-c/imnot+eternal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-3451436197564139299</id><published>2008-10-16T21:57:00.012-03:00</published><updated>2008-11-28T10:55:29.243-02:00</updated><title type='text'>Um martelo agalopado para o futebol nordestino no cordel sem-fio</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* por Zé Pedro Fittipaldi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Esse projeto de martelo agalopado foi composto à luz da inspiração que os grandes repentistas nordestinos de São Paulo despejaram sobre mim recentemente, por ocasião de um projeto cinematográfico da 13 Produções cujo lançamento está previsto para o começo de 2009.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O repentismo é uma forma de arte verdadeiramente incrível. Um bom cantador repentista domina várias dezenas de formas diferentes, cada qual com seus motes, seus temas, esquemas de métrica, rima, ritmo e melodia, e pode cantar em público de improviso sobre praticamente qualquer coisa, acompanhado de sua expressiva viola.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Inacreditavelmente, os repentistas reclamam que sua arte está se perdendo. Eles dizem estar envelhecendo sem que as novas gerações se interessem por ela).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O martelo agalopado é uma destas modalidades, inventada na passagem do século XIX para o XX pelo paraibano o Silvino Pirauá de Lima. Inspirado no martelo, formato criado no século XVII com base no verso heróico - o verso de Camões em "Os Lusíadas", por exemplo -, e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;le é composto por estrofes de dez versos (ou décimas) com dez sílabas cada, com as tônicas na terceira, sexta e décima sílabas e rimas no esquema ABBAACCDDC, podendo haver variações. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pessoalmente, considero o martelo agalopado uma das modalidades mais bonitas de todo o repentismo. Cantado é ainda mais bonito, mas isso por ora vou ficar devendo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ZP&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um martelo agalopado para o futebol nordestino no cordel sem-fio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou falar de um assunto muito antigo&lt;br /&gt;numa forma há tempos praticada&lt;br /&gt;que já foi muito longe pela estrada&lt;br /&gt;e na gente encontra seu abrigo.&lt;br /&gt;Peço sua atenção meu caro amigo&lt;br /&gt;para um povo que é rico de tutano,&lt;br /&gt;mas mistura o sagrado e o profano&lt;br /&gt;desejando que o esporte seja grato:&lt;br /&gt;se mandinga ganhasse campeonato&lt;br /&gt;no nordeste era empate todo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na nação nordestina a bola rola,&lt;br /&gt;tem na mata, no agreste e no sertão,&lt;br /&gt;seja terra ou grama é nosso chão,&lt;br /&gt;pé descalço ou de trava sob a sola.&lt;br /&gt;Pois o jeito que o povo se consola&lt;br /&gt;da incerteza inerente ao ser humano,&lt;br /&gt;é um jeito que não cartesiano&lt;br /&gt;e poeta não vive só de fato,&lt;br /&gt;[mas] se mandinga ganhasse campeonato&lt;br /&gt;no nordeste era empate todo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi trabalho, vudu e vi padê,&lt;br /&gt;vi despacho, ebó, feitiçaria,&lt;br /&gt;vi macumba, serviço e bruxaria,&lt;br /&gt;coisa-feita, encomenda e canjerê.&lt;br /&gt;Já vi cabra que crê e que não crê&lt;br /&gt;perguntando o futuro pra cigano,&lt;br /&gt;santo dando chabu, pedindo abano&lt;br /&gt;e por isso defendo sem recato:&lt;br /&gt;se mandinga ganhasse campeonato,&lt;br /&gt;no nordeste era empate todo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homenagem à luta, à tradição,&lt;br /&gt;Tricolores, Dragão, Nêgo, Baru,&lt;br /&gt;Galo do Seridó, Coral, Timbu,&lt;br /&gt;Fortaleza e Recife têm Leão.&lt;br /&gt;Fluminense da borda do sertão,&lt;br /&gt;Botafogo, Fogão paraibano,&lt;br /&gt;ouça bem, Tricolor corinthiano,&lt;br /&gt;Dinossauro e Touro que é pato:&lt;br /&gt;se mandinga ganhasse campeonato,&lt;br /&gt;no nordeste era empate todo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um poeta não pode ser injusto&lt;br /&gt;com a honra e memória dos heróis&lt;br /&gt;que entregaram seu sangue sob os sóis,&lt;br /&gt;conquistando a glória a muito custo.&lt;br /&gt;Não foi santo nem orixá robusto,&lt;br /&gt;que levou a esfera sobre o plano,&lt;br /&gt;Foi Lampião de gibão feito de pano&lt;br /&gt;e Corisco veloz, talento nato.&lt;br /&gt;Se mandinga ganhasse campeonato&lt;br /&gt;no nordeste era empate todo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Futebol é um jogo tão perfeito,&lt;br /&gt;não permite saber quem é que ganha,&lt;br /&gt;a não ser se for caso de barganha&lt;br /&gt;de cartola que é sempre reeleito.&lt;br /&gt;Vejo nisso um tremendo desrespeito&lt;br /&gt;ao poder de um povo soberano.&lt;br /&gt;É o destino, senhor nosso tirano,&lt;br /&gt;quem escolhe se é golaço ou mato:&lt;br /&gt;se mandinga ganhasse campeonato,&lt;br /&gt;No nordeste era empate todo ano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-3451436197564139299?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/3451436197564139299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=3451436197564139299' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3451436197564139299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3451436197564139299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/10/um-martelo-agalopado-para-o-futebol.html' title='Um martelo agalopado para o futebol nordestino no cordel sem-fio'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17283625651511740468'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-4040133804995089472</id><published>2008-06-23T22:52:00.016-03:00</published><updated>2008-06-23T23:24:14.406-03:00</updated><title type='text'>Uma breve história não-eurocêntrica do futebol</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por Tiago Marconi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(quase todo o photoshop: Caio Polesi)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto do companheiro de zaga Chico Garcia, publicado no início de maio, ao contrário do que o número de comentários pode dar a imaginar, teve enorme repercussão no meio acadêmico. Como era minha vez de escrever e andei muito ocupado com trabalhos e com o Corinthians para poder refletir sobre futebol de maneira lúdica, inteligente e que cative o leitor (ou os leitores, contando comigo), resolvi apenas resumir um pouco das ponderações de alguns intelectuais com muita circulação nas instituições acadêmicas do mais alto grau etílico do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBXen_8FNI/AAAAAAAAAFo/YcFmnxzJlDM/s1600-h/hippies-legenda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBXen_8FNI/AAAAAAAAAFo/YcFmnxzJlDM/s400/hippies-legenda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215264552139887826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Dez minutos após a publicação da crônica, meu telefone tocou. Do outro lado, Sean Fitzgerald. Sean é um dos muitos irlandeses que acessou o blog devido ao texto sobre o Bohemian, é historiador e professor de Football Studies na CSN (Coláiste Stiofáin Naofa, Faculdade de Educação Continuada), em Cork (inclusive o pai dele jogou nos Cork Bohemians, time que não existe mais, mas isso é outra história). Grande admirador do futebol britânico e irlandês disse estar de acordo sobre o ideal implícito do futebol, “usar a violência e extravasar a raiva em seus semelhantes, sejam eles pobres, ricos, fortes ou fracos, mas especialmente ingleses”. Ponderou, no entanto, que alguns estudos recentes no Brasil e nos Estados Unidos apontavam para uma origem no sudeste da América, provavelmente entre Sergipe e o Espírito Santo. Disse que a ligação estava saindo muito cara e o gelo estava derretendo, mas que me mandaria os contatos dos pesquisadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de Fitzgerald, por algum motivo, ter mandado o e-mail em irlandês, consegui pinçar os nomes e e-mails de Thomas Bogart e Jahilton Verde. Os dois trabalham juntos numa pequena missão arqueológica que reúne a Universidade do Colorado e a UFBA (Universidade Federal da Bahia), num lugar não divulgado da&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBYDWzkizI/AAAAAAAAAFw/URwvCh6JhZE/s1600-h/jahilton-legenda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBYDWzkizI/AAAAAAAAAFw/URwvCh6JhZE/s400/jahilton-legenda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215265183179770674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; chamada Costa do Dendê. Assim que entrei em contato, fui convidado a ir conhecer a missão. Sem medir esforços em nome da informação precisa, peguei meu caderninho, câmera fotográfica, protetor solar, óculos escuros, sunga, chinelos e me mandei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bogart, estadunidense de Wray, Colorado (quase Nebraska, quase Kansas), é PhD em arqueologia e há décadas pesquisa “indícios de presença humana em regiões tropicais litorâneas de notória beleza”. Afirma ter encontrado um fóssil de coco datado de 4 mil anos em Arembepe, no verão 1970, ao lado de um esqueleto com traumatismo craniano e diversos calos ósseos no pé direito. “Em várias praias da região se encontrou esqueletos masculinos com calos nos pés, alguns deles rodeados de esqueletos femininos e pedras preciosas” – diz o cientista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jahilton, carioca da Tijuca, formado botânico e mestre em história, fez seu doutorado em antropologia, com o título “o hábito de se tomar água de coco – uma abordagem multidisciplinar”. Ele afirma que, ao contrário das versões amplamente difundidas “em revistas &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBWelg6HNI/AAAAAAAAAFY/T1rVB4DKxBQ/s1600-h/marcelinho-legenda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBWelg6HNI/AAAAAAAAAFY/T1rVB4DKxBQ/s400/marcelinho-legenda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215263451961236690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;de culinária” de que o coco viria do delta do Ganges ou do Pacífico Sul, há evidências muito fortes de que ele se espalhou a partir do Equador pela costa amazônica (que na época era mangue) até atingir a costa do Nordeste, de onde foi levado para o mundo no ciclo do açúcar. Diz que descobriu por acaso um registro sobre algo parecido com o futebol – “que sempre achei um saco” – na carta do segundo enrabadiço da frota de Cabral, Tomás Pinto da Costa, a Josefina Silva, dama de companhia da infanta Maria, filha de D. Manuel I. “Costa deixa claro que Caminha esteve por demais preocupado com vergonhas altas e cerradinhas para notar muitos aspectos da cultura indígena. E além disso é literariamente superior, mas pela função, digamos, pouco nobre do autor do relato na tripulação, o documento fica escondido”.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBW8ryGenI/AAAAAAAAAFg/GN4C8PixZ_w/s1600-h/beijo-legenda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBW8ryGenI/AAAAAAAAAFg/GN4C8PixZ_w/s400/beijo-legenda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215263969040038514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com as pesquisas dos dois, os índios Pataxó da costa da Bahia chutavam cocos de uma praia a outra como forma de se comunicar. As condições para pesca, o avanço de uma tribo inimiga, a chegada dos portugueses, tudo era avisado dessa maneira. “Era uma forma de comunicação complexa, que exigia força e muita precisão... Um passe errado da tribo A podia ser interpretado pela tribo B como ‘casamento amanhã, rsvp’ e, enquanto a tribo B se arrumava, a tribo C vinha e a destruía... Era um mundo violento como hoje, mas a técnica individual definia os resultados. Os responsáveis pelos chutes gozavam de muito prestígio” – contou Jahilton. Ao longo do tempo, com os portugueses cada vez mais presentes na costa, os índios tinham que ser rápidos e habilidosos para chegar até a praia, fugir dos brancos, chutar e voltar para a tribo, assim se desenvolveram o elástico, o rolinho, a finta, a olhadinha para o outro lado, a comemoração girando os braços com os punhos fechados (defesa pessoal muito eficiente). Bogart defende que “depois de 3500 anos jogando livremente ou contra tribos sem cultura tática defensiva, os brasileiros tiveram que aprender a lidar &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBYWz-eoYI/AAAAAAAAAF4/xmAkVkLpVpE/s1600-h/morales-legenda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBYWz-eoYI/AAAAAAAAAF4/xmAkVkLpVpE/s400/morales-legenda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215265517427663234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;com a marcação, essa sim uma invenção européia”, e completa: “em nenhum registro europeu supostamente sobre futebol se menciona a bola, são registros de batalha”. Verde explicou ainda que, antes dos contestados documentos europeus medievais, houve precursores do futebol na China, no Japão, na Grécia, no México e em Roma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois me levaram ainda para conhecer o último representante da cultura futebolística Pataxó, que tentou demonstrar sua técnica mas estava mais para Galeano do que para Gérson. Ao questioná-lo sobre seu forte sotaque hispânico, porém, o humor dos três, que até então me tratavam como um príncipe, mudou radicalmente e tive que antecipar minha viagem de volta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-4040133804995089472?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/4040133804995089472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=4040133804995089472' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4040133804995089472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4040133804995089472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/06/uma-breve-histria-no-eurocntrica-do.html' title='Uma breve história não-eurocêntrica do futebol'/><author><name>Tiago Marconi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10536114558516673798</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00997535148497051655'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/SGBXen_8FNI/AAAAAAAAAFo/YcFmnxzJlDM/s72-c/hippies-legenda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-7357752965001761720</id><published>2008-05-06T16:34:00.019-03:00</published><updated>2008-05-08T15:29:29.768-03:00</updated><title type='text'>Uma Breve História do Futebol</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por Chico Garcia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelos longínquos mil quinhentos e setenta e tantos, a vida era uma difícil e doce sucessão de tragédias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não havia guerra, os tediosos tempos de paz eram meses em que se precisava viver intensamente, livre para experimentar todo o gosto da fruta.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC6tu4ppmI/AAAAAAAAAIA/QUB8MfZAg-U/s1600-h/futebo02.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197359264828073570" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC6tu4ppmI/AAAAAAAAAIA/QUB8MfZAg-U/s400/futebo02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E deu que, entre cada porre e cada coito, o povo inflava uma bexiga de boi no sopro, dava um nó na ponta e saia a chutá-la pela rua. Quem estivesse de posse do artefato era o alvo principal - não só das botinadas (diga-se), mas dos socos, cabeçadas e até mesmo punhaladas ou martelos aremessados a esmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, o costume foi conferindo identidade aos grupos que o praticavam. Os criadores de ovelha se achavam mais durões do que os ferreiros, que por sua vez consideravam os vendedores de cebola um bando de fracotes. Ao passo que, alguns minutos após seu início, os jogos dividiam a multidão em dois times, um querendo bater no outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim nasceu o futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por várias décadas, o que determinava vencedores e vencidos era a desistência de um dos lados - e na maioria das vezes os vencidos precisavam fugir a passos largos. Naturalmente, depois veio a existir o gol, mesmo que em formas ainda rudimentares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inflamados por rixas locais e crenças seculares (o ponto alto da temporada era a terça feira gorda, orgia de festividades que antecedia a quarta feira de cinzas), os jogos tinham um sério problema de ordem cívica: sempre acabavam em juramentos de vingança. Assim, de Henrique II a Jaime II da Escócia, ao longo de 150 anos, foram ao todo 11 proibições ao &lt;em&gt;futball&lt;/em&gt;, praticado por nobres e camponeses, jovens e velhos; e velhos, diga-se de passagem, no alto de seus 45 anos e ainda sem lesões terminantes de guerra. &lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC2Y-4ppjI/AAAAAAAAAHo/nwiwEGG8bH4/s1600-h/historia_do_futebol1.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197354510299276850" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 171px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px" height="172" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC2Y-4ppjI/AAAAAAAAAHo/nwiwEGG8bH4/s400/historia_do_futebol1.gif" width="226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São inúmeras ordens de prisões e denuncias de tribunal que registram, por anos a fio, um duradouro confronto entre as autoridades e os amantes dos jogos de bola, considerados, por muitos aristocráticos medievais (e atuais) um bando de desordeiros, bêbados, ignorantes e briguentos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Era uma forma de tentar manter a burguesia na linha, impedindo desordens semelhantes à “Tragédia de West Cheapside”, em 1539, iniciada numa partida entre os negociantes de pele contra os vendedores de peixe e, três dias depois, encerrada com cavaleiros e nobres se atirando à multidão com lanças em punho, enquanto um arqueiro ensandecido protegia o gol disparando flechas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais débeis e ilegais que fossem os diversos jogos dos quais derivam o futebol moderno (alguns deles muito parecidos com o Rugby), as pessoas o amavam, assim como o amam hoje. Por isso, suas proibições nunca foram levadas a sério - e os torneios ilegais borbulhavam ao longo de toda a Ilha da Bretanha, contando até com a participação de “equipes” formadas por oficiais da lei e generais de guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma documentada confusão conhecida como "A Batalha de Ruyslippe", evidencia que casos de morte eram muito comuns e apeteciam ao publico, pois eram formas menos elitistas de exposição ao sangue (ou você acha que um camponês endividado tinha cavalo e armadura para participar de duelos?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contam os pergaminhos menos preservados, alguns com manchas de vinho, que um tal Roger “&lt;em&gt;The Red&lt;/em&gt;” Ludford, lavrador de família camponesa com extrema competência no cultivo das batatas roxas, era o maior brucutu da idade média. Ele era tão temido que nunca houvera quem derrotasse a sua facção de coração, os proprietários rurais do condado, notórios arruaceiros beberrões que se reuniam para tomar porres na Taberna de Arthur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia o time dos lavradores acabou por enfrentar a turma dos alfaiates malfeitores de Woxbridge, maiores &lt;em&gt;bad-boys&lt;/em&gt; da época. Foi então que centenas de camponeses, rameiras, comerciantes, padres e até soldados aglomeraram-se aos montes, todos em volta do antigo pasto dos Suassen (o de maior capacidade de todo o condado), apenas para presenciar o confronto épico entre as duas facções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos se deram o motivo e o trabalho de imortalizar os vencedores num jogo provido de tamanha brutalidade, mas um registro de tribunal datado do mesmo ano de 1576, que ordena a prisão de cerca de meia dúzia de transgressores, encontram-se as seguintes acusações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em Ruyslippe, Arthur Reynolds, lavrador e mais cinco outros pequenos proprietários rurais, todos do vilarejo, e mais Nicholas Martin, Richard Turvey e Thomas e Martin Darcy, todos alfaiates de Woxbridge, estão formalmente acusados de transgressão às leis da coroa e devem responder por briga seguida de morte, ocorrida durante uma reunião ilegal de outra centena de desordeiros desconhecidos para praticar um jogo ilícito chamado de futebol(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inquirição do magistrado provincial - &lt;em&gt;post morten&lt;/em&gt; ocorrida em Soputhemys perante o corpo de Roger Ludford – apurou com o veredicto dos jurados que Nicholas Martin e Richard Turvey estavam a jogar futebol contra as facções de Ruyslippe quando o dito Roger Ludford e um Certo Simon Maltuns, da mesma paróquia, entraram na disputa e partiram para cima de Nicholas Martin com ameaças verbais, quando esse respondeu que tudo seria decidido ali mesmo(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo momento, Roger Ludford partiu em direção ao rival que possuía a bola com a intenção de atingir ambos, jogada após a qual Nicholas Martin desferiu uma punhalada no peito de Roger Ludford com o braço direito, atingindo-o com um ferimento mortal. A vitima ainda veio a sofrer outro golpe duro de Richard Turvey, morrendo em um quarto de hora, da forma pela que Nicholas e Richard mataram desta maneira criminosa o dito Roger”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que elas nunca foram devidamente apuradas e diversas outras mortes ou atentados criminosos ocorreram misteriosamente, acometendo certos envolvidos na confusão e alguns que não tinham nada a ver com a história. Foram dias de nuvens vermelhas, lutos, duelos e disputas que até hoje fazem com que um Ludford olhe torto para qualquer Martin ou Turvey por aquelas bandas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;*** &lt;/div&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC4d-4ppkI/AAAAAAAAAHw/r_STehiL5QU/s1600-h/Gravura1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197356795221878338" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 193px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px" height="175" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC4d-4ppkI/AAAAAAAAAHw/r_STehiL5QU/s400/Gravura1.jpg" width="208" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sobre o prometido ensaio Uma Breve História do Futebol, confesso que desisti por aqui. Consta que de 1576 pra cá as regras mudaram (ou foram criadas, como prefiram), o jogo virou esporte, se profissionalizou e agora é praticado por qualquer mariquinha de todos os credos e cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futebol de hoje é cheio de &lt;em&gt;fair plays&lt;/em&gt; irritantes e firulas previsíveis. Ganhou plasticidade e beleza de encher os olhos, mas perdeu parte do ideal implícito em sua gênese: usar a violência e extravasar a raiva em seus semelhantes, sejam eles pobres, ricos, fortes ou fracos, porque a vida é curta e vence o mais esperto. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-7357752965001761720?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/7357752965001761720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=7357752965001761720' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7357752965001761720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7357752965001761720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/05/l-pelos-longnquos-mil-e-quinhentos-vida.html' title='Uma Breve História do Futebol'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06211806687052889231'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/SCC6tu4ppmI/AAAAAAAAAIA/QUB8MfZAg-U/s72-c/futebo02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-7081319664592428145</id><published>2008-04-16T19:35:00.020-03:00</published><updated>2008-10-18T16:09:32.600-03:00</updated><title type='text'>De como as prostitutas coríntias inspiraram a rivalidade paulistana</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por Zé Pedro Fittipaldi&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/SAdM8JKlqHI/AAAAAAAAAIc/IbdqULMfbd8/s1600-h/ceramica+cor%C3%ADntia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190201691703978098" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/SAdM8JKlqHI/AAAAAAAAAIc/IbdqULMfbd8/s400/ceramica+cor%C3%ADntia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Naqueles velhos tempos, naquele lugar estreito, o que movia a vontade dos homens era o cheiro doce de damas como Laís, a mais famosa dentre as muitas mulheres da difícil vida fácil da Antigüidade; vinha-se de muito longe comerciar e, por quê não, gozar os prazeres de zona portuária do istmo. E a cidade-estado de Corinto, onde &lt;em&gt;non licet omnibus adire (&lt;/em&gt;onde nem todos podem ir, por ser cara&lt;em&gt;), &lt;/em&gt;estava sempre cheia de entusiastas da primeira profissão, vivendo &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;en passant &lt;/span&gt;embora intensamente ao lado - em sentido muitas vezes literal - de hedonistas de cores múltiplas e de tipos para quem a libertinagem imperava sobre os sistemas rígidos de valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O antigo-vendedor-de-barracas-agora-evangelista Paulo percebeu que não havia lugar na Terra mais carente de uma boa evangelizada. Aquilo era demais! Como assim, ignorar Deus e viver desse jeito?! Se um único porto na existência carecia da Palavra, esse porto era Corinto, que contribuía tanto para os quadros do inferno que o Coisa-Ruim, naqueles tempos de experimentação em que Deus ficava cada vez mais famoso (estamos falando da década de 50 d.C.), já pensava em cobrar uma tarifa por excesso de contingente - idéia que seria abandonada quando o excesso de contingente entrando no inferno começou a se mostrar uma constante histórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois Corinto era de uma tal liberalidade moral que Paulo, cuja capacidade de evangelização acabaria lhe garantindo o certificado oficial de santo entregue em mãos pelo todo-poderoso em pessoa, esse Paulo de Tarso que tinha o poder do milagre em suas mãos, fôra deliberadamente ignorado pela maior parte da população. Tentara algumas conversões e acabara voltando para Éfeso de mãos abanando, deixando em Corinto uma igreja descreditada com fiéis deseperados por orientação em um mundo bem terrenamente paradisíaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Paulo, o apóstolo dos gentios, um Paulo muito do trabalhador, nunca desistia diante de uma obra inacabada. Frustrado pela fraqueza da Igreja na paróquia, sentou-se para escrever uma carta conclamando fidelidade e força. A "Carta de São Paulo aos Coríntios", posteriormente seguida por outra epístola, acabaria anexada à Bíblia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basicamente, ela diz: "Cristão de Corinto! Ao vosso redor, impera a mais ampla balada, mas não arrefecei diante disso que Deus vai premiar vosso bom comportamento. Agüentai a tentação e ficai na vossa que esses baladeiros e esportistas mercenários não perdem por esperar - vão queimar nas chamas do Tinhoso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há em especial uma passagem que faz referência direta aos Jogos Ístmicos, disputados todo ano em Corinto. Escreve São Paulo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;(Coríntios I, 9:24-27)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Com essa penada, São Paulo fundou o esporte amador e o atleta de Cristo. Voemos então uns 18 séculos para a frente na história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Inglaterra vitoriana (século XIX), auge do &lt;em&gt;British Empire&lt;/em&gt;, floresce na educação um movimento auto-denominado "cristandade muscular" (&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;muscular christianity&lt;/span&gt;) que preconizava que o bom cristão, o bem educado construtor do Império, devia praticar esportes, mas sempre "buscando a coroa incorruptível" ao invés da "corruptível". O esporte, nesses berços do balípodo que foram escolas públicas católicas como Eton, Oxford e Cambridge, era visto como um meio para o desenvolvimento físico e moral do cidadão, nunca como uma disputa por dinheiro ou pela vitória por si. Isso foi denominado o "ideal coríntio do amadorismo" (&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;the Corinthian ideal of amateurism)&lt;/span&gt;, e foi em torno dele que se organizaram as primeiras ligas esportivas de cavalheiros na Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ideal &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;coríntio,&lt;/span&gt; vejam bem, por causa da carta e jamais por causa dos próprios coríntios, que não perdiam uma boa balada por nada e entravam no estádio pra ganhar. O coríntio médio era devasso à beça, tanto que São Paulo apareceu como uma espécie de moralizador-geral da parada.&lt;br /&gt;O time de futebol mais amador do mundo, aquele que se orgul&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/SAdiFpKlqKI/AAAAAAAAAI0/LGJ46DhuC8c/s1600-h/corinthians_1896-7.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5190224944656918690" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/SAdiFpKlqKI/AAAAAAAAAI0/LGJ46DhuC8c/s320/corinthians_1896-7.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;hava do &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;fair play &lt;/span&gt;e de seu&lt;br /&gt;ideal a ponto de avisar ao árbitro quando marcava ilegalmente, era o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Corinthians Amateur Gentleman's Football Club - &lt;/span&gt;o time coríntio, fidelíssimo à epístola de Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bonzinhos que eram os cavalheiros do &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Corinthians - &lt;/span&gt;e bons de bola, também, fique claro - quando operários e estrangeiros começaram a poder jogar por dinheiro o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;scratch &lt;/span&gt;começou a levar biaba atrás de biaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, nobres &lt;em&gt;gentlemen &lt;/em&gt;que não viam nada de estranho em abordar o árbitro com um justíssimo &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"excuse me, Sir, but I respectfully disagree with your call - I beg you to disallow the goal I just scored" ("com licença, senhor, eu respeitosamente discordo de sua marcação - imploro para que anule o gol que acabei de fazer"), &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.kozmikfish.co.uk/stories/corinthian%20spirit.pdf"&gt;como fez o centro-avante Archie Carruthers em um jogo decisivo da FA Cup contra o Barcherster United&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro, operários e estrangeiros sedentos pelos privilégios dados aos plebeus vitoriosos, motivados por salários, por "bichos" e pela possibilidade de folgas no trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era evidente que o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Corinthians&lt;/span&gt; altruísta ia cair em desuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao perder proeminência na Inglaterra, o que não tardou com o alvorecer do profissionalismo no futebol inglês, o time&lt;em&gt; &lt;/em&gt;saiu em diversos &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;tours&lt;/span&gt; pelo mundo para difundir o futebol e o ideal do amadorismo - como se fazia no rugby até pouco tempo atrás. Foram à África do Sul, Hungria, Escandinávia, Estados Unidos, Canadá e Brasil. Alguns de seus legados: a camisa branca do Real Madrid, a popularização do futebol na África do Sul e, é claro, o Corinthians Paulista, cujos fundadores admiraram o futebol redondo daqueles &lt;em&gt;boyzinhos &lt;/em&gt;gentis &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt;e decidiram homenagear o alvi-negro da terra da Rainha&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt; &lt;/span&gt;em seu próprio clube em fundação&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;A ironia da história: São Paulo escreve aos Coríntios, inspirando o Corinthians Football Club, que inspira o Corinthians Paulista, da cidade de São Paulo, que tem um clube cujo nome fôra inspirado pela homenagem a São Paulo feita em 1554, que é rival do Corinthians.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biblicamente falando, São Paulo nunca foi muito com a cara dos &lt;em&gt;corinthians&lt;/em&gt;, e os &lt;em&gt;corinthians&lt;/em&gt; nunca se deram muito com São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Futebolisticamente, menos ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Alguns comentários que talvez só interessem a mim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Corinthians pode ser enquadrado, assim sendo, na categoria "times com nomes gregos", com vários pares mundo afora. Como escreveu o ótimo David Keyes, de San Diego, California, no ótimo &lt;a href="http://cultureofsoccer.com/"&gt;Culture of Soccer&lt;/a&gt; (&lt;a href="http://cultureofsoccer.com/2008/01/29/some-team-names-are-all-greek-to-me/"&gt;Some Team Names Are All Greek to Me&lt;/a&gt;), a lista engloba também Atalanta (Itália) e Sparta Rotterdam, Heracles Almelo e Ajax Amsterdam (Holanda)... Podemos acrescentar de nossa parte também o Atlas (México), o Hércules Alicante (Espanha), o Achilleas (Chipre), entre tantos outros de que não me recordo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro detalhe curioso é o caminho das palavras pelo tempo e pelo espaço. O nome grego do Curíntia fez o mesmo que palavras como "mídia" e "bactéria" - veio do grego via inglês, tendendo sempre à corruptela na última flor do Lácio. "Mídia" é o plural anglicizado do grego "&lt;em&gt;medium&lt;/em&gt;", usado no plural para falar o singular, tal qual "bactéria", que também é um plural grego que virou singular na nossa língua. Nessa passagem do grego para o inglês para o português, perdeu-se o mecanismo de flexão de número da gramática do grego, que os anlgófonos fizeram questão de preservar (&lt;em&gt;medium, media; bacterium, bacteria, stadium, stadia&lt;/em&gt;). Daí que sempre que alguém fala em "mídias", alguma coisa estranha acontece dentro do meu estômago, mesmo que o Houaiss aceite a palavra. Em Portugal, usa-se "média". Os média, como bem convém, ó, pá!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mais curioso ainda é o papel de cada time no futebol brasileiro atual. O São Paulo adota postura e discurso moralistas e moralizadores, de um modo que, embora nada amador, guarda algo do tom de São Paulo em sua carta aos coríntios - especialemente quando uma figura como Marco Aurélio Cunha abre a boca para falar do arqui-rival. Note-se a diferença gritante de que, ao fazer gol de mão, o São Paulo faz o velho Carruthers (assim como o próprio São Paulo, o de Tarso) se remexer no túmulo - não vi ninguém pedindo a anulação contra o pobre time verde, como o corinthiano Carruthers com certeza faria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o Corinthians, eterna baderna, é o garoto devasso da história, colocando no orçamento até lingerie de secretária. Entretanto, seu modelo administrativo é um dos mais "são paulinos" dos clubes grandes do Brasil - ao menos naquilo que se refere ao amadorismo. Se o Corinthians não fosse amador em alguma coisa, não faria jus ao nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-7081319664592428145?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/7081319664592428145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=7081319664592428145' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7081319664592428145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7081319664592428145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/04/de-como-as-prostitutas-corntias.html' title='De como as prostitutas coríntias inspiraram a rivalidade paulistana'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17283625651511740468'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/SAdM8JKlqHI/AAAAAAAAAIc/IbdqULMfbd8/s72-c/ceramica+cor%C3%ADntia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-1918690611998838940</id><published>2008-03-28T13:27:00.014-03:00</published><updated>2008-03-28T14:28:14.121-03:00</updated><title type='text'>Pela última vez, RRRRRRRRonaaaaaldo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;por Tiago Marconi&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E Ronaldo conseguiu. De novo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Onde estava Ronaldo em 2010?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="text-align: justify;float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; " src="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R-0lj4C83cI/AAAAAAAAAEY/TT7O7wJqN4Q/s200/rnzrBrrr.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182840044443721154" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seu último drama começou em 2008, entre a vergonhosa copa de 2006 e aquela que fez a de 2006 parecer razoável, 2010. Na primeira delas, o fiasco do quadrado mágico, do time baladeiro, vaidoso e gordo de Parreira. Na segunda, o misterioso corte de Juan, Robinho e o goleirão Felipe, em cima da hora, por sugestão de Zico, e a fratura dupla de Ronaldinho Gaúcho (salvador de todos os jogos até a semi-final com gols tirados da cartola) causada por um carrinho motivador do técnico Dunga, que declararia no mesmo dia dever isso ao craque por um chapéu num Gre-Nal e querer provar que Copa do Mundo não se ganha com talento, mas com onze dungas em campo e um zangado no banco. 2010 doeu tanto que nem se discutiu muito em botecos nos últimos 4 anos. Apreciadores da seleção de 82 e defensores de de 94 concordavam logo, houve todo um resgate cultural das seleções de 90, 98 e até 2006. Frases como “Lazaroni era um estrategista”, “O que faltou à seleção foi um Taffarel” ou “Mazinho e Zinho é que era dupla de meias” (esta última dita por Fernando Calazans) pipocavam aqui e ali nas modorrentas, quentes e resignadas noites de domingo do país do futebol.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora em 2014 – não é preciso comentar a organização da Copa do Mundo do Brasil, comandada por Ricardo Teixeira desde a prisão federal de Cuiabá –, tudo estava estranho. Depois de um belo começo da seleção de Wanderley Luxemburgo (contratado depois de bem sucedida parceria com Teixeira no time do pavilhão 1), o time caiu de produção e se arrastou pelas oitavas, quartas e semis, mas alcançou a final depois da antológica disputa de pênaltis contra os favoritos Estados Unidos. A final dos sonhos, Brasil x Argentina. Aos 36 minutos de um 0 a 0 de tirar o fôlego, o promissor volante argentino Dieguito Simeone dá um carrinho criminoso em Pato, quebra-lhe a tíbia e o perônio e o juiz lhe dá amarelo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Luxemburgo olha para o banco e, no meio daquela garotada, ocupando dois lugares, está o veterano camisa 9, com um penteado sem cabelos no topo da cabeça (não por vontade própria), tomando um milk shake e folheando uma Playboy (“Está vendo essa aqui? Já peguei!”). O&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="text-align: justify;float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; " src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R-0mNYC83dI/AAAAAAAAAEg/9l5HBb6wzqA/s200/20060620-fofomeno230.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182840757408292306" /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; treinador o chama. Ronaldo. O Fenômeno. Um dos maiores centro-avantes da história, que desde 2009 só fizera trinta e poucos gols. Ele, que disputava posição no improdutivo ataque do Flamengo. Ele, que fora convocado apenas porque Zico declarou que, se fosse o técnico, não o levaria. Com algum esforço, o craque se levanta. Ao ver sua rechonchuda silhueta saindo de trás da cobertura do banco de reservas, o Maracanã produz um urro de surpresa. Pato sai no carrinho-maca. Ronaldo entra no campo aos 38’. No camarote, o jovem Ronald, ao lado da namorada Sasha, abre um sorriso dentuço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O jogo é o mais tenso que já se viu. Os argentinos catimbam, os brasileiros prendem a bola&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;excessivamente. Aos 41, Ronaldo se movimenta bem e chega até a linha lateral, onde bebe água. A bola, disputada na intermediária brasileira, cai por algum motivo em seus pés. Ele levanta a cabeça e, como um navio, parte. Cruza a linha intermediária com a bola dominada e vai ganhando velocidade, dribla todo e qualquer cabeludo de azul que aparece no caminho. Durante uns poucos segundos, ninguém no Maracanã respira, os narradores do mundo inteiro se calam, bilhões de olhos se arregalam. Ronaldo entra na área, o goleiro dá dois passos à frente. De pé esquerdo, o centro-avante golpeia violentamente a bola, que cruza em diagonal a&lt;/div&gt;&lt;img style="text-align: justify;float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; " src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R-0oHYC83fI/AAAAAAAAAEw/qoJ5cTNKeHY/s200/rivalidade3.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182842853352332786" /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pequena área já consciente de seu destino: morrer na rede lateral, rente à trave. Gol do Brasil. Ronaldo cai, ninguém vê. O Maracanã sente uma alegria contida e multiplicada há 64 anos. Os argentinos não entendem nada. Quando o craque se levanta, o mundo nota abaixo de seu joelho esquerdo não haver mais nada. Parada, caída, gloriosa entre a marca do pênalti e a linha da pequena área, jaz a metade de baixo da perna esquerda de Ronaldo, de chuteira azul e meia branca, onde mais tarde seria enterrada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saída não se sabe de onde, uma multidão de belas mulheres parcamente vestidas, invade o gramado do Maior do Mundo, ergue Ronaldo nos ombros e desaparece pelo portão principal. O juiz encerra o jogo. Não se sabe o paradeiro de Ronaldo. Ninguém ousará perguntar pelo craque ou procurá-lo em seu merecido paraíso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, o hexa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Obrigado, Ronaldo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-1918690611998838940?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/1918690611998838940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=1918690611998838940' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/1918690611998838940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/1918690611998838940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/03/pela-ltima-vez-rrrrrrrronaaaaaldo.html' title='Pela última vez, RRRRRRRRonaaaaaldo'/><author><name>Tiago Marconi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10536114558516673798</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00997535148497051655'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R-0lj4C83cI/AAAAAAAAAEY/TT7O7wJqN4Q/s72-c/rnzrBrrr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-9142419081559746659</id><published>2008-03-17T13:42:00.015-03:00</published><updated>2008-04-28T13:38:00.671-03:00</updated><title type='text'>Lembranças Incólumes de um Carnaval Imperfeito</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por Chico Garcia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os motivos de uma tragédia são sempre bestas: não cabem numa nota de jornal, chateiam em uma crônica e poucos valem um romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito mais importantes são os fidedignos relatos da memória do povo, de todos os sambistas anônimos, andarilhos fugazes e testemunhas sóbrias que ali estavam, pois ninguém jamais vai esquecer aquele São Jorge.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R96kbR3KdBI/AAAAAAAAAGc/kTblg84svlw/s1600-h/sao_jorge.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178757410080846866" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 171px; CURSOR: hand; HEIGHT: 175px" height="225" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R96kbR3KdBI/AAAAAAAAAGc/kTblg84svlw/s320/sao_jorge.jpg" width="250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O carro era uma alegoria primorosa, acabado à mão por noites inteiras. Estava pronto para entrar no desfile e ser o lúdico que deveria ter sido, não fosse tamanha a selvageria desse sábado de fevereiro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não houve espanto e não faltaram alertas. O conto estava escrito há tempos, com páginas e páginas permeadas pela falta de bom senso, diligência e incapacidade de prever o óbvio. O repórter apurou, o jornal publicou e o leitor já sabia muito antes disso que as torcidas organizadas se armavam até os dentes, para o que deveria ser um simples desfile de blocos carnavalescos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A invasão dos grupos de arquibancada no sambódromo começou como um ideal de existência e terminou como estratégia de sobrevivência, povoando de agremiações fanáticas de todos os times (algumas delas repletas de bandidos armados, que acabam vindo para a avenida no meio de muita gente boa) o grupo de acesso do carnaval paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no dia 22 de Fevereiro de 2003, em pleno Anhembi, tudo o que todos previam virou realidade. A.J.J, o Sukita, presidente de uma das maiores torcidas organizados da cidade, foi preso por espancar até a morte um torcedor de uma agremiação rival; e, não obstante, também como suspeito de assassinar a tiros o carnavalesco Ruy Luciano Nogueira, de vinte e cinco anos, apenas porque o artista plástico se recusou a ver um de seus carros alegóricos destruído. Um particularmente belo, que trazia a imagem de São Jorge, o guerreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruy foi enterrado sob revolta. As lágrimas da injustiça ainda permanecem frescas em sua lápide e ninguém jamais foi preso ou sequer julgado pelo crime hediondo que deu cabo à sua vida. Sukita responde pelo primeiro homicídio citado - uma pena de quatorze anos, com liberdade condicional em sete – por falta de provas concretas de que, conforme contam por aí, empunhou a arma usando a camisa de seu time de coração e disparou três balas contra a cabeça do carnavalesco, tão e somente porque ele trabalhava para uma torcida rival.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há de se discutir a existência das organizadas na avenida e há de se respeitar sua tradição, dentro e fora das arquibancadas. Quem sabe não seja possível, através da igualdade do samba, criar raízes de tolerância sem que seja necessário policiar o carnaval tão ostensivamente quanto o futebol. Enquanto não se chega lá, contudo, deve-se marcar de perto a existência desses grupos nos desfiles; e torcer, torcer muito, para que outra tragédia como essa não venha a acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espada brilhante do herói desferia o golpe final no dragão mitológico e era para ser vista por todos. Mas amanheceu escondida por um plástico negro, ao lado do corpo desfalecido de seu criador. Quando por uma simples disputa de arquibancada um carnavalesco teve de morrer protegendo sua obra, o sambódromo paulista assistiu de uma vez por todas a vitória da violência sobre a ternura; e de um bando de imbecis sobre todas as outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prisioneiro de sua arte, o próprio artista foi réu no tribunal indecifrável dos destinos mundanos, culpado pela transfiguração do mundo e devoção cega ao trabalho que tanto amava. Seu veredicto, todo torto desde o início, foi que deveria deixar o mundo assim: abraçado com um filho esculpido em isopor, colorido com tinta e imortalizado na história coberto de sangue. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;agradecimentos ao parceiro de boteco Lello di Sarno, que esses dias puxou o assunto, já enterrado pelo tempo, antes de pedir outra cerveja.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-9142419081559746659?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/9142419081559746659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=9142419081559746659' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/9142419081559746659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/9142419081559746659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/03/lembranas-inclumes-de-um-carnaval.html' title='Lembranças Incólumes de um Carnaval Imperfeito'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06211806687052889231'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R96kbR3KdBI/AAAAAAAAAGc/kTblg84svlw/s72-c/sao_jorge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-8361326980577722872</id><published>2008-03-08T13:55:00.008-03:00</published><updated>2008-03-10T09:39:24.328-03:00</updated><title type='text'>Torcida Split</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por Zé Pedro Fittipaldi&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Foi um torneio estrambótico do começo ao fim. Nunca houvera nem jamais houve desde então tanta coisa incomum em 3 semanas de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Iugoslávia estreou devagar mas voltou do intervalo rasgando, pra guardar 3 num time suíço que na próxima partida arrancaria um empate do Brasil aos helveticamente marcados 88 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo jogo, amornado o calor da estréia, foi um doce 4 a 1 sobre um México que já pavimentava sua tradição de embuste, tal qual sua ex-metrópole. Era pra ter sido de zero, gol de honra de pênalti depois dos 40 não alivia nem macula. Só registra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho, tudo muito do estranho; e na partida decisiva da primeira fase da Copa de 50 a vantagem do empate era da Iugoslávia sobre o Brasil. E o jogo no Maraca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o &lt;em&gt;maracanazo&lt;/em&gt; que nunca houve já não havia mais aos três minutos. Três minutos e os iugoslavos já tinham começado a se conformar. Mais tarde tomariam outro já pensando em caipirinha. A Copa acabara. Quinto lugar -bom! E o Brasil por aqueles tempos devia ser o país mais feliz do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Split é uma bela cidade portuária na costa da Dalmácia, atual Croácia, que fora devolvida à Iugoslávia pelos italianos derrotados na Segunda Guerra apenas quatro anos antes da Copa de 50. Em Split o Brasil deixou uma marca sem nem saber, fruto direto daquele Maracanã lotado do Brasil 2, Iugoslávia 0 que nos classificou para o Maracanazo.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UpluJw6YI/AAAAAAAAAHY/Xh8ngk61QZw/s1600-h/torcida.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UrWeJw6bI/AAAAAAAAAHw/CPJWf-Xz8LI/s1600-h/torcida.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5176091011783387570" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UrWeJw6bI/AAAAAAAAAHw/CPJWf-Xz8LI/s200/torcida.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um grupo de torcedores do principal clube da cidade – o orgulhoso HNK Hajduk Split, time do General Tito que recusara um lugar na primeira divisão italiana quando sua cidade estava ocupada –, testemunha deslumbrada da derrota para o Brasil no Maracanã, decidiu fundar uma torcida agora que tudo estava calmo e o campeonato nacional voltava a ser disputado. A torcida precisava de um nome. Por quê não... torcida? &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UrnOJw6cI/AAAAAAAAAH4/O-YOZU2pDrE/s1600-h/torcida+zagreb.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5176091299546196418" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UrnOJw6cI/AAAAAAAAAH4/O-YOZU2pDrE/s200/torcida+zagreb.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 28 de outubro de 1950 foi fundada oficialmente a &lt;em&gt;Torcida Split&lt;/em&gt;. Assim mesmo: &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UqKOJw6ZI/AAAAAAAAAHg/fflUYlLkhNQ/s1600-h/torcida+zagreb.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;torcida, &lt;/em&gt;em servo-croata. &lt;em&gt;Tortchida&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Hajduk Split já ganhou sete iugoslavões, oito croatões, nove títulos da Copa da Iugoslávia e quatro da Copa da Croácia. Já jogou Copa dos Campeões e foi até as quartas. Revelou Boksic, Jarni, Kranjcar, Tudor e o perna-de-pau australiano Skoko. Quando a &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UqlOJw6aI/AAAAAAAAAHo/a-2zXEME0K8/s1600-h/180px-Hajduk-jugend.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5176090165674830242" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UqlOJw6aI/AAAAAAAAAHo/a-2zXEME0K8/s200/180px-Hajduk-jugend.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Croácia terminou a Copa do Mundo em terceiro lugar na França em 98 – resultado pra botar inveja em quase todo mundo –, 5 titulares eram do Hajduk Split. O clube é além disso uma das principais caras da identidade local dálmata, o único clube a ter torcedores não-croatas na antiga Iugoslávia e o favorito disparado no agora-talvez independente Kosovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada disso deu notoriedade à Torcida Split. Ela andou freqüentando o noticiário foi por causa de episódios de intolerância que chamaram a atenção a uma camiseta polêmica à venda em seu site na internet. A camiseta, usada com brio pelos integrantes da Torcida, traz a inscrição Hajduk Jugend, em óbvia alusão ao grupo paramilitar nazista Hitler Jugend, a “Juventude Hitlerista”. E o chefe da Torcida declarou em meio à poeira levantada pelo escândalo de racismo contra atletas negros que “a Torcida sempre foi direitista”, afirmando também que não era nazista e apenas gostava do desenho da águia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirando o fato de que a Torcida Split é bem chegada em trocar sopapos com a Bad Blue Boys do NK Dinamo Zagreb, a semelhança com as brasileiras acabou ficando só no espírito dos fundadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Agradecimentos de novo ao Daniel Schultz, que ouviu da boca de um popular de camiseta da Torcida Split, em Split, que “sim, nossa torcida se chama Torcida”, e “não, eu não sei o que significa”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-8361326980577722872?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/8361326980577722872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=8361326980577722872' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/8361326980577722872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/8361326980577722872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/03/torcida-split.html' title='Torcida Split'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17283625651511740468'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R9UrWeJw6bI/AAAAAAAAAHw/CPJWf-Xz8LI/s72-c/torcida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-7406242349338913456</id><published>2008-02-29T21:54:00.016-03:00</published><updated>2008-02-29T23:32:04.337-03:00</updated><title type='text'>A boemia é uma caixinha de surpresas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i6lEaR_wI/AAAAAAAAACs/hE5xHXrhW_c/s1600-h/CrestBohsSmall.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i6lEaR_wI/AAAAAAAAACs/hE5xHXrhW_c/s200/CrestBohsSmall.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172589318036913922" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Certa madrugada, perambulava eu, àquela altura já sozinho e bastante alccolizado, pelas ruas paulistanas, rumo a minha casa. Para quem gosta do esporte, sabe que é preciso fazer uma escala volta e meia, para reabastecer. Uma porta me pareceu convidativa e, após tropeçar num cachorro que quase me mordeu, vi-me num legítimo pub, penumbroso e enfumaçado. Sentei-me ao balcão, pedi um pint de cerveja e saquei do bolso um cigarro. Procurava um isqueiro nos bolsos, quando uma chama apareceu à minha frente. Sem me importar com sua origem, encostei a ponta do cigarro nela, traguei, tirei o cigarro da boca e me virei para agradecer. A figura ao meu lado surpreendeu-me. Um senhor aparentando seus 70 anos, um pouco menor que meu metro e sessenta, barbas brancas desgrenhadas, rosto vermelho, metido num paletó surrado, ostentava um sorriso embriagado que revelava dentes mal cuidados e um olhar ainda mais simpático do que seu gesto de oferecer a chama de seu isqueiro de ouro.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i62EaR_xI/AAAAAAAAAC0/h6J6U5zp3Fg/s1600-h/Labraid_Beadan.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i62EaR_xI/AAAAAAAAAC0/h6J6U5zp3Fg/s200/Labraid_Beadan.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172589610094690066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O velhote estendeu sua mão enrugada para mim e pronunciou seu nome, Labraid Beadan, que demorei alguns minutos para entender e umas 5 repetições ao longo das horas para fixar. Mais tarde, contaria seu significado: “Falador Pequeno”, o que, depois de meia hora de quase monólogo, não seria difícil entender. Contou-me ser de Dublin e ter chegado a São Paulo em plena greve da Light, após ter vindo a Santos clandestino em um navio. Perguntei se viera fugindo da guerra de independência e ele, com um sorriso a princípio constrangido e em seguida muito brejeiro, contou que após visitar uma adega com amigos em Cork, acordou no porão de um navio, com uma ressaca de matar. Revelou ainda que um marinheiro afirmou ter tirado ele de dentro de um barril de irish cream, que misteriosamente estava seco. Recusou-se a dizer sua idade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Começamos conversando sobre literatura irlandesa e eu, que não sou grande conhecedor dela, me impressionava com a intimidade com que Beadan tratava monstros sagrados da literatura (Jimbo Joyce, Sammy Beckett,...). Com a maestria de um professor e a intimidade de um grande mentiroso, destrinchava livros altamente complexos com frases simples e relatos pessoais (“Esse O'Connor, de Dublinenses, foi inspirado num sujeito que vivia bêbado e pagando de agitador político...”). Ao menor sinal de puxa-saquismo de minha parte, como perguntar como uma ilha de 4 milhões de habitantes tinha tantos grandes escritores, desdenhava de mim e de seu país, numa auto-ironia que deixava transparecer grande amor à terra natal. Contei-lhe que tinha bebido todo o meu dinheiro e respondeu que não me preocupase com isso. Tirou uma enorme moeda de prata da pequena bolsa que trazia e pediu mais duas, gesto que repetiria muitas e muitas vezes, para meu espanto, que não via de onde poderiam sair tantas moedas.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i7J0aR_yI/AAAAAAAAAC8/xqp3Bq34Nb4/s1600-h/mais_uma_bohs.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i7J0aR_yI/AAAAAAAAAC8/xqp3Bq34Nb4/s200/mais_uma_bohs.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172589949397106466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Perguntei-lhe se mantinha contato com a Irlanda e ele surpreendeu-me ao dizer que a cada poucos anos viaja para lá, além de acompanhar pela internet o desempenho de seu time. Quis saber que time era e ele, me olhando como se eu tivesse perguntado se ele era homem ou mulher, respondeu, “O Bohemian, ora”. Naquele momento notei que o futebol irlandês era uma incógnita, ao contrário de sua brava seleção. Meus olhos blogueiros se animaram e pedi-lhe que me contasse sobre o time e o futebol irlandês enquanto meus olhos boêmios se animaram com o nome do time e pedi mais uma cerveja ao garçom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bohemian Football Club, disse-me Beadan, é o primeiro time de futebol da Irlanda, fundado em 6 de setembro de 1890 no Phoenix Park, noroeste de Dublin, por funcionários públicos, estudantes de medicina, notórios paus-d’água e um gato. Na reunião de fundação, num pub cujo nome não lembrava (“Freqüentávamos tantos” – justificou), houve polêmica sobre o nome: os funcionários públicos e estudantes queriam chamar o time de Rovers, mas a maioria, incluindo o presidente Dudley Hussey, que deu seu voto de minerva, apoiou a proposta de Frank Whitaker (pé-de-cana que depois se regenerou e ingressou na Ordem de São João de Deus) de chamá-lo Bohemian, por causa da constante deambulação dos &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i74UaR_zI/AAAAAAAAADE/ewzb8Knhy1g/s1600-h/dalymount.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i74UaR_zI/AAAAAAAAADE/ewzb8Knhy1g/s200/dalymount.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172590748261023538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;componentes da equipe à procura de bares abertos e campos onde pudessem jogar bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O símbolo – mostrou-me Beadan, orgulhoso, em sua carteirinha – são os tradicionais 3 castelos que representam o zelo dos cidadão na defesa de Dublin. As cores, desde 1893, vermelho e preto. Até 1901, o clube mudou-se algumas vezes, o que lhe rendeu o apelido de The Gypsies, Os Ciganos. No verão desse ano (verão irlandês, bem entendido), o grande boêmio William John Sanderson, após noite animada num cabaré, acordou ao relento com um gato – o mesmo que fundou o time – lambendo-lhe a face num enorme descampado perto da linha do trem. Após praguejar, jurar que nunca mais voltaria a beber, levantar e dar alguns passos cambaleantes tentando entender onde estava, resolveu ir a um pub onde certamente encontraria alguns amigos de time e comunicou-lhes haver encontrado o lugar perfeito para a casa dos Bohemian. Após um brinde e algumas saideiras, foram todos para o descampado, seguindo o gato, porque Sanderson não lembrava o caminho. Ali, em setembro,&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i8g0aR_0I/AAAAAAAAADM/bA6zx_d393A/s1600-h/escudo_antigo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i8g0aR_0I/AAAAAAAAADM/bA6zx_d393A/s200/escudo_antigo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172591444045725506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; nasceria o Dalymount Park. Em 1921, em decorrência da secessão entre as Irlandas, a IFA (Ireland Football Association) virou a associação de futebol do Norte e foi criada a FAI (Football Association of Ireland). Dalymount Park era o melhor campo da república e tornou-se a casa da seleção nacional até os anos 70, quando a FAI resolveu sediar os jogos num estádio de rúgbi, com maior capacidade (Lansdowne Road). Nesse enorme meio tempo, após anos de fartura, lá pelos anos 60 os Bohs enfrentaram uma enorme crise financeira por causa dos custos de iluminação do estádio. Para tentar sair do vermelho, iniciou-se em 1969, o processo de profissionalização da equipe. Nos anos 70, o time reencontrou o caminho dos títulos e depois encarou novo jejum nos anos 80 e 90 (exceto por uma Copa FAI). Beadan afirmou que ganhar ou não títulos era o de menos, que o que valia era o espírito boêmio. Perguntei-lhe o que restava desse espírito e ele, para minha surpresa, afirmou que o gato, por exemplo, conhecido como Dalymount Cat, segue acompanhando os jogos no estádio. Além disso, citou um amigo em Dublin, cujo bar, destruído por hooligans, foi reconstruído após uma vaquinha dos torcedores. Revelou ter tentado intermediar a ida de Sócrates para o clube, quando ainda estudava medicina, mas preferiu não entrar em detalhes – observando apenas, ambiguamente, que as negociações foram um porre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei-lhe sobre a torcida. Contou-me ainda que, além de beber, os Bohs gostam de bom futebol e enchem o saco do time quando está jogando mal. Insisti para saber se havia alguma &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i9VUaR_2I/AAAAAAAAADc/xozxxfn_hrM/s1600-h/13991727a673450323b516662109l.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i9VUaR_2I/AAAAAAAAADc/xozxxfn_hrM/s200/13991727a673450323b516662109l.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172592345988857698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;tendência política ou religiosa predominante e, pela única vez na noite, Beadan se irritou, afirmando que a divisão de seu país em dois passava ao mundo essa impressão de que tudo o que existe lá é uma eterna disputa entre católicos e protestantes. Ainda alterado, afirmou que os torcedores apenas escolhem os times que lhes parecem mais simpáticos, que tinha ódio da imagem hollywoodiana de irlandeses brigões e bêbados. Pediu outra e se acalmou. Defendeu ainda que a divisão entre norte e sul, afora toda a questão político-religiosa, se deve ao interesse inglês em não tomar mais cacetes no futebol, pois se, por exemplo, George Best fosse simplesmente irlandês e não norte-irlandês, o futebol de seu país seria muito superior ao da Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura, Labraid perguntou para que time eu torcia e comentou, sarcástico, que os Gypsies nunca foram rebaixados. Disse ainda que a situação atual do clube é animadora, que um novo estádio está sendo erguido e o clube se orgulha de ser propriedade integral de seus sócios, bastando, para se associar, a indicação de 2 outros sócios e aprovação na assembléia geral. Previu que em breve, com o ciclo virtuoso na economia irlandesa, alguns jogadores brasileiros poderiam vestir a camisa rubro-negra, após a saída do grande&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i9z0aR_3I/AAAAAAAAADk/bl_7ZkJ43rg/s1600-h/fogo2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i9z0aR_3I/AAAAAAAAADk/bl_7ZkJ43rg/s200/fogo2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172592869974867826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; ex-vascaíno André Borges (comentário meu: quem???).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, levantou-se e disse que precisava ir. Convidou-me para ir a Dailymount Park enquanto é tempo, foi até a porta, virou para trás e me chamou com um gesto. Fui até lá e ele me disse que eu podia ficar tranqüilo quanto a toda a minha bebida. Antes que eu tivesse tempo de dizer “ã?”, virou-se de novo, montou no cachorro que continuava à porta e partiu de vez, deixando para trás outro boêmio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-7406242349338913456?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/7406242349338913456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=7406242349338913456' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7406242349338913456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7406242349338913456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/02/boemia-uma-caixinha-de-surpresas.html' title='A boemia é uma caixinha de surpresas'/><author><name>Tiago Marconi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10536114558516673798</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00997535148497051655'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R8i6lEaR_wI/AAAAAAAAACs/hE5xHXrhW_c/s72-c/CrestBohsSmall.gif' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-4718093675354112964</id><published>2008-02-24T19:50:00.013-03:00</published><updated>2008-02-25T14:52:47.385-03:00</updated><title type='text'>Muito Além do Frango de Barbosa</title><content type='html'>Descobri que a campanha de Barack Obama tem um aliado sobrenatural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tramando pela vitória do senador de Ilinóis está ninguém menos do que a perturbada alma do velho Barbosa, um dos grandes jogadores da história do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei disso porque, recentemente, depois de ouvir um conhecido de longa data afirmar ceticamente que não há mais racismo no futebol brasileiro, visitei o terreiro de vovó Candinda e invoquei o espírito do injustiçado arqueiro da Copa de 50.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não se lembra ou nunca ouviu falar, o bom Barbosa aceitou &lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8IuNnRU5KI/AAAAAAAAAGM/A8sfeIM3ALQ/s1600-h/1950.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170746133589583010" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8IuNnRU5KI/AAAAAAAAAGM/A8sfeIM3ALQ/s200/1950.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;uma bola que decidiu o Mundial, na tragédia do Maracanazo, sendo então crucificado por toda a imprensa brasileira - boa parte dela discriminando-o pela cor de sua pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem negar que saiu de campo com as penas na mão, a alma “penada” do famoso goleiro possui a preta velha e saiu atirando nos jornais da época: “Barbosa vergonhoso”, chegou a publicar em negrito um jornal reacionário. “Jair covarde, desapareceu perante a marcação de Obdulio Varela”, “Bigode, jogador irresponsável” e por aí vai. Mesmo depois de apagadas atuações de Zizinho, Bauer e Juvenal no segundo tempo, os periódicos atiraram a culpa da derrota em cima dos atletas negros e mestiços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí do terreiro com a cabeça voltada em escrever uma crônica sobre a falta de respeito com os craques negros daquela Seleção. Mas o altruísta espírito de Barbosa continuou a me seguir e, onde quer que eu fosse ele estava lá, tentando me convencer de que não é um mártir, que eu deveria esquecer seu exemplo de vida e me concentrar em questões atuais. &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8H4EHRU5JI/AAAAAAAAAGE/KCyaSZbNBIo/s1600-h/barbosa2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170686596752925842" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8H4EHRU5JI/AAAAAAAAAGE/KCyaSZbNBIo/s200/barbosa2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma e outra aparição, Barbosa diz estar muito entristecido por não ter defendido o chute de Ghiggia e, mais ainda por presenciar do além-túmulo as manifestações racistas que insistem em assombrar o nosso futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, que nasceu numa época em que a discriminação racial tinha respaldo institucional e as circunstâncias do racismo no futebol eram dignas do sul do Mississipi, anda por aí, errante, onipresente e desfrutando dos privilégios de um mundo anti-material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua força vital perambula (emitindo vibrações poderosas) sempre alerta, orientando espiritualmente os militantes negros do mundo inteiro, apreciando a cultura Hip-Hop, trabalhando como ativista engajado de Obama e se relacionando com outras almas perdidas, como a de Martin Luther King, com a qual discute as diretrizes cósmicas das posições políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sono profundo, escrevi uma centena de notas sobre o tema ensejado, provavelmente sob a influência energética de Barbosa. Hoje, mergulhado em anotações que sequer possuem os traços de minha letra, vejo-me no dever de citar, na condição de um mero instrumento, algumas das posições firmes do ex-goleiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Infelizmente, se vende a imagem de que no Brasil o preconceito está desaparecido, ou então anda definhando, agonizando tão desprestigiado que, inclusive, anda sofrendo de preconceito...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... No Brasil onde todos os dirigentes são brancos, todos os narradores são brancos, todos os cronistas são brancos, todos os jornalistas, técnicos e empresários são brancos e, por coincidência, os políticos também são brancos, estou chocado por acreditarem nisso...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Não se comenta a integração dos negros no futebol como se faz, por exemplo, na universidade, na representação pública ou nas novelas, sem que ninguém conteste o motivo de não haverem presidentes de clube negros, médicos ou empresários negros...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Mesmo notando um notável avanço em relação ao passado recente, os negros ainda estão, na cabeça de muita gente, circunscritos à condição de craques, pagodeiros ou favelados...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Afirmações como “goleiros negros são pouco confiáveis” e “zagueiros brancos são melhores taticamente” são mais comuns do que se pensa...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... Como a política e a cartolagem brasileira funciona à base de apadrinhamento e carreirismo nepotista, não vejo um futuro onde os negros estarão disputando a presidência da república ou mesmo da CBF...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Enquanto tratarmos o racismo com palavras mais elegantes como problema social ou discriminação racial e, sem qualquer espanto continuarmos a utliziar costumeiramente a palavra denegrir (rebaixar, tornar negro), podemos acreditar que ele não anda mais vivo do que nunca, nas bases mais fundamentais de nossa sociedade?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não Barbosa, não podemos. E, sem que a humildade de sua alma permitisse tal comentário pelas vias utilizadas, ainda sinto-me no dever de citar um fato histórico de extrema relevância, que você sequer mencionou: Em 1993, Barbosa foi proibido de entrar na concentração da Seleção brasileira para deixar seu incentivo. Zico, por outro lado, foi recebido com honra. E qual dos dois, diga-se de passagem, “amarelou” em mais em Copas do Mundo?&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8H1O3RU5HI/AAAAAAAAAF0/Td8qBpNXlp4/s1600-h/barbosa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170683482901636210" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 123px; CURSOR: hand; HEIGHT: 143px" height="128" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8H1O3RU5HI/AAAAAAAAAF0/Td8qBpNXlp4/s200/barbosa.jpg" width="111" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É o racismo, companheiros. Ele ainda está por aí, escancarado, nas&lt;br /&gt;arquibancadas nos gramados e nas cúpulas administrativas do futebol. &lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8H1TXRU5II/AAAAAAAAAF8/KR7Ch9-WxmQ/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espírito de Moacir Barbosa aguarda no purgatório por uma justiça tardia, para com os atletas negros do mundo inteiro, apenas para poder seguir a luz e descansar em paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-4718093675354112964?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/4718093675354112964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=4718093675354112964' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4718093675354112964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/4718093675354112964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/02/muito-alm-do-frango-de-barbosa.html' title='Muito Além do Frango de Barbosa'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06211806687052889231'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R8IuNnRU5KI/AAAAAAAAAGM/A8sfeIM3ALQ/s72-c/1950.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-5734485321736375230</id><published>2008-02-14T17:59:00.007-02:00</published><updated>2008-02-15T13:09:51.069-02:00</updated><title type='text'>A metacrônica futebolística [inserir título sensacionalista]</title><content type='html'>O futebol anda cada dia mais [aquele chavão sobre aquilo que o futebol cada dia mais anda].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[A primeira é um caminhão e a segunda o seu baú e se tem uma coisa que o futebol não é mais, é [isso, parafraseado]].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ter passado a [hora do jogo] do [dia da semana] em [lugar onde assistiu o jogo], me fez [ver ou sentir, a depender da pretensão de objetividade] que [primeira pitada de esperança]. O [lance da semana que despertou esse fabuloso insight histórico] [adjunto adverbial de modo para dar ênfase] fez valer o [pagamento feito para ver o jogo]. Mostrou que [nota sobre a beleza única do [sinônimo ou metáfora para evitar o uso demasiado da palavra futebol]].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Frase lírica sobre o tempo em que o futebol era o que era e que não é mais]. [Metáfora curta, imagem]. Não é mais, caro [referência ao leitor], e [expressão saída diretamente da boca do povo]. A verdade é que estamos fadados a [sentimento repetido amplamente pelos mais informados comentaristas e também pelo do café com leite da padoca, pelo do táxi e pelo do bar].&lt;br /&gt;[adjunto adverbial de tempo], [isso que o futebol não é mais] pode ser visto estatisticamente, mesmo que [consideração sobre a imprevisibilidade do futebol]. [Pequena conclusão sobre os números continuarem não mentindo (é verdade. Somos nós que mentimos. Número não fala.)].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam só que [chamada de interesse para a estatística da brucutulização do futebol]: [estatística com dados absolutos], e principalmente se considerarmos que [estatísticas com dados relativos]. De fato, [conclusão óbvia sobre os dados apresentados]. (Nenhuma consideração sobre a arbitrariedade da seleção dos dados. Eles foram torturados para nos dizer o que queríamos ouvir. Ok, nem sempre).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, [importante escritor que também publicava crônicas esportivas] certa vez escreveu que [exata pitada de cultura para defender o ponto em questão, que separa os meninos dos homens].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, leitor, [frase do povo].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, [referência ao que disse um inspirado jornalista cultíssimo amigo meu], e portanto [leve pitada de esperança, feliz subclímax].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas [patada nos marqueteiros de plantão!]. Um triste [sinônimos opcionais para “absurdo”, “lamentável” ou “vergonhoso”].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, leitor, [o que e como o futebol revela (o futebol é assofismático. É um caminho para todos os deuses)]. [Exaltação ao Brasil por isso].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Novo parágrafo curto de efeito, dessa vez focando nos efeitos da globalização culminando no futebol não ser mais aquilo que o parágrafo curto de efeito anterior impactantemente declarou ele não mais ser].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A [nota sobre a fé do torcedor] faz com que [o Brasil é realmente diferente de todos os outros lugares do mundo e principalmente por causa do seu amor incondicional ao futebol].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo do [time glorioso como o Brasil de 70, o Flamengo de Zico], [aquilo que era time]. A [evento da magnitude da invasão de 76], [resumo da conversa que tive ontem com um dirigente gente fina].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Esperança, a última que morre], [leitor]! Você viu o golaço do [novo talento de 17 anos]?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-5734485321736375230?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/5734485321736375230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=5734485321736375230' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/5734485321736375230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/5734485321736375230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/02/o-faa-voc-mesmo-da-crnica-futebolstica.html' title='A metacrônica futebolística [inserir título sensacionalista]'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17283625651511740468'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-6100604655997284272</id><published>2008-02-08T18:59:00.000-02:00</published><updated>2008-02-09T16:36:04.880-02:00</updated><title type='text'>Série Grandes Craques Boêmios da História – Edição de Carnaval</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Caro folião,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto outros países se perguntam como a oitava economia do mundo se dá ao luxo de cinco dias ininterruptos de festa, nós brasileiros não perguntamos nada (principalmente porquês, idades ou telefones) até a quarta-feira de cinzas, quando somos tomados por uma ressaca física e moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que, embriagado nessa orgia, pensei em homenagear o futebol tecendo elogios rasgados aos craques foliões, que pulam carnaval e faltam ao treino apenas porque amam a folia. Poderia falar do irreverente Viola, que já desfilou em mais de vinte agremiações carnavalescas de São Paulo, sem esconder sua preferência pela escola rosácea da Vila Brasilândia. Ou então do gogó-de-ouro Paulinho Mocidade, que antes de puxar sambas inesquecíveis da Mocidade Independente de Padre Miguel atormentava os zagueiros adversários ali pertinho, vestindo a 11 do Bangu no Moça Bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estas são histórias que contarei em um outro momento. Hoje, não mais contagiado pelo espírito carnavalesco nacionalista - que à luz do amor nos faz acreditar que não existe melhor lugar que o Brasil -, prefiro relaxar a soberba e admitir que, assim como nós, outros países cristãos possuem belos carnavais e craques foliões, que também merecem entrar nessa lista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve encerrar a carreira neste ano Russel Nigel Latapy, que nasceu em 2 de agosto de 68 em Lattaville, Port of Spain.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zEaGIsx2I/AAAAAAAAAEU/kWuCG505WxE/s1600-h/russel3.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164718825289860962" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zEaGIsx2I/AAAAAAAAAEU/kWuCG505WxE/s400/russel3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Para quem não o conhece, trata-se de uma das personalidades mais famosas de Trinidad e Tobago, aprazível país caribenho banhado por águas azuis translúcidas, onde a cerveja é barata e o cricket o mais popular dos esportes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 10 anos, Russel foi descoberto jogando nas praias do sul de Tobago e, desde então, &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165030772545964690" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 71px; CURSOR: hand; HEIGHT: 91px" height="112" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R63gH0OQSpI/AAAAAAAAAFU/foRIh_jU-g4/s200/lata.jpg" width="64" border="0" /&gt;chama a atenção por onde passa. Aos 18, já uma promessa, rejeitou um convite da Universidade da Flórida e foi para o Clube do Porto, onde começou sua peregrinação por times pequenos e médios da Escócia e de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua vocação para a boemia se manifestou ainda na adolescência, quando freqüentava os bares de &lt;em&gt;socca&lt;/em&gt; (ritmo local que inspirou o apelido da seleção nacional, os &lt;em&gt;Socca Warriors&lt;/em&gt;) da orla de Port of Spain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim o jovem Latapy, que demonstrava incontestável talento tanto para a música com&lt;/span&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zElmIsx3I/AAAAAAAAAEc/9ndxNM9Jmrs/s1600-h/russel.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164719022858356594" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 114px; CURSOR: hand; HEIGHT: 157px" height="134" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zElmIsx3I/AAAAAAAAAEc/9ndxNM9Jmrs/s200/russel.jpg" width="99" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;o para o futebol, logo se maravilhou com a efervescente noite européia. Já nos primeiros anos de Porto passou a ser conhecido pelas freqüentes noitadas, pela companhia de belas mulheres e pelos cabelos sempre estilosos. Em campo, porém, apesar das boas atuações, o craque ficou marcado por perder um pênalti contra a Sampdoria, que tirou o time português do torneio europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se desligar do Clube do Porto, Latapy ainda ficou alguns bons anos na terrinha, sem se destacar em nenhum clube importante. Mas se as portas da terra de Camões estavam fechadas, a Escócia recebeu Russel de braços abertos – o jogador foi a grande aposta do Hibernnian para a temporada de 1998.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por lá, “&lt;em&gt;The Litlle Magician&lt;/em&gt;” (carinhoso apelido de Latapy, também conhecido co&lt;/span&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zHYmIsx9I/AAAAAAAAAFM/ZnU6c4Sjijk/s1600-h/wrongway.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164722098054940626" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zHYmIsx9I/AAAAAAAAAFM/ZnU6c4Sjijk/s200/wrongway.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;mo “&lt;em&gt;Lata&lt;/em&gt;”) é famoso por ter protagonizado o maior escândalo da história do modesto clube, que jamais saiu em tablóide nenhum por causa de conquistas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Numa fatídica madrugada, Russel foi preso por colidir seu carro contra uma propriedade do estado, su&lt;/span&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zEzWIsx4I/AAAAAAAAAEk/Qk-fw_QOZv0/s1600-h/wrongway.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;postamente alcoolizado, junto de um amigo de infância (Dwight Yorke, então craque do Manchester United) e de duas mulheres seminuas, uma delas casada. O caso, cheio de versões fantasiosas que circulam pela internet, repercutiu negativamente na carreira de Latapy. Fontes anônimas chegaram a afirmam que, ainda sob efeito do álcool e indagado sobre a presença de uma mulher casada no veículo, Russel respondeu desconhecer o fato de uma delas ser uma menor de idade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Balelas sencacionalistas, que nunca foram provadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O fato é que, injustiçado e machucado pelas críticas pesadas, Russel ainda teve algumas fracas passagens por outros pequenos times da Liga Escocesa, antes de se retirar dos gramados e abrir uma simpática barraca de praia na Ilha da Madeira, em Portugal. E &lt;em&gt;Lata&lt;/em&gt; teria ficado por lá, curtindo a vida e relembrando com nostalgia seus mais belos gols e dribles, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;se o destino não reservasse grandes planos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convencido por amigos, ele volta aos campos e também à seleção, pela qual tinha tido uma boa participação em 1990 - os &lt;em&gt;Socca Warriors&lt;/em&gt; ficaram de fora daquela Copa por um empate. Aos 38 anos, fumante inveterado – sempre disse que fumava um maço de cigarros por dia sem que isso lhe prejudicasse o rendimento - e longe de suas condições ideais, Russel Latapy vestiu a camisa 10 e jogou por 23 minutos na partida contra o Paraguai, durante a Copa do Mundo da Alemanha, em 2006. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R63gXUOQSqI/AAAAAAAAAFc/drUOyYHtXZY/s1600-h/latapy+3.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165031038833937058" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R63gXUOQSqI/AAAAAAAAAFc/drUOyYHtXZY/s200/latapy+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta ao seu país, foi homenageado no Estádio Nacional de Hasely Crawford. E após duas voltas em torno do gramado que o revelou ao mundo Russel, ofegante, foi aplaudido de pé por mais de vinte mil pessoas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Por ser o primeiro cidadão de Trinidad e Tobago a jogar nas ligas européias – traçando um caminho depois percorrido pelo muito mais bem sucedido Dwight Yorke – Latapy tem considerável fama e goza de inúmeros privilégios em sua cidade natal, onde fundou recentemente a &lt;em&gt;Russel Latapy Secondary School&lt;/em&gt;, apenas para crianças carentes de Port of Spain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se ter uma idéia de seu prestígio pelas ruas da capital, uma conhecida piada diz que, ao chegar ao céu, um padre muito popular começou a ser apresentado às grandes personalidades locais falecidas (você não conhece nenhuma), até o momento em que encontrou Russel Latapy. Confuso, o recém-chegado mandou chamar São Pedro e afirmou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas Latapy ainda está vivo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Pedro, com um triunfante sorriso de canto, chamou-lhe ao canto e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bahhh! Aquele é apenas Deus, fingindo ser Latapy.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-6100604655997284272?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/6100604655997284272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=6100604655997284272' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/6100604655997284272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/6100604655997284272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/02/srie-grandes-craques-bomios-da-histria.html' title='Série Grandes Craques Boêmios da História – Edição de Carnaval'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06211806687052889231'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R6zEaGIsx2I/AAAAAAAAAEU/kWuCG505WxE/s72-c/russel3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-600913414547820987</id><published>2008-02-01T13:18:00.001-02:00</published><updated>2008-02-01T14:37:17.954-02:00</updated><title type='text'>Crônica de um jogo que não houve</title><content type='html'>Na semana do aniversário do gênio Romário, meu artigo seria dedicado aos 40 anos recém-completados de uma peça fundamental para o sucesso da seleção de 94. Mauro Silva, o jogador de menos categoria no pior meio-campo campeão do mundo que este país já produziu, é um exemplo de como deve ser entendido o futebol moderno, que pode prescindir até mesmo do futebol em nome do resultado. Vocês devem se lembrar quem dos dois citados esteve mais perto de balançar as redes italianas... Aos tetra-campeões aniversariantes, meus parabéns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De última hora, no entanto, recebi um e-mail comovente de um amigo de longa data,  o Diogo Menezes, barman existencialista e filósofo habilidoso, que publico na íntegra, mais pela pertinência e atualidade do tema “taça das bolinhas” e por apreço a seu relato pessoal do que por concordar com ele. Curiosa é a presença insistente de Mauro Silva nos textos, nos marcando de perto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Caro Tiago,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu e-mail provocador a respeito do Corinthians x Guarani da última quinta me lembrou outros tempos, em que tanto eu como você tínhamos motivos para sorrir, em vez de nos provocar mútua e pateticamente desde as divisões inferiores do decadente futebol brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei daquelas finais do Paulistão de 88, do gol inesquecível do Neto e do surgimento do Viola, que apareceu dando o título a vocês. De lembrança em lembr&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M9tnAocbI/AAAAAAAAABE/uNHVDwmm-AY/s1600-h/qfl_6951.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 277px; height: 205px;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M9tnAocbI/AAAAAAAAABE/uNHVDwmm-AY/s320/qfl_6951.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162037451671761330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ança, eu acabei lembrando dos 20 anos de uma data que aparentemente passou desapercebida para todo mundo, menos para mim. O dia 24 de janeiro de 1988. Eu, com meus 10 anos, era sócio e um entusiasmado torcedor do forte Guarani, que já não tinha Careca, mas tinha Evair, além de Giba, Ricardo Rocha, Boiadeiro, João Paulo, o jovem Mauro Silva no banco e voltaria a ter Neto, pouco tempo depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da decepção com a roubalheira da final de 86 (disputada em 87), acompanhei o Bugre por todo o ano de 1987, no Paulista, na Libertadores (em que, de certa maneira, nos vingamos, vencendo o São Paulo aqui e empatando no Morumbi) e, enfim, no Brasileiro. Meu pai era fanático e íamos a rigorosamente todo jogo no Brinco.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M44nAocYI/AAAAAAAAAAs/9nm9hOqbZxc/s1600-h/87_1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 191px; height: 260px;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M44nAocYI/AAAAAAAAAAs/9nm9hOqbZxc/s320/87_1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162032143092183426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu, porém, sabia que não existia apenas o Guarani e, já como hoje, era um admirador do futebol. Quando os compromissos com meu time permitiam, assistia na TV aos jogos dos outros. Era impossível não se entusiasmar com o time de Renato Gaúcho, Bebeto, Jorginho e, ele, Zico. Ele, que desperdiçara o pênalti do jogo na Copa anterior, e voltara a desfilar sua classe pelos gramados brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, ainda no início de dezembro, o juiz apitou o fim do de Guarani 1x0 Atlético Paranaense, depois de mais de 80 minutos de sofrimento, eu explodi de alegria e torci muito para que o Flamengo entrasse no quadrangular. Classificados Flamengo e Inter no módulo Amarelo, sempre com a cabeça no quadrangular, acompanhei na TV a histórica disputa de pênaltis com o Sport (11x11!!!) e esfreguei minhas mãos em júbilo esperando o dia em que meu Guarani mediria forças com o Flamengo de Zico, que no mesmo momento despachava o Inter, sagrando-se campeão do Módulo Amarelo.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M44nAocZI/AAAAAAAAAA0/jvOQjfi1HYg/s1600-h/copa_uniao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 279px; height: 174px;" src="http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M44nAocZI/AAAAAAAAAA0/jvOQjfi1HYg/s320/copa_uniao.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162032143092183442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte (eu não falava em outra coisa), meu pai, preocupado, veio contar-me que o Flamengo e o Internacional haviam abandonado a disputa e o Flamengo já se considerava campeão brasileiro e quadrangular seria reduzido a um jogo de ida e outro de volta com o Sport. “Como pode haver um campeão sem ter enfrentado o time mais forte?” – pensava eu. Era a segunda final que nos roubavam – e desta vez nem nos deixaram jogar! Fiquei com raiva do futebol e virei o ano pensando em outras coisas. Passadas poucas semanas, já era um torcedor de novo, jogava minha bola e freqüentava meu clube do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domigo 24 de janeiro de 1988, lembro de acordar cedo com a idéia fixa de ver o jogo com o Flamengo. No fim da manhã, toda a família foi para o clube. Perto das 17h, enquanto todos estavam na beira da piscina, já bem cansados, fui sozinho até o estádio tristemente vazio, fechei os olhos, ouvi a torcida bugrina cantar forte e vi o Guarani enfiar 2 a 0, um de João Paulo e outro de Evair, no covarde time do Flamengo. Zico, além de perder um pênalti, &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M443AocaI/AAAAAAAAAA8/FHytpdRjQSs/s1600-h/brincouro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 275px; height: 133px;" src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M443AocaI/AAAAAAAAAA8/FHytpdRjQSs/s320/brincouro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162032147387150754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;teve atuação apagada graças à boa marcação de Tosim. E o quadrangular final continuou em aberto. Fui embora com o gosto da vitória e deixando naquele estádio uma parte de minha infância. Até fui nos jogos posteriores em que perdemos o título para os recifenses. Mas, na verdade, para mim, não há 2 campeões de 1987, nem um. Para mim, aquele campeonato não acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande abraço,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diogo”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-600913414547820987?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/600913414547820987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=600913414547820987' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/600913414547820987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/600913414547820987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/02/na-semana-do-aniversrio-do-gnio-romrio.html' title='Crônica de um jogo que não houve'/><author><name>Tiago Marconi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10536114558516673798</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00997535148497051655'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R6M9tnAocbI/AAAAAAAAABE/uNHVDwmm-AY/s72-c/qfl_6951.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-484646327976781493</id><published>2008-01-29T17:49:00.000-02:00</published><updated>2008-01-29T22:42:05.870-02:00</updated><title type='text'>Tecnologia argentina para exportación</title><content type='html'>A &lt;em&gt;hincha &lt;/em&gt;do Boca Juniors está para as torcidas de futebol como Harvard &lt;a href="http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-FPOF8YXI/AAAAAAAAAGQ/xx9uxjMPXio/s1600-h/chacarita+boca.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160990194517434738" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-FPOF8YXI/AAAAAAAAAGQ/xx9uxjMPXio/s200/chacarita+boca.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;para o mundo acadêmico, afirmou em 2006 o chefe da principal &lt;em&gt;barra&lt;/em&gt; boquense. E com isso a Argentina, que já viveu tempos melhores, está criando divisas em dólares com um novo serviço especializado voltado ao mercado externo: consultoria para transferência de tecnologia organizacional para torcidas de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso inclui cantos, táticas de brigas, métodos de extorsão de dirigentes e jogadores, recomendações para superfaturamento do preço de ingressos e dicas para a cobrança de propinas de ambulantes das proximidades dos estádios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;¿Bueno, eh?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Segundo reportagem do diário bonaerense Olé, os contratantes mais b&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-F-eF8YZI/AAAAAAAAAGg/DRvDvH4oLGw/s1600-h/san+lorenzo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160991006266253714" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-F-eF8YZI/AAAAAAAAAGg/DRvDvH4oLGw/s200/san+lorenzo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;em sucedidos até então tinham sido do Pumas, do Tigres e do América, no México, e das equipes de Cali, na Colômbia. Sabe-se também dos efeitos dos trabalhos dos argentinos em outros países da América Central – todos estes lugares que, invariavelmente, observaram um surto de crescimento no número e na brutalidade de episódios de violência no futebol nos últimos anos, em que o entusiasta do esporte vem perdendo lugar para o fanático sectarista nas arquibancadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é só a consultoria &lt;em&gt;in-house&lt;/em&gt; que está gerando receitas: os &lt;em&gt;hinchas&lt;/em&gt;-&lt;em&gt;expert &lt;/em&gt;do Boca têm recebido em Buenos Aires interessados de &lt;em&gt;ultras&lt;/em&gt; do mundo inteiro. A Espanha desponta como o melhor mercado mas todo o mundo hispanófono se interessa, do Chile ao México.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante observar o lado mundanamente feio de algo cercado de tanta mística e valor cultural. Mesmo assim a insípida descrição do &lt;em&gt;business case&lt;/em&gt;, embora adequada, é insuficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor uruguaio Eduardo Galeano disse bonito e as torcidas do Fla&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-FxOF8YYI/AAAAAAAAAGY/1jQpEmr2w14/s1600-h/torcida+do+quilmes.bmp"&gt;&lt;/a&gt;mengo e do Corinthians (digamos, do Boca e do River) inteiras sabem que não é correto atribuir a violência ao futebol; ela não vem do futebol, aparece no futebol. Na Grande Buenos Aires não é diferente e nestes países e lugares receptores de cultura por dizer tradicional de futebol também não. Novidade é o movimento no sentido da globalização do saber acumulado cultural local, agora transformado em pacote e mercantilizado ao sabor do freguês, nesse fenômeno que vem despontando a partir de várias torcidas transplatinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que não cabe atribuir o selo “&lt;em&gt;hecho en Argentina&lt;/em&gt;” ao surto recen&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-GpeF8YaI/AAAAAAAAAGo/dp0-ixDHOcs/s1600-h/boca.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160991745000628642" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 212px; CURSOR: hand; HEIGHT: 120px" height="137" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-GpeF8YaI/AAAAAAAAAGo/dp0-ixDHOcs/s200/boca.jpg" width="221" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;te de pancadaria no futebol latino-americano tanto quanto reconhecer que tudo o que ganhasse espaço em termos de cultura futebolística no mundo hispanófono – e mesmo fora dele – teria um dedo do modo de ser argentino. Esse torcer é a quintessência da experiência do entusiasta, é o apoio à equipe na sua forma mais dramaticamente eficaz. E o Boca é a corporificação máxima deste espírito, materializado no ar que paira La Boca, em sua disposição urbana e na arquitetura do estádio, e transformado em som e vibração, em pressão tangível, pela &lt;em&gt;hinchada &lt;/em&gt;que canta bem e sem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que o Boca Juniors e o futebol argentino exercem uma influência muito maior no jeito de torcer mundo afora do que aquela sistematizada por seus mestres remunerados – papel que já coube ao Brasil, um assunto a que voltaremos futuramente. Buenos Aires reuniu condições propícias para o florescimento de uma rica cultura de torcidas organizadas, das quais a mais importante possivelmente é o fato de o conurbado bonaerense ter a maior “densidade futebolístico-espacial” do mundo. O papel da familiaridade lingüística com o restante da América Latina nesse processo também não pode ser desprezado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade é que o próprio Brasil sente essa energia. A geral do Grêmio, a mai&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-HhuF8YbI/AAAAAAAAAGw/9lsv-wmTs4E/s1600-h/alma+castelhana.jpg"&gt;&lt;/a&gt;s castelhan&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-IhuF8YcI/AAAAAAAAAG4/qOQFTiLh24s/s1600-h/alma+castelhana.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160993810879898050" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-IhuF8YcI/AAAAAAAAAG4/qOQFTiLh24s/s200/alma+castelhana.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;a das torcidas brasileiras, é a &lt;em&gt;banda louca que corre &lt;/em&gt;os torcedores do Internacional, bebe vinho e fica &lt;em&gt;borracha&lt;/em&gt;, canta músicas diretamente traduzidas das &lt;em&gt;barras &lt;/em&gt;do boca como os típicos “dale-ôs” do original &lt;em&gt;dale bo &lt;/em&gt;do Boca, e comemora gols com &lt;em&gt;avalanchas&lt;/em&gt;. Quem já viu essa torcida sabe que o Grêmio tem a maior vantagem de jogar em casa do Brasil. Pressão pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os “dale-ôs”, diga-se, estão cada vez mais comuns em cada vez mais torcidas pelo país, incluindo pelo menos a do Corinthians, argentinófila desde Carlitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indepentemente da (má) influência que os líderes barrabravas argentinos venham exercendo mundo afora, é certo que se no mundo ideal os goleiros são alemães, os zagueiros italianos e os meio-campistas e atacantes brasileiros, no mundo ideal a torcida – como o churrasco após o jogo – vem da Argentina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-484646327976781493?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/484646327976781493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=484646327976781493' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/484646327976781493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/484646327976781493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/tecnologia-argentina-para-exportacin.html' title='Tecnologia argentina para exportación'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17283625651511740468'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R5-FPOF8YXI/AAAAAAAAAGQ/xx9uxjMPXio/s72-c/chacarita+boca.bmp' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-3613558437560179189</id><published>2008-01-22T17:23:00.001-02:00</published><updated>2008-01-23T14:29:38.064-02:00</updated><title type='text'>O Torneio dos Pênaltis de Uauaçu</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158387250428783698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 273px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" height="150" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R5ZF37u2LFI/AAAAAAAAACI/wuYY7jLgQ5M/s400/File0011.jpg" width="400" border="0" /&gt;Já viajei bastante por esse mundaréu chamado Brasil e sempre fui bem acolhido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos cantos soturnos do mato fechado, pitei fumo de corda e bebi das fontes mais sábias, ouvindo da memória do povo as bonitas histórias de nossa gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre umas e outras, proseei com figuras altivas das reentrâncias maranhenses, dos pampas sulinos, dos igapós isolados do Rio Araguaia e das terras secas e árduas do Raso da Catarina - e as ouvi, em alto e bom tom, narrar jogadas tão belas e verossímeis quanto o famoso gol de Pelé na Rua Javari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de todas as estreitas arestas e roçados que minhas pernas alcançaram, foi apenas na Vila de Uauaçu que eu vi o povo se reunir às centenas só para bater pênalti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, pênalti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às margens do longínquo lago Uauaçu, no caminho pros confins da Amazônia, faça chuva ou faça sol, duas vezes por ano esse povoado, que sobrevive da pesca e da coleta de castanha, assiste ao evento mais aguardado da região: o Torneio dos Pênaltis de Uauaçu, uma pérola do folclore futebolístico brasileiro que reúne mais de 60 duplas num empolgante mata-mata, para decidir, em um dia inteiro, quem são os reis do pênalti no Baixo Purus.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R5ZGIru2LGI/AAAAAAAAACQ/BbqIxz5ya74/s1600-h/File0013.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158387538191592546" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 261px; CURSOR: hand; HEIGHT: 162px" height="276" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R5ZGIru2LGI/AAAAAAAAACQ/BbqIxz5ya74/s400/File0013.jpg" width="273" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas antes que considere este relato uma simples história de pescador, deixe-me esclarecê-lo de que estive em Uauaçu em minha viagem pelo Rio Purus, tortuoso afluente do Amazonas, descrito com maestria pelo nosso grande cientista-escritor Euclides da Cunha. E como de habitual, uma vez lá resolvi me inteirar sobre a tradicional pelada de fim de semana, que acontece domingo, invariavelmente pelo Brasil inteiro, no campinho local - não há cidade ou vila que não tenha o seu -, reunindo os craques das redondezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cervejinha, dominó (o verdadeiro, que dá pontos nos múltiplos de cinco), algumas doses de cachaça com jambo e logo fui convidado para participar de um torneio, justamente naquele final de semana. Papo vai, papo vem e, já ligeiramente alto, descobri, porém, que não haveria nenhum jogo daqueles de transpirar sangue (já tão cobiçado pelos morcegos vampiros do Uauaçu), mas sim uma gigantesca eliminatória em que duplas formadas por goleiro e batedor se enfrentavam com três pênaltis para cada lado, até a grande final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria uma simples diversão não fosse realmente uma competição séria, com gente de todos os lados disputando um único e cobiçado troféu: a maior tartaruga que fosse encontrada entre os retorcidos igarapés da mata nos dias que antecediam a festa.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R5ZGuLu2LHI/AAAAAAAAACY/kQ_6WeV2zIQ/s1600-h/File0012.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158388182436686962" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 237px; CURSOR: hand; HEIGHT: 141px" height="257" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R5ZGuLu2LHI/AAAAAAAAACY/kQ_6WeV2zIQ/s400/File0012.jpg" width="212" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Incrível. No domingo todos os caboclos, índios, mulheres, crianças, velhos, bêbados e sóbrios da região vagavam pelas proximidades do campo, enquanto as duplas discutiam suas estratégias e as apostas eram recolhidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando apareceu diante de mim um índio forte, carregando mais de cinco quilos de ouriços de castanha, falando alto, sem que eu entendesse sequer uma palavra. No entanto, logo soube que não era nenhum rival me intimidando, mas sim Marivaldo, meu parceiro de equipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combinamos que ele seria o goleiro e eu cobraria os pênaltis, formação que logo nos deu a primeira vitória. Foram emocionantes e acirradas disputas entre verdadeiras lendas do pênalti amador, cheias de chutões, macacos velhos daqueles que sabem desde pequeno aonde a onça bebe água, paradinhas e catimbas das mais diversas. E entre mortos e feridos, sobrevivemos até a semifinal. Talvez a sorte tenha me abandonado, talvez os deuses da floresta tivessem outros planos, mas caímos de pé, sob aplausos do público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos vencedores, a tartaruga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De noite, desfrutando da paz que nos leva e guarda e ao som da irritante banda Calipso, saboreei um gordo pedaço da taça, elegantemente dividida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube também que nenhuma das tentativas do Ibama e Funai (entre outros órgãos governamentais, ong’s e institutos), para discutir o que quer que fosse, recebia representantes de tantos povoados e tribos como o Torneio dos Pênaltis de Uauaçu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais algumas doses de cachaça com jambo e logo estávamos falando até de política; e de que sábio é aquele que, experimentado nos calejos e ternuras da vida, reconhece não haver melhor momento para se discuti-la do que após uma partida de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprender a chutar uma bola é incorporar uma das formas de expressão mais autênticas de nosso povo. Pois nesse humilde gesto, que coloca lado a lado o rico e o pobre, o culto e o bruto, o forte e o fraco, sem que nenhum deles, jamais, se sinta no lugar errado, apreende-se mais do que em cem discursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu conto histórias. Histórias que eu vi com esses olhos que a terra há de comer um dia, ou histórias que eu ouvi, no buxixo das curriolas. E juro por essa luz que me ilumina, que conto as histórias sem aumentar um ponto. Se algum talento eu tenho, por desventura, é de ver e ouvir a gente minha” *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Em memória do saudoso Plínio Marcos, poeta, escritor e amante das pequenas belezas mundanas, tão presentes no dia a dia do povo brasileiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-3613558437560179189?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/3613558437560179189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=3613558437560179189' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3613558437560179189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3613558437560179189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/o-torneio-dos-pnaltis-de-uauau.html' title='O Torneio dos Pênaltis de Uauaçu'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06211806687052889231'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R5ZF37u2LFI/AAAAAAAAACI/wuYY7jLgQ5M/s72-c/File0011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-3743787318675373770</id><published>2008-01-17T13:44:00.000-02:00</published><updated>2008-01-19T11:49:40.256-02:00</updated><title type='text'>Futebol, contracultura e urbanismo ao som de rock’n’roll</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R4945eeBh4I/AAAAAAAAAFA/xYXivBpoRes/s1600-h/st+pauli.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156473027189376898" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="119" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R4945eeBh4I/AAAAAAAAAFA/xYXivBpoRes/s200/st+pauli.jpg" width="122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R494ueeBh3I/AAAAAAAAAE4/QM_vWorV9L4/s1600-h/st+pauli+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156472838210815858" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R494ueeBh3I/AAAAAAAAAE4/QM_vWorV9L4/s200/st+pauli+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Se eu fosse alemão, meu time não seria o vermelho da Baviera.&lt;br /&gt;Eu não torceria pelo alvirrubro de Stuttgart.&lt;br /&gt;Eu detestaria o aurinegro da Renânia e odiaria os alvicelestes de Berlim e de Hamburgo.&lt;br /&gt;Se eu fosse alemão, seria são paulino. Ou mel&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R494YOeBh2I/AAAAAAAAAEw/jjlFtjx1Trw/s1600-h/gegengerade.jpg"&gt;&lt;/a&gt;hor, St. Paulianer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do FC St. Pauli, time do bairro portuário e distrito da luz vermelha de Hamburgo onde já moraram os Beatles, é um dos fenômenos sociais recentes mais interessantes do futebol mundial. Impossível não simpatizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse time é recebido ao campo ao som de AC/DC est&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R496F-eBh8I/AAAAAAAAAFg/Bqj2Y9b61-s/s1600-h/ultra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156474341449369538" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R496F-eBh8I/AAAAAAAAAFg/Bqj2Y9b61-s/s200/ultra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;endendo bandeirão do Bob Marley e do Che Guevara – coisa rara na Europa –, tem como símbolo informal uma caveira pirata, comemora gol com bate-cabeça ao som de Song 2 do Blur, grita “Amburgo! Amburgo! Vaffanculo!” em bom italiano pra torcida neonazista do arquirival, tem presidente gay – e ninguém tem nada com isso – e só louco na torcida. Mas não loucos de fé cega ao estilo “aqui tem um bando de louco”, violento e sem projeto. Loucos tipo maluco beleza mesmo, gente muito da fina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é por causa dessas curiosidades que o St. Pauli e sua torcida se tornaram um ícone da contracultura alemã. É porque conquistaram bravamente seu lugar na história do bairro, da cidade e do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é interessante. Na década de 80 – para nós brasileiros a década perdida, para o mundo desenvolvido uma década de prosperidade –, o bairro de St. Pauli passou a receber todo tipo de figura em busca de uma vida mais em conta num canto empobrecido de um país rico e caro. Comunistas, anarquistas, esquerdistas, hippies, batedores de cabeça punk e toda sorte de doidões, os novos moradores do distrito, passaram a defender as cores do time local, embora sem grande fervor. Foi quando a direção do clube propôs uma espécie de gentrificação do bairro – aquele tipo de intervenção urbanística que consiste em expulsar os pobres e investir nas redondezas. Foram propostos um novo estádio e uma cidade esportiva, entre outros projetos que prescindiriam maior intervenção do aparato coercitivo do Estado, encareceriam o custo de vida local e forçariam os ali instalados para um novo e ainda pior lugar. Pois mexeram com a claque errada. O movimento contra o projeto foi tão grande que o St. Pauli virou fenômeno kult.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que seguiu a vitória urbanística e política das torcidas do St. Pauli foi a simpatia do país e da Europa. O pequeno estádio Millentorn, que até hoje conta com placares manuais para orgulho dos Ultras e dos numerosos donos de passes para a temporada do clube, passou a encher todo jogo e a receber organizadas de todo o país. Acordos foram firmados com outras torcidas politizadas da Europa, com destaque para a do Celtic FC, da Escócia, e do Athletic Bilbao, do País Basco e da Espanha. Na maior organização.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R496feeBh9I/AAAAAAAAAFo/qSVfQGhXjio/s1600-h/th_st_pauli_3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156474779536033746" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R496feeBh9I/AAAAAAAAAFo/qSVfQGhXjio/s200/th_st_pauli_3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E não foi só. Na Alemanha, organizações neonazistas existem até hoje e contam com uma representatividade até que grande. Esses cidadãos com problema de déficit de tolerância, como seria de se esperar, estenderam suas fileiras para as arquibancadas. O Borussia Dortmund é empurrado pela Borussenfront, cujo passatempo predileto deve ser blasfemar contra o ex-corinthiano Ewerthon. A Herthafrösche, do Hertha Berlin, deve estar agora bolando novos jeitos de repudiar o gaúcho Mineiro. E por aí vai: tolerar os intolerantes é uma encheção que faz parte da vida por lá. Mas não no FC St. Pauli. Ali, as organizadas assumiram um caráter abertamente antifascista e não permitem sua entrada no estádio ou sua influência direta ou indireta. O episódio decisivo foi uma tentativa de quebra-quebra por parte dos nazistas após uma vitória da seleção. Não deu outra: quebrados foram eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após ter sido notado por sua postura politizada e por sua torcida tot&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R4962OeBh-I/AAAAAAAAAFw/ngQ9KnXJLPk/s1600-h/st+pauli+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156475170378057698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R4962OeBh-I/AAAAAAAAAFw/ngQ9KnXJLPk/s200/st+pauli+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;almente fora dos padrões nacionais, hoje o St. Pauli conta mais de 11 milhões de torcedores só na Alemanha, disparada a maior da segundona e uma das maiores do país. Além disso tem a maior torcida feminina, participa de protestos maiores contra o racismo, o sexismo, o nazismo e a homofobia, tendo inclusive petrificado estas posições no estatuto do clube, não exibe propagandas de revistas degradantes da mulher no estádio e realiza amistosos contra times simpáticos, como os Soca Warriors de Trinidad e Tobago. Suas organizadas gritam em várias línguas diferentes, do alemão ao italiano, francês e inglês, denotando sua veia internacionalista. E talvez ainda mais interessantemente, o clube adquiriu fama mundial ao organizar em seu estádio o primeiro mundial para países não reconhecidos, contando com seleções do Tibete, da República Turca do Norte do Chipre, da Groenlândia, de Zanzibar, de Gibratar e com o próprio clube representando a “República de St. Pauli” – torneio vencido pelo Chipre do Norte nos pênaltis sobre Zanzibar, conjunto de ilhas na costa da Tanzânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O St. Pauli é uma inspiração para times do mundo todo de que é possível desimbecilizar o futebol. Por isso, meu caro, corinthiano aqui, são paulino lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* agradecimentos ao caro Daniel Schultz, cientista genial e figuraça-mor que deu a deixa dessa história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-3743787318675373770?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/3743787318675373770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=3743787318675373770' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3743787318675373770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3743787318675373770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/futebol-contracultura-e-urbanismo-ao.html' title='Futebol, contracultura e urbanismo ao som de rock’n’roll'/><author><name>Zé Pedro Fittipaldi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076776154796644797</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='17283625651511740468'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_-rhOxJtZ6iM/R4945eeBh4I/AAAAAAAAAFA/xYXivBpoRes/s72-c/st+pauli.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-5525431363773659230</id><published>2008-01-11T21:38:00.001-02:00</published><updated>2008-01-17T16:25:27.666-02:00</updated><title type='text'>Prepare-se: essa é a história do maior time de todos os tempos.</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4f_c7u2LCI/AAAAAAAAABo/GviFNm2q01M/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154369171084422178" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4f_c7u2LCI/AAAAAAAAABo/GviFNm2q01M/s400/images.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O quarto gol é de Andre Abegglen, num poderoso arremate de direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De cara fechada, o Führer passa a mão no bigode, enquanto o público francês aplaude de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no dia nove de junho de 1938, no Parc des Princes, Paris, sob os olhos atentos de uma Europa à beira da guerra, que a Suíça apresentou ao mundo o Schweizer Riegel (Ferrolho Suíço), glorioso alvorecer tático do futebol moderno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a terceira edição da Copa do Mundo, levada à França pelo então presidente da Fifa, Jules Rimet. Na platéia, mesmo com favoritismo total para as seleções do eixo, o público vaiava as saudações fascistas. E em campo, sem a Celeste pela frente, com a Fúria destroçada pela guerra civil e os craques da promissoraa Áustria anexados à seleção de Hitler, apenas a Itália parecia fazer frente ao scratch nazista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o destino guardava, sim, uma de suas surpresas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E ela tinha nome: Karl Rappan (foto), notório estrategista austríaco que dirigiu a Suíça nas copas de 38 e 54. Comandando uma seleção formada por um catado de artesões, comerciantes e professores, o “austríaco louco” (como é conhecido por alguns, entre eles eu) foi o primeiro treinador a implementar uma “defesa total”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Na prática, The Swiss Locking Bolt não era uma formação tática em si, como 4-2-4 ou 4-4-2, por exemplo. Ao contrario do que muitos pensam, tratava-se na verdade de um sistema de jogo, com diversas variações possíveis, não necessariamente aplicadas a todo o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que chamava a atenção, independentemente da formação utilizada, era sua mobilidade. No Ferrolho, havia uma marcação sólida tanto no campo de defesa, no qual todos os jogadores voltavam para trás da linha da bola, como também no campo de ataque, pois quando o time ia à frente uma linha de três ou quatro zagueiros se posicionava quase no meio de campo, enquanto os atacantes pressionavam os zagueiros adversários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre as mais confiáveis ilustrações do esquema de Rappan, duas chamam a atenção: Uma delas (primeira) é uma armação com cinco defensores, antecedidos por um líbero (&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156476883335261234" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 204px; CURSOR: hand; HEIGHT: 109px" height="248" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R498Z7u2LDI/AAAAAAAAAB4/_l1CCG0dkbM/s400/fer1.bmp" width="250" border="0" /&gt; na época ainda não era líbero, mas sim um cão de guarda) posicionado logo à frente do goleiro, com os outros quatro avançados formando uma segunda linha, responsável pelo primeiro combate. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A outra (segunda) é uma tentativa de trancar o adversário em seu próprio campo, com uma linha de quatro jogadores avançados, que marcam os zagueiros, dois meias contendo os volantes e os três defensores postados quase no meio campo, protegidos pelo libero. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4993Lu2LEI/AAAAAAAAACA/0hF1Kxg72nc/s1600-h/fer2.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156478485358062658" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 206px; CURSOR: hand; HEIGHT: 109px" height="248" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4993Lu2LEI/AAAAAAAAACA/0hF1Kxg72nc/s400/fer2.bmp" width="243" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Genial! Contra a Alemanha, a Suíça entrou em campo com Hubber; Lehmann, Minelli, Loertscher, Springer e Vernati; Bickel, Walaschek, Aeby, Amado e Abegglen. E apesar da vitória espetacular, não foram os campeões do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua inovação tática, entretanto, baseada numa concepção do jogo sem precedentes, formulou todas as bases teóricas para o Catenaccio, a filosofia defensivista mais famosa do futebol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Karl Rappan é referência obrigatória para todos os retranqueiros do mundo. E Le Verrou Suisse, executado com perfeição, é a grande contribuição dos suiços à humanidade (já que o queijo veio da Arcádia e, o chocolate, dos Astecas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final de jogo. Suíça 4 X 2 Alemanha. Destroçados, os alemães reconhecem a derrota. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um a um, enxugam com suas camisas negras, de suástica bordada no peito, as lágrimas de uma eliminação precoce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Führer, impaciente, volta a passar a mão no bigode. Aquela era a primeira de três valiosas lições que o ditador aprenderia na vida: A primeira, nunca confiar num Mussolini. A segunda, não invadir os russos no inverno. E a terceira, a que mais lhe tirava o sono, jamais subestimar o Schweizer Riegel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extra! Extra! Ferrolho Suíço desbanca Alemanha nazista! Gritava o jornaleiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-5525431363773659230?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/5525431363773659230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=5525431363773659230' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/5525431363773659230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/5525431363773659230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/prepare-se-essa-histria-do-maior-time.html' title='Prepare-se: essa é a história do maior time de todos os tempos.'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06211806687052889231'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4f_c7u2LCI/AAAAAAAAABo/GviFNm2q01M/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-1142821764285976631</id><published>2008-01-11T16:09:00.000-02:00</published><updated>2008-01-13T18:07:13.658-02:00</updated><title type='text'>A Verdade Sobre Acosta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R4e4b6-4-3I/AAAAAAAAAAM/hmDDrN5RgDE/s1600-h/acosta(7).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154291088377838450" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R4e4b6-4-3I/AAAAAAAAAAM/hmDDrN5RgDE/s320/acosta(7).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Beto Acota chega ao time mais importante do Brasil como um completo mistério. Uma promessa de 30 anos? Um centro-avante? Um meia-atacante? Um ponta de lança? Uma fraude?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem se acostuma a ver grandes talentos surgirem imberbes a cada alguns meses (não existe na história do futebol nada semelhante à profusão reiterada de bons jogadores que fazem do Brasil, para mim indiscutivelmente, o país do futebol), um uruguaio desengonçado, feio pra burro, com idade para ser pai de companheiros de equipe, surgir como estrela do irritante Náutico (time que sofreu a mais vexatória derrota que já vi para o raçudo e sortudo Grêmio), é realmente uma situação estranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, afinal, quem é Beto Acosta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Martin Acosta Martinez nasceu, de acordo com a maioria das fontes, algumas pouquíssimo confiáveis, na cidade de Montevidéu. em 13 de janeiro de 1977. Aliás parabéns, é daqui a dois dias..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À boca pequena, diz-se tratar-se claramente de um dos casos de gato mais escandalosos da história do futebol porque qualquer torcedor do San Lorenzo sabe que, aos alegados 11 anos,  Beto Acosta fez 34 gols em 64 partidas pelo time. Alguns torcedores do time afirmam que o atacante tinha de fato 11 anos e 1,84m e se discutia pelas ruas de Almagro se ele era melhor ou pior do que aquele baixote que surgira no Argentino Juniors.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ninguém sabia é que ele, com esperanças de jogar pela seleção argentina, escondeu sua nacionalidade uruguaia, previendo a estagnação em baixa de uma seleção respeitável, que calou milhões de brasileiros, principalmente cariocas, que raramente se calam, no Maracanazo. Acosta atravessara o Rio da Prata, passara o carnaval em Florianópolis e se tornara um argentino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia Acosta se encheu e resolveu que voltaria para o seu país, deixando um substituto, de carreira gloriosa em grandes times como o Boca, o Sporting, sem que ninguém percebesse. Enquanto isso, construiu uma sólida carreira dedicada ao futebol de nível médio, pois era jovem e queria curtir a efervescente Montevidéu. Mas acima de tudo queria estar com uma figura antológica, que ao ser citada muda o valor de todo esse relato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acosta é filho de um dos grandes volantes da história do Urugai, que nunca defendeu a seleção nacionl por se recusar a jogar profissionalmente. Dono de carrinhos irresponsavelmente eficientes, chutões que assustavam até o bandeirinha e uma catimba muito refinada, Alberto Acosta, o pai, defendeu durante toda sua vida o Corinthians de Montevidéu. O alvi-negro da zona leste da capital uruguaia é time com mais títulos na liga amadora uruguaia, disputada desde 1890 a 1915 e que tinha como mais notório freguês o Peñarol. São mais ou menos 25 vitórias de vantagem, como o Corinthians e o São Paulo. Veio o profissionalismo e o time mais popular do país permaneceu amador. Acosta Pai, el Rey de Pocitos, boêmio e marcador, que tem 2 passaportes (um argentino, outro uruguaio), é uma figura popular até hoje na antiga Província Cisplatina. Entre uma Norteña e outra, declarou sentir enorme orgulho do fato do filho não ser um tampinha e se transferir para um time do nível do Corinthians, no momento mais importante de sua história. “Beto ha nascido para esto, siempre ha sido el mejor jugador de sus equipos, dueño de caegoria espetacular”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto, impresssionantemente parecido com o filho, logo muda de assunto e procura oturas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre atento aos grandes mistérios do futebol (estilo as horas que precederam França x Brasil, em 2008), acompanhei as carreiras paralelas de Acosta. O impostor de passaporte argentino é um jogador eficiente. O verdadeiro Acosta é um jogador que não se afoba e faz bonito, para dentro do gol, o que é mais importante. Seu jeito desengonçado engana os defensores adversários , que acabam sempre batidos, observando o jogador concluir com seu estilo frio e sem firulas. Beto Acosta parece um jogador da escola escandinava, com seus passos largos e objetividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novo dono da camisa 10 alvi-negra é o Ibrahimovic do Tatuapé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-1142821764285976631?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/1142821764285976631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=1142821764285976631' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/1142821764285976631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/1142821764285976631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/verdade-sobre-acosta.html' title='A Verdade Sobre Acosta'/><author><name>Tiago Marconi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10536114558516673798</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='00997535148497051655'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_lGlsl_N7u2A/R4e4b6-4-3I/AAAAAAAAAAM/hmDDrN5RgDE/s72-c/acosta(7).jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-8983163346634881519</id><published>2008-01-07T15:40:00.000-02:00</published><updated>2008-01-08T16:47:59.682-02:00</updated><title type='text'>2048</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4JlTru2K8I/AAAAAAAAAAk/sp-_KriHSLQ/s1600-h/asd.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152792312496401346" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4JlTru2K8I/AAAAAAAAAAk/sp-_KriHSLQ/s400/asd.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O ano é 2048. O futebol mundial entra em crise. Desesperados por lucro e mais audiência, cartolas tomam uma medida drástica, durante o outono europeu, em Zurique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apoiados por grandes craques do passado, como Lionel Messi, Ronaldinho Gaúcho e Lulinha, aprovam uma lei que proíbe o carrinho no futebol!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aplausos. De nada adianta o protesto ferronho de outros jogadores. A mídia aprova, o povo vai com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O técnico da seleção italiana, Marco Materazzi, retira a Azurra das competições internacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém liga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No gramado da famosa Bombonera, em Buenos Aires, músicos famosos fazem concerto em memória de Diego Maradona. Mas a abertura fica por conta de Roberto Ayala, que dispara contra a Fifa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Plaza dels Heróis, em Assunción, Gamarra (a quem muitos atribuem os melhores carrinhos da história) discursa para centenas de zagueiros e militantes do mundo inteiro. E em Copacabana, no Rio de Janeiro, Junior Baiano organiza passeata que conta com o apoio de grandes defensores da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos meses, os mais conservadores são punidos, ao insistirem na praticada jogada. E nem mesmo o atentado terrorista à International Board surte algum efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Itália, de longe o país mais afetado pela regra nova, a greve de zagueiros supera 180 dias sem nenhum acordo. E sem opções, meias são improvisados na quarta zaga e técnicos desesperados chegam a usar dois atacantes. A bota vira de cabeça para baixo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longos jejuns de títulos e jogos sem graça, cheios de gols, espantam o italiano dos estádios. Em poucos anos, o vôlei desbanca o Calcio como esporte numero um do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, alguns paises se adaptam melhor, principalmente aqueles cheios de atacantes, como o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um século se passa após a lei contra o carrinho e pouco se sabe sobre como e quando ele surgiu no futebol. Os pesquisadores gastam seu tempo investigando a história de jogadas mais nobres, como a bicicleta e o drible da foca. Sem registros, perdido no tempo e na memória do povo, o carrinho vira história de bar, contada boca a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na várzea, último reduto dos praticantes do carrinho, o espírito dos zagueiros do passado ainda vive. Se atirando contra meias habilidosos, garotos deslizam sobre a terra e gritam nomes de grandes craques, como Lúcio, Naldo, Ricardo Rocha, Cléber... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-8983163346634881519?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/8983163346634881519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=8983163346634881519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/8983163346634881519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/8983163346634881519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/2064.html' title='2048'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06211806687052889231'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4JlTru2K8I/AAAAAAAAAAk/sp-_KriHSLQ/s72-c/asd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-7777255555073308941</id><published>2008-01-07T14:22:00.001-02:00</published><updated>2008-01-07T15:54:47.333-02:00</updated><title type='text'>Hipocondríacos F.C</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4JnMru2K-I/AAAAAAAAAA0/rBdVRY68dxQ/s1600-h/asd.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Assim como outros tantos milhões de brasileiros, sou ligeiramente hipocondríaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bastam alguns sintomas isolados e eu já me acho portador de alguma enfermidade, para a qual não dispenso um bom remédio. Afinal, antes de “Chicuíca”, que apareceu por causa de minhas recentes habilidades com a própria, a melhor reconstrução de meu apelido óbvio havia sido “Chipocondríaco”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como exercício de criatividade, ai vai meu time de craques, o Hipocondríacos F.C, montado por algum bilionário traficante internacional de remédios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O esquema é o 4-4-2 básico, pois embora seja um bom estrategista, o técnico russo Anador Semyonov não gosta de dores de cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No gol, seguindo a confiável linhagem de goleiros genéricos espanhóis, o scratch conta com Esteban Albendazol. Garantia absoluta contra frangos, ou ao menos contra os vermes presentes no frango cru!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira linha, formada por quatro defensores que nunca sobem ao ataque, traz segurança e imunidade ao time, oferecendo tranqüilidade e calma - mantendo em ordem a ansiedade dos fãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na lateral direita, o franco-espanhol Ruben de Losartan não deixa espaços e ainda ajuda a prevenir os infartos e os problemas de hipertensão, doenças que um lateral ruim geralmente causa ao torcedor. Na outra lateral, o experiente ganês Eric Somallium tranqüiliza o time e controla a ansiedade das investidas pela faixa esquerda do campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dupla de zaga é grande e imunologicamente forte. O beque central é Mikhail Zovirax, talento ucraniano, especialista em defesa contra todos os tipos de agressores rivais, ou melhor, virais! E na quarta zaga, bloqueando os receptores de time adversário, o dono da posição é o tcheco Cipramil Sobotka, dono de uma verdadeira bomba!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À frente da zaga, dois cães de guarda: como cabeça de área o francês Sebastian Rivotril distribui pancadas e bota os atacantes para dormir, com suas potentes cabeçadas à Zidane. E mais adiantado, tirando o sono de qualquer meia habilidoso, o suíço Dexamin Grojan é uma injeção de adrenalina para os ânimos da equipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Responsáveis pela criatividade, os meias de ligação também precisam marcar, porque hipocondríaco gosta de se prevenir. Pela meia direita, a criação fica por conta da visão de jogo apurada do galã italiano Paolo Gasarone, um verdadeiro colírio para os olhos das torcedoras. E na meia esquerda, sempre de cabeça erguida, o húngaro veterano Szabo Cialis é o responsável pela potência ofensiva do esquema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois homens de frente se completam; um é centroavante paradão, uma referência. O outro é segundo atacante que cai para os lados, que busca o jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recuado, quem inferniza os zagueiros é Vladmir Engov, um atacante baladeiro, sempre bem acompanhado, que gosta de vodka.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá na frente, fixo e lento, mas muito perigoso, nosso matador: Mirko Prozac. Um craque!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Albendazol; Losartan, Somallium, Cipramil e Zovirax; Rivotril, Dexamin, Gasarone e Cialis; Engov e Prozac! Time escalado, torcida lotando a Paxil Arena, tudo pronto para o espetáculo. O jogo é um oferecimento da Laboratórios Pfizer. E o adversário, como não poderia deixar de ser, será o arqui-rival A.C Homeopáticos 1964.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e esqueci de dizer. O time joga sempre de luto. Com tarja preta, claro!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-7777255555073308941?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/7777255555073308941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=7777255555073308941' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7777255555073308941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/7777255555073308941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/hipocondracos-fc.html' title='Hipocondríacos F.C'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06211806687052889231'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8459700198031979553.post-3991158135776146298</id><published>2008-01-06T20:13:00.000-02:00</published><updated>2008-01-12T22:59:38.967-02:00</updated><title type='text'>Segundona, até que enfim!</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4Jm-bu2K9I/AAAAAAAAAAs/ngpnx9n0K2M/s1600-h/adsasd.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152794146447436754" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4Jm-bu2K9I/AAAAAAAAAAs/ngpnx9n0K2M/s400/adsasd.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4JF07u2K7I/AAAAAAAAAAY/e1dUZ4Lp76w/s1600-h/adsasd.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu, como outros 30 milhões de brasileiros, sou corintiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofri demais em 2007. E, na vã tentativa de me desviar das provocações alheias, criei e popularizei a frase “quem vive de título é acionista e banco”. Afinal, nós corintianos vivemos da fé. A questão é: um mês inteiro de reflexão me fez enxergar que a história do Corinthians precisa de rebaixamento assim como um bom romance precisa de tragédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para aqueles que me acham louco, sim eu sou, mas vou me explicar. Durante muito tempo invejei o fanatismo dos corintianos mais velhos, que permaneceram fanáticos mesmo após a grande estiagem de títulos anos que marcou um período negro de nossa história. Eu queria ter estado lá! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Queria ter cruzado a Via Dutra em segunda marcha, buzinando e tremulando minha bandeira junto de outros milhares de Fiéis. Ou então, cruzado o campo do Morumbi de joelhos, apenas por causa de um único título paulista. Dessa forma eu teria demonstrado minha fé através das provações - e não das conquistas, como fiz durante minha infância e adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas agora tudo mudou. As gerações mais novas têm por fim a chance de experimentar o que é ser verdadeiramente corintiano. E até que enfim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um ano cheio de conspirações contra todos os Fiéis, que se estendiam dos juízes e tribunais e chegavam até a FIFA, eis que enfim eles conseguiram nos derrubar. E agora, quase que arrependidos, perceberam que isso pouco nos afeta. Cada vez mais estende-se por todo o Brasil um sentimento de admiração pela nossa fé. Inveja. Assim como devia ser nos tempos da Invasão (que só se escreve com letra maiúscula, sempre), o fenômeno sócio-antropológico-espiritual chamado Corinthians novamente impressiona a tudo e a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a torcida? A torcida só cresce. Mais do que antes. A vida é assim, em frente ao abismo, até os ateus se voltam à fé. E como nenhum corintiano tem bom juízo, uma pequena estiagem de títulos só nos fará mais fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, como criou com sabedoria um dos corintianos doentes que eu conheço, Aqui tem um Bando de Louco!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8459700198031979553-3991158135776146298?l=retrancacronica.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retrancacronica.blogspot.com/feeds/3991158135776146298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8459700198031979553&amp;postID=3991158135776146298' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3991158135776146298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8459700198031979553/posts/default/3991158135776146298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retrancacronica.blogspot.com/2008/01/segundona-at-que-enfim.html' title='Segundona, até que enfim!'/><author><name>Chico Garcia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12220397507072408747</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='06211806687052889231'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_VxfNLCF7Rrs/R4Jm-bu2K9I/AAAAAAAAAAs/ngpnx9n0K2M/s72-c/adsasd.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry></feed>